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O papa e suas “entrevistas a bordo”

AP Photo/Luca Zennaro, Pool
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Em uma época de falas ensaiadas, o papa Francisco abraça a espontaneidade

Os católicos de todo o mundo estão se acostumando às conversas informais que o papa Francisco mantém com os jornalistas a bordo do avião em que retorna a Roma depois das suas viagens apostólicas. Essas conversas já se tornaram uma tradição. E, invariavelmente, elas geram alguns mal-entendidos e são interpretadas de maneira parcial. O papa considera que o risco vale a pena e, agora que já nos acostumamos com essas conversas, podemos ver que, através delas, o Santo Padre colhe mais frutos do que pareceria à primeira vista.
 
Quando ele encontra os jornalistas no avião, o clima é de informalidade. Ele ouve as perguntas e as responde de improviso, mostrando que é um mestre da comunicação. Francisco tem sido criticado por pessoas que o acusam de ser impreciso e confuso. Acusá-lo disso é não entender o que o papa está tentando realizar por meio dessas entrevistas. Ele quer que o mundo o conheça como uma pessoa real, viva e apaixonada, que fala com o coração e para os corações. Esta qualidade ficou especialmente visível na sua conversa com os jornalistas que viajavam com ele de volta de Manila, na última segunda-feira.
 
O papa tinha ficado clara e profundamente comovido com a participação massiva dos fiéis nas Filipinas. Ele ficou tocado pelo calor humano, pela alegria, pela fé e pela esperança impactantes do povo daquele país. A emoção tomou conta de Francisco quando ele esteve com as pessoas que tinham sido atingidas pela tempestade tropical em Tacloban.
 
Quando lhe perguntaram em que aspecto os filipinos o tinham impactado mais, o papa respondeu: "Nos gestos! Os gestos me comoveram… Gestos bons, sentidos, gestos do coração. Alguns quase me fizeram chorar. Há de tudo: a fé, o amor, a família, as esperanças, o futuro! Gestos que são originais e que nascem do coração… Outro gesto que me impressionou muito é um entusiasmo que não é fingido, uma alegria, uma felicidade, uma capacidade de celebrar! Mesmo debaixo de chuva, um dos mestres de cerimônias me disse que se sentia edificado com aqueles jovens que estavam trabalhando como voluntários e que, apesar da chuva, nunca perdiam o sorriso. É a alegria, não é uma alegria fingida. Não era um sorriso falso. Não, não! Era um sorriso que simplesmente brotava, e por trás desse sorriso existe uma vida normal, existem sofrimentos, problemas".
 
Ao falar com o coração, o papa Francisco está mostrando ao mundo a sua verdadeira paixão pelas pessoas e a sua verdadeira paixão pela fé. Este coração emotivo se revela melhor na atmosfera informal de uma conversa humana do que em condições determinadas pela formalidade. Agir assim com os jornalistas é compartilhar com o mundo o seu coração aberto. 
Há mais um elemento que torna essas entrevistas nos aviões uma ideia brilhante. Descobrimos que elas são uma nova forma de comunicação papal. As conversas são naturais, espontâneas, não planejadas. Às vezes, o papa comete erros humanos em seu desejo apaixonado de falar do coração de Cristo. No voo de volta de Manila, ele disse que os católicos não precisam "se reproduzir como coelhos". No voo de volta do Rio de Janeiro, falando sobre quem sente atração por pessoas do mesmo sexo, ele perguntou: "Quem sou eu para julgar?". Já aceitamos que estas afirmações são não formais, dogmáticas, do pontífice infalível. São conversas informais com o feliz e espontâneo papa Bergoglio. E está tudo bem.
 
Uma terceira razão do sucesso das entrevistas a bordo do avião papal é que elas fortalecem o relacionamento do papa com a imprensa mundial. Os jornalistas amam e respeitam este papa de forma notável. Eles detêm um grande poder e ele também tem um grande poder. Os dois lados percebem isto e os dois lados gostam e respeitam um ao outro. O papa Francisco sabe que, se quiser comunicar o poder positivo do evangelho e a grandeza da boa nova da fé católica, vai precisar de jornalistas solidários e compreensivos para ajudá-lo. Suas entrevistas nos aviões, portanto, são oportunidades de trocar ideias com os jornalistas, de oferecer a eles um pouco de tempo cara a cara, de construir relacionamentos e parcerias na complicada tarefa de se comunicar na época atual.

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