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O que leva pessoas comuns a se tornarem terroristas?

AP Photo/Sidali Djarboub

Susan E. Wills - publicado em 25/01/15

A maioria dos "especialistas" no assunto entendeu tudo errado até agora

O ataque terrorista de 7 de janeiro contra a redação do semanário satírico "Charlie Hebdo" e os assassinatos subsequentes atordoaram a Europa e levaram à detenção de mais de duas dezenas de suspeitos de terrorismo na Bélgica, na França, na Alemanha e na Grécia. Dois terroristas ligados ao grupo Estado Islâmico foram mortos em Verviers, na Bélgica, durante uma operação que frustrou um atentado “prestes a acontecer”, segundo as autoridades. Estes episódios reavivaram uma série de questões:

– Por que alguém comete esse tipo de ato?

– O governo francês não podia ter evitado essas 20 mortes monitorando Amedy Coulibaly, os irmãos Kouachi e seus cúmplices?

– Como os extremistas muçulmanos se radicalizam? Ou seja, como é que eles passam de cidadãos comuns a assassinos que, premeditadamente, matam pessoas inocentes para espalhar o terror na sociedade?

– Por que as últimas décadas de combate ao terrorismo não acabaram com a escalada e com a brutalidade de atentados como o de Paris e como os da Nigéria, país em que, de 3 a 7 de janeiro, estima-se que o Boko Haram massacrou cerca de 2.000 nigerianos, entre homens, mulheres e crianças?

– E quanto aos terroristas capturados e mantidos presos, será que é possível “tirar” deles o extremismo mediante programas de “desradicalização”?

Perguntas como essas já foram exploradas em dezenas de milhares de artigos e livros: a Amazon, por exemplo, lista em torno de 35.000 resultados quando se faz uma busca de livros sobre terrorismo em seu site norte-americano. Um especialista britânico no assunto, o Dr. Andrew Silke, calcula que, só em inglês, é publicado um novo livro sobre terrorismo a cada seis horas.

Você acha que nós já sabemos tudo o que há para saber sobre o perfil “típico” do terrorista, as suas motivações, a sua transformação em radical decidido a morrer pela causa, a sua adesão às dinâmicas dos grupos terroristas e, no caso de eles abandonarem o terrorismo, as suas razões para se afastar do grupo? Infelizmente, a maioria das “respostas” e explicações apresentadas pelos “especialistas” no assunto estão erradas ou são irrelevantes para o sucesso do combate ao terrorismo. Esta afirmação é feita por estudiosos como o próprio Dr. Andrew Silke, autor de “Research on Terrorism: Trends, Achievements and Failures” (“Investigando o terrorismo: tendências, êxitos e fracassos”), e como o Dr. John Horgan, professor da Universidade de Massachusetts (Lowell), diretor do Centro de Estudos sobre Terrorismo e Segurança e autor do livro “The Psychology of Terrorism” (“A psicologia do terrorismo”).

Uma avaliação das pesquisas sobre terrorismo, feita ainda em 1988 por Alex Schmid e Albert Jongman, concluiu: “Muito do que se escreve a respeito de áreas cruciais da pesquisa sobre o terrorismo é superficial, influenciado por impressões e, ao mesmo tempo, pretensioso, já que generaliza extrapolações a partir de evidências ligadas a casos pontuais”.

Os autores acrescentam: “Provavelmente, há poucas áreas na literatura das ciências sociais que produzem tantos escritos baseados em tão pouca pesquisa”. Eles estimaram que “em torno de 80% dessas publicações não se baseiam em pesquisa rigorosa. Em vez disso, trata-se de textos muitas vezes narrativos, condenatórios e prescritivos” (citado no segundo capítulo de “Terrorism Informatics: Knowledge Management and Data Mining for Homeland Security”, ou “Terrorismo informático: gestão do conhecimento e mineração de dados para a segurança interna”, de autoria do Dr. Andrew Silke).

Uma análise mais recente da literatura sobre o terrorismo, também feita por Silke, revela que 68% dos livros e artigos publicados na década de 1990 são especulativos e sem fundamentação em pesquisa primária.

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