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Papa Francisco: reformador ou renovador?

AP/L'Osservatore Romano
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A falsa narrativa da imprensa laica só enxerga o que quer

Ao mesmo tempo em que se prepara o segundo consistório convocado pelo papa Francisco, no qual serão criados novos cardeais, vai sendo realizada uma série de reuniões entre o papa e os outros cardeais de todo o mundo. Francisco também está mantendo reuniões com o conselho de nove cardeais que o ajudam nos esforços de reforma. Nesta semana, reúnem-se ainda os membros do novo conselho criado para aplicar estratégias mais rigorosas e mais simples para acabar com o abuso contra menores. E continuam, paralelamente, as reuniões da equipe responsável por reformar as finanças do Vaticano.
 
Francisco é saudado como um "papa reformista" e, certamente, ele demonstra a intenção de levar a cabo os planos iniciados pelo papa emérito Bento XVI. No entanto, quando lemos a história da Igreja nos últimos cem anos, vemos que cada papa liderou a Igreja durante algum período intenso de autoexame e reforma; a partir do pontificado de São João XXIII, aliás, parece que a Igreja católica não fez outra coisa além de reformar-se. Será que é mesmo correto, então, chamar Francisco de "papa reformista"?
 
Essa visão das coisas é promovida, em grande medida, pela imprensa laica, desejosa de criar uma falsa dicotomia entre o papa Francisco e os papas João Paulo II e Bento XVI. Para esta falsa dicotomia, existem razões simples e sinistras. A razão mais simples é que o conflito vende jornais. Se o papa Francisco for pintado como opositor de Bento XVI e de João Paulo II, os leitores famintos de tramas eclesiásticas não vão querer perder o capítulo mais recente do "grande teatro vaticano entre os arqui-inimigos Francisco e Bento". E as razões sinistras para a falsa dicotomia são principalmente duas: a primeira é que os inimigos da Igreja querem dividi-la para derrotá-la. Se eles conseguem vender ao mundo um panorama de dois papas em oposição, eles vendem a ideia de que a Igreja está enfraquecida. A falsa dicotomia também é sinistra porque, através dela, a imprensa laica sequestra o papa Francisco para todas as suas causas favoritas. Ela pintou Bento XVI como seu inimigo "ultraconservador". Já Francisco pode ser o seu amigo "liberal radical": ao mesmo tempo em que passa por cima das palavras e atos do papa que vão contra a sua vontade, a mídia laica também continua vendendo Francisco como o seu “papa pop”.
 
Pintar Francisco como o "papa reformador" não é só inútil, mas também impreciso. Em vez da palavra "reforma", devemos usar o termo "renovação". O papa Francisco quer a renovação da Igreja. E a ideia de renovação vai muito além da mera reforma. Vemos a reforma de Francisco em seu empenho por simplificar e tornar mais transparente o funcionamento financeiro do Vaticano. Vemos a sua reforma no esforço para melhorar a eficiência curial e as comunicações. Seu trabalho reformador também se revela na continuidade das iniciativas de Bento XVI para acabar com os abusos sexuais cometidos por clérigos. Esses esforços são louváveis, mas são apenas ações externas de uma renovação muito mais profunda que Francisco quer promover.
 
Esta renovação é o cerne da sua missão e é justamente isto o que a imprensa laica muitas vezes ignora ou entende mal. A reforma curial de Francisco, a racionalização financeira, a erradicação dos abusos e a nomeação de uma equipe de cardeais para ajudá-lo são secundárias para a renovação espiritual que ele quer para a Igreja. A real ambição de Francisco é transformar os nossos corações e mentes e levá-los de volta à simplicidade da mensagem do Evangelho. A Igreja existe para chegar aos pobres, para curar os de coração quebrantado, para trazer justiça e paz aos oprimidos, para pregar a boa nova da obra salvadora de Cristo à humanidade desesperada. As mudanças políticas e econômicas no Vaticano são necessárias não como fins em si mesmas, e sim como meios para fortalecer a

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