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Por que a Virgem Maria enfurece as feministas?

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Robert McTeigue, SJ - publicado em 12/02/15

Nem todo modelo de feminilidade leva à felicidade

Por que tantas mulheres de hoje parecem infelizes? Nas várias vezes em que me questionam isto, eu opino que talvez elas não tenham encontrado respostas adequadas para a pergunta "O que as mulheres querem?" e para outra pergunta mais importante ainda: "De que as mulheres precisam?".

Eu considero que a resposta vívida e fulgurante para estas perguntas está em Maria, Virgem e Mãe. Esta sugestão teria sido corriqueira algumas gerações atrás, mas hoje é problemática até mesmo dentro alguns círculos católicos, além de vastamente desprezada por grandes segmentos do feminismo laicista. Aliás, chega a ser surpreendente que haja paralelos entre a desconfiança católica a respeito de Maria e a pura e simples rejeição dela por grande parte das feministas laicas.

O principal ponto de discórdia são os títulos tradicionais de Maria como Virgem e Mãe.

A virgindade, como virtude louvável e mesmo como ideal, enfrenta tempos difíceis, inclusive em ambientes autoidentificados como "católicos". Por quê? Sejamos francos: no mundo ocidental contemporâneo, todos nós fomos submersos, ao longo dos últimos cinquenta anos, na cultura do “todo mundo faz” (em referência, neste caso, ao sexo fora do casamento). Assim, dizer que Maria, como Virgem, é um modelo sublime para restaurar a felicidade que Deus quer para as mulheres é algo difícil de vender nestes círculos. Mas não é impossível.

Faz alguns anos, Sarah Hinlicky escreveu um ensaio fascinante e sábio intitulado "Virgindade subversiva" (algum tempo depois, ela ainda escreveria outro belo ensaio sobre a virgindade masculina). Em seu texto, ela resume a visão do feminismo laicista sobre a sexualidade, uma perspectiva que tomou conta também de alguns indivíduos e comunidades autodenominados católicos:

De acordo com a herança da visão feminista, a sexualidade deve ser entendida mediante os conceitos-irmãos de “poder” e “escolha”. Não é uma questão banalmente biológica de gerar filhos, nem uma noção mais elevada de criar intimidade e confiança. Às vezes, parece que o sexo não precisa sequer ser prazeroso. O objetivo da sexualidade feminina seria afirmar seu poder sobre os homens infelizes, para fins de controle, vingança, prazer egocêntrico ou imposição de um compromisso. A mulher que deixa de se expressar na sua atividade sexual se tornaria vítima de uma sociedade machista, que pretenderia, por sua vez, impedir as mulheres de se tornarem poderosas. Por outro lado, dizem ainda as feministas laicas, a mulher que se torna sexualmente ativa descobre o seu poder sobre os homens e, supostamente, o exerce para a sua valorização pessoal.


Dito de outra forma, a expressão sexual feminina seria um ato de poder pessoal e político. A virgindade, segundo esse ponto de vista, seria um fracasso irresponsável no exercício desse poder. A resposta de Hinlicky para esta afirmação é incisiva: 

Ninguém pode reivindicar o controle sobre uma virgem. A virgindade não é uma questão de demonstrar poder a fim de manipular. É uma recusa a explorar e ser explorada. Isto é que é poder real e responsável. Há um apelo inegável na virgindade, algo que escapa ao depreciativo rótulo de "hipócrita" imposto pelo feminismo ressentido. Uma mulher virgem é um objeto de desejo inatingível e é precisamente essa inatingibilidade que aumenta a sua desejabilidade. O feminismo contou uma mentira em defesa da sua própria promiscuidade, ou seja, a de que não há poder sexual na virgindade. Pelo contrário: a sexualidade virgem tem um poder extraordinário e incomum. Não há o que adivinhar nos motivos de uma virgem: a sua força vem de uma fonte que está além dos seus caprichos transitórios. É sexualidade dedicada à esperança, ao futuro, ao amor marital, aos filhos e a Deus. Sua virgindade é, ao mesmo tempo, uma declaração da sua madura independência dos homens. Ela permite que uma mulher se torne uma pessoa inteira em seu próprio direito, sem precisar de um homem contra quem se revoltar ou que complete o que lhe falta. É realmente muito simples: não importa o quanto ele é maravilhoso, charmoso, bonito, inteligente, atencioso, rico ou persuasivo; ele simplesmente não pode tê-la. A virgem é perfeitamente impossuível.

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