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Por que a Virgem Maria enfurece as feministas?

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Robert McTeigue, SJ - publicado em 12/02/15



Hinlicky deixa claro que a virgem não é uma tola de ninguém, não é um brinquedo de ninguém e não é uma posse de ninguém. Ela está segura na sua identidade e integridade. Acima de tudo, ela tem o poder genuíno e a liberdade indiscutível de declarar "sim" ou "não". Maria Virgem é o exemplo dessa liberdade. Seu "sim" ao convite divino, seu "faça-se" ao chamado do Espírito Santo, é a ilustração mais sublime e mais viva da liberdade da virgem. O “sim” dela é livre, poderoso e incomensurável.

Uma liberdade dessas para responder ao chamado de Deus é incomparavelmente maior do que o salto impensado para dentro da onda do "todo mundo faz". O "sim" dito ao anjo Gabriel pela Virgem Maria é o modelo da liberdade interior necessária para dar um “sim” completo e genuíno à Divina Providência. O “sim” a Deus, que só pode fluir dessa liberdade interior, característica da Virgem que é dona de si, é um elemento essencial na restauração da felicidade que Deus quer para as mulheres. A liberdade virginal de Maria, a sua independência de caprichos e tendências, lhe permitiu tornar-se fecunda de maneira única como a Mãe.

A maternidade, aliás, é outro tesouro difícil de vender em nossos dias, como nos lembra Jonathan Last em seu perturbador livro “What to Expect When No One’s Expecting” [“O que esperar quando ninguém espera”]. Na maioria dos ambientes que se dizem católicos, não se ouvem menções à "paternidade/maternidade generosa" ou "heroica". Na maioria dos programas diocesanos de preparação matrimonial que eu conheço, há pouca ou nenhuma discussão sobre as "graves razões" que justificam o espaçamento entre o nascimento dos filhos ou a decisão de não ter mais nenhum, por meio do planejamento familiar natural. Muitas pesquisas têm indicado que os autodenominados católicos utilizam a contracepção e o aborto tanto quanto os não católicos. A fertilidade em geral, e a feminina em particular, é tratada como uma espécie de doença, ou, pelo menos, como uma condição lamentável a ser evitada e, não raro, até “eliminada” definitivamente.

Isso não deveria nos surpreender. Uma cultura que não valoriza a liberdade interior da virgindade não tem grandes probabilidades de honrar a generosidade pródiga que é necessária para a maternidade fecunda. Ao rejeitar tanto a virgindade quanto a maternidade, a cultura pseudocatólica e a cultura laicista rejeitam o carisma profundo e vívido da mulher, que é a capacidade da autodoação, o gênio feminino do "dom de si" que São João Paulo II exaltou em sua encíclica “Mulieris Dignitatem”. Quando se rejeita Maria como o ícone da Virgem e como o ícone da Mãe, será que é mesmo de admirar que a nossa cultura esteja tão cheia de mulheres infelizes?

E o que pode ser feito?

John Senior, em sua sublime obra “The Restoration of Christian Culture” [“A restauração da cultura cristã”], diz que temos de reaprender com a Virgem Mãe “a linguagem do amor”. É uma linguagem arraigada na liberdade da Virgem, que chega à expressão mais completa na fecundidade da Mãe. Sua primeira articulação é o “faça-se” de Maria à sua identidade feminina dada por Deus. Como é que nós, católicos, podemos recolocar no centro a sabedoria de Deus revelada através de Maria, a mais abençoada entre as mulheres? Uma resposta detalhada a essa pergunta seria longa, mas eu acho que podemos identificar com segurança alguns pontos de partida.

O Evangelho de Lucas, 2,19, retrata Maria "meditando sobre todas essas coisas no seu coração". Bem faríamos nós em meditar como ela meditou e sobre aquilo que ela meditou, renovando o nosso compromisso com o rosário. Também seria bom revermos as grandes obras de arte marianas, especialmente as pinturas dos mestres medievais e renascentistas, assim como os ícones da Igreja bizantina, transformando essa contemplação em oração. Por fim, seria muito sábio de nossa parte reimergir nas reflexões teológicas da Igreja sobre Maria, para chegarmos a amá-la do jeito que a Igreja sempre a amou.

A vocação do homem é amar do jeito que Deus ama, como explica Santo Inácio de Loyola em sua famosa "Contemplatio". A infelicidade humana é apenas um sintoma do fracasso humano em amar. O gênio feminino da autodoação, tantas vezes elogiado por São João Paulo II, encontra a sua expressão perfeita em Maria, que é Virgem-e-Mãe, a mais livre e a mais fecunda de todas as mulheres. A restauração da felicidade destinada por Deus às mulheres só pode ser encontrada na imitação de Maria.

Perseveremos em oração uns pelos outros.

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feminismoIdeologialiberdadeMariaMaternidadeMulher
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