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O Papa Francisco e a Humanae Vitae

© Antoine Mekary / Aleteia

Miguel Cuartero Samperi - publicado em 18/02/15

Francisco mostra a sua vontade de conservar o ensinamento da Humanae Vitae como uma palavra válida para a Igreja e para os cristãos de hoje

O Papa Francisco confirmou de modo claro a importância, para a família cristã, do documento Humanae Vitae do Papa Paulo VI. Isto foi feito durante a sua viagem em Filipinas, no discurso pronunciado no encontro com as famílias no Mall Of Asia Arenade Manila.

Publicada em 25 de julho de 1968, no auge da assim chamada “revolução sexual”, a carta encíclica escrita pelo Papa Montini a propósito da vida humana e da regulação da natalidade provocou, ao interno da Igreja Católica, reações contrastantes recebendo desde o primeiro momento muitas críticas e contestações da parte de expertos, teólogos, bispos individualmente e conferências episcopais inteiras. O documento não tem um appeal  popular, a sua mensagem não é imediatamente atraente nem fácil de colocar em prática, mas descreve a alta vocação da família e da paternidade e maternidade responsável. É por este motivo que, ainda hoje, está ao centro de grandes polêmicas e é considerado um dos textos magisteriais mais discutidos das últimas décadas.

Por um lado, há quem considera a Humanae Vitae um ato de força, solitário e teimoso, do Papa Paulo VI que decidiu contra o parecer da comissão de expertos por ele mesmo instituída. Estes criticam a excessiva dureza e severidade a respeito dos cônjuges cristãos no vetar os “métodos artificiais” de controle de natalidade. Entre aqueles que contestaram a Humanae Vitae se elevou também a influente voz do Card. Martini que nunca escondeu as suas posições vanguardistas em matéria de moral sexual. No seu livro-entrevista “Diálogos noturnos em Jerusalém”, o cardeal definiu o documento papal “um grave dano” que provocou o afastamento de muitas pessoas da Igreja. Assim o ensinamento moral de Paulo VI vem considerado, em muitos ambientes eclesiásticos, retrógrado, superado e distante da mentalidade e dos problemas hodiernos dos cônjuges cristãos.

Por outro lado, estão aqueles que – fiéis ao magistério de Paulo VI – sublinharam a beleza, a dimensão profética  e a importância fundamental da Humanae Vitae para a situação atual das famílias. Primeiro entre todos, São João Paulo II que dedicou muitos estudos e catequeses àquilo que se conhece como “teologia do corpo” (sintetizada  em modo claro e preciso no livro “A sexualidade segundo João Paulo II” do jornalista francês Yves Semen). Em nenhum momento e sob nenhum aspecto o magistério do Papa polonês se afastou das indicações de Paulo VI. Do mesmo modo Bento XVI – nos quarenta anos da publicação do documento – indicou que “aquele ensinamento não somente manifesta imutável a sua verdade, mas revela também a clarividência com a qual o problema vem enfrentado”.

Ora, também o Papa Francisco mostra a sua vontade de conservar o ensinamento da Humanae Vitae como uma palavra válida para a Igreja e para os cristãos de hoje. No encontro com as famílias filipinas, falando das “colonizações ideológicas que buscam destruir a família”, o Papa convidou a não perder de vista “a missão da família” e a “dizer não a qualquer colonização política” com perspicácia, habilidade e força. Entre os grandes desafios que a família é chamada a enfrentar, o Papa citou os desastres naturais, a pobreza e a emigração: problemas que afligem de modo particular as Filipinas e os países vizinhos. Mas, ao mesmo tempo, o “materialismo” e “estilos de vida que anulam a vida familiar e as mais fundamentais exigências da moral cristã” são o fruto de uma verdadeira e própria “colonização ideológica” que se lança contra a instituição familiar. A “falta de abertura à vida” é um dos males dos quais sofre a família que segue as sirenes do relativismo e da “cultura do efêmero”. O fechamento à vida torna-se, pois, um câncer ao interno da sociedade que envelhece e morre, já que – prossegue o pontífice – “cada ameaça à família é uma ameaça à sociedade mesma”.

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AbortoPapa FranciscoVida
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