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Professor reforma ponto de ônibus por conta própria

O professor Ahmed Atia El Dash transformou em uma sala de espera o ponto de ônibus instalado na esquina entre a Avenida Luiz de Tella e a Rua Desembargador Antão de Moraes, na Cidade Universitária, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas.

De origem árabe, ele mora e mantém uma consultoria em Barão e resolveu melhorar as condições do espaço público instalando uma pia com um filtro e copos plásticos, um revisteiro com exemplares de revistas de informação, uma lixeira e um mural com o jornal do dia.

“Isso foi feito para que as mulheres e domésticas que ficam aqui todos os dias tenham um certo conforto. A mulherada está adorando”, contou o pedreiro José Carlos Carvalho, contratado de Ahmed, que está dando os últimos retoques à obra.

O que antes era um ponto de ônibus cheio de lixo e mal cuidado, virou uma espécie de varanda agradável. “Antes as pessoas jogavam lixo e até animais mortos, a gente tentava limpar e não adiantava. Aí entendi que era melhor mudar o ambiente. Mudei o piso, flores, gramas, coloquei o jornal para ler nos tempos de espera e as pessoas não estão destruindo nada. Mudando o ambiente, a gente muda o comportamento da pessoa”, disse o professor, especialista em tecnologia de alimentos.

Além de refazer a calçada onde está instalado o ponto, o professor plantou grama, flores e outras plantas. Mandou fazer uma pintura e instalou azulejos na parede. Fez as instalações hidráulicas no muro da casa que está construindo em frente ao ponto de ônibus. A estrutura de concreto e os bancos do ponto receberam uma pintura com tinta óleo. “Ainda não terminou. Vamos pintar o chão ainda. Vai ficar ainda mais lindo”, contou Carvalho. O pedreiro disse sentir orgulho da atitude do patrão.

Em um dos pilares de sustentação da estrutura, Ahmed colocou um quadro com a seguinte frase: “O Brasil é um presente para todos nós, sem igual na face da Terra. Vamos cuidar bem dele”.

A pesquisadora da Unicamp Dolores Assari usa com frequência o espaço e elogiou a iniciativa e diz que o poder público poderia adotar a prática. “Quem sabe assim as pessoas se sentiriam mais incentivadas a andar de ônibus.” Segundo ele, antes da reforma o local era mal iluminado e abandonado. “Era muito lixo, foi uma grata surpresa encontrar o ponto assim”, disse. Quem também comemora a iniciativa é a diarista Magali Silva. “Adorei a atitude desse professor. Acho que as pessoas poderiam se preocupar mais com as outras.”

No mural, dois dos usuários agradeceram a iniciativa com um carinhoso bilhete. “Não tem quem não tenha gostado da ideia. Agora é torcer para que o lugar não seja alvo de vândalos”, contou o pedreiro Gentil Ferreira .

“É uma coisa que pertence a todos nos e todos podemos cuidar. As pessoas estão elogiando e até colocando revistas para os outros lerem”, disse Ahmed.

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