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Gre-Nal da Paz: avanço histórico rumo à civilidade num Brasil que mata mais do que a guerra na Síria

Globo Esporte

Aleteia Brasil - publicado em 02/03/15

Torcedores rivais compartilharam o mesmo espaço e mostraram que a violência não é um destino, mas uma escolha

Segundo a última edição do Anuário de Segurança Pública (2014), a violência no Brasil exterminou 53.646 pessoas em 2013.

Estes números se referem apenas aos brasileiros assassinados, não incluindo as vítimas de outras formas de violência, como a “guerra do trânsito”, nem as pessoas levadas ao suicídio pelo desespero. Estes casos dobrariam a quantidade de mortes violentas: em 2012, por exemplo, houve 56.337 homicídios, 46.051 acidentes fatais envolvendo os meios de transporte e 10.321 suicídios, totalizando 112.709 brasileiros vitimados pelas diversas formas de violência.

Como comparação, a sangrenta guerra civil na Síria matou 210.000 pessoas em 4 anos (2011 a 2014), ou 52.500 por ano. É um número certamente assombroso, mas inferior à média anual de assassinatos no Brasil, que, oficialmente, é um país "em paz" e, folcloricamente, um “país cordial”.

Outra comparação chocante: com 203 milhões de habitantes e 5.570 municípios, a média populacional por cidade no Brasil seria de 36.445 moradores. Só os homicídios varrem do mapa brasileiro nada menos que um município e meio a cada 12 meses. Ao incluirmos as demais mortes violentas, temos três cidades exterminadas por ano.

Estes números aterradores se manifestam em todos os âmbitos da vida nacional, desde os "menos surpreendentes", como as disputas entre facções do crime organizado, até os ambientes que deveriam ser sinônimo de segurança, proteção e paz, como o lar.

Um ingrediente nada ignorável da violência brasileira são os arroubos passionais, frequentemente motivados por discordâncias de pontos de vista ou de mera preferência pessoal, o que abrange desde as agressões entre militantes de ideologias diferentes até as brigas entre torcidas de times de futebol.

UM PASSO CONCRETO RUMO À MUDANÇA DE MENTALIDADE

Neste contexto de descontrole emocional capaz de provocar selvagerias, uma iniciativa em prol da paz chamou a atenção do país neste fim de semana: o Gre-Nal da Paz, realizado em Porto Alegre.

A rivalidade histórica entre os clubes gaúchos Internacional e Grêmio é costumeiramente apontada como a mais acirrada do Brasil, por literalmente dividir o Rio Grande do Sul em duas metades adversárias.

Para o clássico deste domingo, porém, as diretorias dos dois clubes, o Ministério Público e a Brigada Militar apostaram numa ousada quebra de paradigma: o jogo no Estádio Beira-Rio, do Internacional, contou com uma área de torcida mista, juntando mil colorados e mil gremistas num mesmo espaço de "rivalidade civilizada" e caracterizada pelo sadio espírito esportivo. Junto com a novidade, foi também retomado o "Caminho do Gol", um trajeto a pé entre o centro de Porto Alegre e o Beira-Rio, com torcedores dos dois times rivais caminhando lado a lado rumo ao local do evento esportivo. A iniciativa já tinha feito sucesso durante a Copa do Mundo de 2014 e arrancado elogios inclusive dos turistas estrangeiros.

Neste Gre-Nal da Paz, cada torcedor colorado pôde convidar um torcedor gremista para assistir à partida ao seu lado. A dupla de torcedores precisaria chegar junta ao estádio e passar por uma triagem, apresentando o ingresso adquirido pelo sócio do Inter. 

Alexandre Limeira, diretor de administração do Internacional, declarou: "Queremos mudar o perfil. Não são os vândalos e os brigões que estarão no estádio, e sim as pessoas que entendem que um rival não é inimigo. Não é quantidade: vamos melhorar a qualidade do torcedor que frequentará o estádio. Eles não querem brigar e criar confusão. É um perfil que estava fora do estádio. Eles não podiam conviver com um familiar, um amigo, só pelo fato de torcer para outro time. A minoria que brigava estava ditando o ritmo.

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EsportePaz
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