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As mulheres estão sendo medicadas para ser… menos mulheres?

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Uma psiquiatra e uma polêmica: feminismo, remédios e danos contra a biologia feminina

Medicando os sentimentos das mulheres”: este era o título do artigo mais compartilhado por e-mail, no último fim de semana, pelos leitores do site do “New York Times” (original em inglês).

A autora do artigo, Julie Holland, é uma psiquiatra preocupada com o “boom” de cidadãos norte-americanos que estão tomando medicamentos psiquiátricos; em particular, mulheres. Julie calcula que pelo menos uma em cada quatro mulheres anda tomando esse tipo de medicação, diante de um em cada sete homens.
 
Este quadro é "insano", considera ela. E eu tive que concordar. Mas o que realmente me surpreendeu no artigo foram outras considerações feitas por ela:
 
“O humor das mulheres oscila naturalmente. Pelo nosso design evolutivo, somos equipadas para ser sensível aos nossos ambientes, empáticas com as necessidades dos nossos filhos e intuitivas quanto às intenções dos nossos parceiros. Isto é fundamental para a nossa sobrevivência e para a da nossa prole”.

Como é que é? Somos regidas pelas nossas emoções, mais do que pela razão? Design evolutivo? Equipadas? Ué, mas não deveríamos acreditar, hoje, que o comportamento é todo fruto de condicionamentos sociais, que o corpo tem muito pouco a ver com o que somos e que é hora de dar às mulheres mais direito à sua cabeça e aos homens mais direito ao seu coração?
 
Pode ser que 90% daqueles e-mails disparados pelos leitores do “New York Times” tenham sido enviados por feministas e professores da teoria de gênero bufando de raiva com as implicações biológicas da afirmação de Julie Holland.
 
“Algumas pesquisas sugerem que as mulheres têm frequentemente mais facilidade do que os homens para expor os seus sentimentos porque o desenvolvimento do cérebro feminino reserva mais capacidade para a linguagem, a memória, a escuta e a observação das emoções dos outros”.

Como? Mas e todos os cérebros femininos que estão se destacando cada vez mais na análise do mercado de ações e na manipulação de genes? E o ponto de vista cada vez mais difundido de que a espécie humana não é só macho e fêmea, e sim todo um espectro de gêneros cuja beleza e diversidade estamos agora começando a enxergar?
 
Se bem que, por outro lado, talvez houvesse centenas de mulheres “comuns” encaminhando o artigo por e-mail para as amigas e dizendo: "Olha só, isso aqui bem que faz sentido, né?".
 
Holland até acena com um lencinho branco da paz para os teóricos do gênero ao dizer que "não pretende polemizar com tipo algum de ideologia pró ou antifeminista", mas, ao mesmo tempo, se mantém firme em apresentar as suas “armas” biológicas. Provavelmente, porque ela é uma profissional da saúde e realmente lida com mulheres concretas, de carne e osso, que estão angustiadas de uma forma ou de outra e a quem ela quer ajudar na prática, em vez de se dedicar a virar a sociedade de cabeça para baixo.
 
O que vem incomodando Julie Holland é a maneira como as empresas farmacêuticas e alguns médicos estão explorando os naturais altos e baixos dos sentimentos das mulheres e tentando convencê-las (ou conseguindo convencê-las), através de uma publicidade implacável, de que as oscilações femininas de humor são patológicas e precisam de medicação. Uma horda de mulheres em busca de receitas de antidepressivos e antipsicóticos está criando o "novo normal".
 
No entanto, diz a psiquiatra, "esse ‘novo normal’ está em desacordo com a biologia dinâmica das mulheres; o cérebro e a química do corpo precisam fluir". O ciclo menstrual e seus efeitos sobre os hormônios têm uma razão natural de ser. Se as mulheres se sentem irritadiças, insatisfeitas e até choram sob a pressão da casa e do trabalho, esse

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