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As mulheres estão sendo medicadas para ser… menos mulheres?

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Carolyn Moynihan - publicado em 06/03/15



fluxo natural serve para alertá-las de que as coisas precisam de mudança, incluindo, por exemplo, um sono de melhor qualidade e mais exercícios ao ar livre.

O consumo de medicamentos (é cada vez mais comum consumir os que regulam a serotonina, que é o ingrediente químico do cérebro responsável pela sensação de “tudo beleza”) implica o risco de ir entorpecendo o paciente, física e emocionalmente. Algumas mulheres percebem que ficam menos interessadas em sexo; outras relatam que sentem menos irritação, menos tristeza, menos raiva e menos preocupação, mas também sentem menos empatia, menor criatividade e menos inclinação a deixar os seus sentimentos se manifestarem.

Quando os níveis de serotonina são mantidos constante e artificialmente elevados nas mulheres, elas correm o risco de perder a sensibilidade emocional, com todas as suas flutuações naturais, e de acabar moldando um equilíbrio hormonal mais estático, mais comum ao sexo masculino. Esse embotamento emocional incentiva as mulheres a adotar comportamentos normalmente aprovados pelos homens: parecer invulneráveis, por exemplo, o que até pode ajudar as mulheres a ascender mais rápido em ambientes de negócios dominados pelos homens.

Em tudo isso, o que eu achei mais interessante é a hipótese de Holland de que a biologia humana tenha um sentido ético: se alguém se sente mal física ou mentalmente, é porque o corpo está lhe dizendo alguma coisa que é melhor ouvir e talvez mudar, em vez de só apelar para o Prozac e continuar igual a antes. Esta visão das coisas contrasta com a atual tendência de tratar o corpo como um volume de matéria ligado à mente e remodelável ao nosso bel-prazer, a fim de se adequar aos nossos desejos ou às exigências que a sociedade materialista nos impõe.

Se as mulheres estão hoje se medicando contra a depressão e a ansiedade duas vezes mais do que os homens é porque, ao longo dos últimos 50 anos, elas sofreram mais os efeitos de impor ao seu corpo um comportamento biologicamente masculinizado. Não nos esqueçamos de que, antes de medicar os sentimentos das mulheres, a indústria farmacêutica já tinha se concentrado, com grande empenho, em medicar a sua química reprodutiva. E, talvez, pela mesma razão: por exemplo, para impedir que o funcionamento natural do corpo feminino atrapalhasse os seus objetivos econômicos e políticos.

Em prol de um mundo com menos gente e, portanto, com mais sobras financeiras para consumir cada vez mais frivolidades materiais que nunca satisfazem os anseios humanos de amor correspondido e de sentido de vida, os anticoncepcionais foram o centro de um bombardeio propagandístico obedientemente engolido pelas mulheres. Agora, as mulheres estão engolindo um bombardeio de pílulas que as molda emocionalmente a um mundo consumista e focado em trabalho, carreira, status e ter.

Holland insiste:

“A emotividade das mulheres é um sinal de saúde, não de doença; é uma fonte de energia, não de fraqueza. Mas nós vivemos sob constante pressão para conter o nosso emocional. Somos doutrinadas a pedir desculpas pelas nossas lágrimas, a sufocar a nossa raiva e a ter medo de ser chamadas de histéricas”.

Poderíamos dizer exatamente o mesmo sobre o objetivo biológico da natural emotividade feminina:

“A fertilidade das mulheres é um sinal de saúde, não de doença; uma fonte de energia, não de fraqueza. Mas nós vivemos sob constante pressão para contê-lo. Somos doutrinadas a pedir desculpas por ficar grávidas, a sufocar a nossa raiva e a ter medo de ser traídas pela nossa própria evolução natural (como de fato somos, e cada vez mais)”. 
Isso também, para usar o mesmo termo de Julie Holland, é “insano”.

Se pelo menos a maioria dos psiquiatras reconhecesse este fato, estaríamos mais bem encaminhadas para resolver a epidemia do sofrimento psíquico feminino, em vez de tentar driblá-lo com paliativos que geram bilhões de dólares (para bolsos que não são os nossos).
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Tags:
feminismoMulherPsicologiasentimentos
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