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Todo dia é dia mundial da mulher! Mas… de qual mulher?

© Christopher Michel
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O diálogo civilizado entre o mundo laico e o catolicismo não é só possível, mas urgente

Afinal, por que tanta discordância?

É bem provável que não haja muita gente assinando a revista Capricho para se informar sobre os campeonatos estaduais de futebol. Nem muita gente acessando o site da revista Quatro Rodas para se informar sobre as últimas tendências da moda em Milão. No entanto, não é pequena a quantidade de pessoas que “se informam” sobre a doutrina católica na Folha de S.Paulo, nas revistas Marie Claire e Superinteressante, nas aulas de sociologia do professor Fidelênin ou no YouTube da pastora Valdirene. São fontes a se considerar, é claro, mas talvez não sejam, necessariamente, as fontes mais isentas

Em datas como o Dia Internacional da Mulher, é comum que “especialistas em estudos femininos” atribuam à doutrina católica um modelo de mulher submissa, passiva, inferior ao homem em tudo, menos em habilidades como servir a ele o jantar e perguntar-lhe se deseja mais alguma coisa. Mesmo entre uma relevante parcela dos próprios católicos, por acomodamento ou por não terem contado com expositores claros da doutrina objetiva da Igreja, não se conhece a genuína visão católica sobre a mulher (ou sobre o homem, a família e o que quer que seja).

Assim, quando há “embates argumentativos” entre esse tipo de laico e esse tipo de católico, baseados em noções truncadas e parciais de uns sobre os outros, o diálogo civilizado parece impossível. Mas o diálogo é não apenas possível: é urgente.

Como a Igreja REALMENTE vê a mulher?

– Falando em nome da Igreja, o papa Francisco enfatiza com frequência a importância da mulher no catolicismo, desde lembrar que Maria é mais importante que os próprios apóstolos até contextualizar visões culturais hoje superadas, a fim de incentivar o respeito igual entre os sexos. Francisco também nos convida a superar o clericalismo entre os próprios leigos, em especial entre as mulheres, que, erroneamente, se consideram a parte passiva e sem voz dentro da Igreja.

– Na mesma linha, o papa Francisco critica abertamente a sociedade machista e sua visão diminuidora da mulher, dentro e fora da Igreja. Mas atenção: ele também critica com clareza as versões extremistas e sectárias do feminismo. A Igreja afirma a necessidade da verdadeira autonomia das mulheres, mas não concorda com posturas radicais que fragmentam a pessoa humana, nem vê avanço algum nas facções intolerantes do feminismo, que atacam e agridem quem pensa diferente.

– Mulher e homem, para o cristianismo, são idênticos em dignidade, mas não são mutuamente substituíveis. Homem e mulher são complementares por natureza, já que, também por natureza, cada sexo tem as suas especificidades que enriquecem um ao outro.

– A visão católica da pessoa humana é integral: para ser plena e atingir a sua unidade, cada pessoa tem o desafio de harmonizar as suas dimensões física, psíquica, espiritual, cultural, política e econômica, além de abrir-se ao outro sexo, que a complementa. Por isso, a Igreja questiona os modelos fragmentadores e dissociativos da identidade e unidade pessoal, baseados em teorias que estão constantemente mudando e que, não raro, caem em contradição ou, pior ainda, provocam verdadeiras catástrofes.

– Entre os modelos que tendem à fragmentação humana, a Igreja discorda de toda ideologia que prega uma total e irreal autonomia de um sexo em relação ao outro. O tipo de feminismo radical que afirma que “A mulher precisa do homem tanto quanto um peixe precisa de uma bicicleta” é tão arrogante e prejudicial quanto o machismo que sentencia que “Homem não chora” ou que “Lugar de mulher é na cozinha”. A pretensão utópica da autonomia total reduz o outro a objeto, alimenta devaneios de superioridade e destrói sutilmente as relações, como admitiram esta mulher, ao refletir sobre os seus erros como esposa vitimista, e este homem, ao reconhecer que o amor sem reservas pela namorada o tornou um homem mais sadio, mais completo e mais feliz.

– A visão católica sobre o relacionamento de complementaridade e harmonia entre mulher e homem é acusada com frequência de ser fantasiosa e “castradora” por alguns setores do mundo laico. No entanto, a visão realista do catolicismo desmascara continuamente as frustrações amorosas alimentadas pela indústria da ficção, bem como as mentiras e a falta de caráter incentivadas por ideias laicas como o “amor livre” e descompromissado, que necessariamente coisifica o outro e impede o florescimento da confiança mútua. A Igreja desafia os casais a serem melhores do que isso, construindo relações maduras e sinceras, que resistam às atrações até naturais, mas capazes de machucar a muitos; que superem instintos comuns, mas capazes de traumatizar profundamente.

– Assim, a Igreja incentiva os casais a apreciarem e viverem a beleza e a plenitude do sexo e dos seus prazeres – mas não a qualquer custo. Ela propõe que se descubra um nível mais profundo de intimidade e prazer, não apenas físico, mas também psíquico e espiritual. As visões ideológicas que reduzem o sexo a “instrumento de empoderamento feminino” costumam levar a mulher ao vazio e à frustração, assim como a ideologia do homem dominador em relação à mulher costuma ser sintoma da mesma frustração e vazio nele.

– A complementaridade entre homens e mulheres vai além do sexo e se estende ao seu potencial como pais e mães, que têm qualidades educativas diferentes e mutuamente enriquecedoras, além de insubstituíveis para a formação plenamente saudável dos filhos. A falta de um dos genitores não é indiferente para uma criança. Neste sentido, a Igreja é uma das instâncias mais enfáticas em chamar os pais (homens) à sua responsabilidade, que, incoerentemente, algumas vertentes do feminismo procuram diminuir. O equilíbrio nas relações mulher-homem dentro da família é fundamental, segundo a Igreja, para formar filhos e filhas confiantes, respeitosos uns dos outros e capazes de superar de verdade os preconceitos machistas e femistas (o “femismo” é umas das radicalizações do feminismo).

– A parceria harmônica entre paternidade e maternidade não surge automaticamente, nem costuma ser beneficiada por ambientes onde o sexo é culturalmente dissociado da responsabilidade conjunta e da valorização madura de um parceiro pelo outro. O planejamento responsável da geração de filhos, incentivado pela Igreja, é reconhecido e elogiado pelas mulheres e homens que o adotam. E são eles mesmos que testemunham a sua eficácia.

– Quando propõe positivamente a abertura responsável e natural à vida, a Igreja não se posiciona “contra a liberdade feminina”, mas a favor do exercício consciente e consequente da liberdade tanto feminina quanto masculina. Além disso, ao se posicionar contra o uso de métodos artificiais de contracepção, a Igreja alerta para os riscos reais que eles representam para a saúde feminina: excessos em medicação desnecessária, medicamentos fortemente relacionados com câncer e com óbitos, efeitos colaterais graves e resultados mal explicados pela indústria farmacêutica.

– Ao contrário de acusações comuns, a Igreja não pretende controlar a consciência das pessoas. O papa Francisco reitera ao próprio clero que eles não devem fazer isso. Mais ainda: a Igreja denuncia corajosamente que existem segmentos do mundo laico dispostos a exercer exatamente o controle de que acusam a ela. Trata-se de segmentos que abrangem grupos civis e organizações militantes, mas também setores da própria ONU e governos de países tidos por livres, como a França e os EUA, que chegam a prender quem questiona a sua definição de “liberdade”.

– Os alertas da Igreja diante das ideologias falsamente libertárias são reforçados por personalidades laicas que sofrem censura ao discordarem de “dogmas intocáveis” do radicalismo feminista e da teoria de gênero, por exemplo. E não faltam mulheres que, depois de experimentar os piores lados do sectarismo feminista, redescobrem profundos valores femininos justamente na Igreja.

– O que o cristianismo propõe a mulheres e homens é o amadurecimento afetivo, a responsabilidade, a consciência e, justamente por isso, a autêntica liberdade e respeito pelo outro. Esta proposta desmascara, naturalmente, a falta de transparência em muitos discursos supostamente “pró-escolha”.

– Em sua proposta positiva de liberdade adulta e responsável, a Igreja chama a atenção para fatos reais que são tergiversados por teorias laicistas de suposta liberdade sem limites, mas que deixam marcas de dor tanto na mulher quanto no homem. Como exigir responsabilidades conjuntas se, ao mesmo tempo, se nega o direito de um dos parceiros a participar das decisões do casal? A participação do marido, aliás, pode ser decisiva para o final feliz até mesmo de casos brutais, como a gravidez decorrente de estupro.

– A proposta católica de paternidade e maternidade vai além do utilitarismo meramente econômico, por mais importante e óbvio que seja o planejamento financeiro para a geração de filhos. A proposta católica foca na celebração da vida, capaz de dar sentido e esperança às situações mais desesperadoras, em nome de um amor mais sublime, mais total, mais forte do que a morte. E mais forte do que a própria vida!

– A Igreja não pede o martírio. Ela entende que um aborto, às vezes, pode ser o mal inevitável decorrente da lícita e dolorosa escolha por privilegiar um bem maior. Mas ela também sabe das consequências de se banalizar o aborto e seus efeitos. Há gestos de coragem que valem muito a pena. Os filhos enxergam isto. Assim como sentem quando podia ter havido mais coragem…

– Na defesa da vida, a Igreja destaca soluções perfeitamente possíveis para que a vida triunfe. Mas são soluções que pedem generosidade e superação de egoísmos. No fundo, o mundo laico também enxerga a beleza da opção pela vida.

– A Igreja, enfim, não pede tanto assim nem das mulheres nem dos homens. É verdade que ela lança desafios que nem todos são chamados a aceitar, mas seus conselhos de virtude possível e suas recomendações de abertura à vida são naturais, responsáveis, amadurecedores e libertadores.

Num mundo que ainda comercializa mulheres, é preciso heroísmo para libertá-las.

Mas também é preciso diálogo, num mundo cheio de cartilhas para as mulheres, a fim de se entender que os aparentes inimigos podem ser, na verdade, os propositores de uma liberdade muito mais sublime.

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