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Unção dos Enfermos: um sacramento de vivos

Ruiizu Chan

Aleteia Vaticano - publicado em 08/04/15

Conheça o essencial sobre o mais incompreendido dos sacramentos

A Unção dos Enfermos é, provavelmente, o menos compreendido dos sacramentos. Eis o fundamental que um católico precisa saber a respeito desse dom de Deus para a Igreja:

– A Unção dos Enfermos é um sacramento, ou seja, um sinal sensível instituído por Jesus Cristo para nos dar a graça santificante e certas graças específicas, que são próprias de cada um dos sete sacramentos (Batismo, Confissão, Eucaristia, Confirmação, Matrimônio, Sacerdócio e Unção dos Enfermos). No caso da Unção dos Enfermos, essas graças específicas são a preparação da alma para o Céu, o perdão dos pecados veniais, das imperfeições e até dos pecados mortais, e, se Deus julgar oportuno para a salvação do enfermo, a graça da recuperação da saúde.

– “Pela sagrada Unção dos Enfermos e pela oração dos presbíteros, a Igreja toda entrega os doentes aos cuidados do Senhor sofredor e glorificado, para que os alivie e salve. Exorta os mesmos a que livremente se associem à paixão e à morte de Cristo e contribuam para o bem do povo de Deus” (Catecismo da Igreja Católica – CIC, nº 1499).

– A Unção dos Enfermos não é um sacramento apenas dos que estão no fim da vida. Ela pode ser recebida quando o fiel começa, por doença ou por velhice, a correr o risco de morrer (cf. CIC, nº 1514).

– Se um doente que recebeu a Unção dos Enfermos recuperar a saúde, ele pode, em caso de nova enfermidade grave, receber o sacramento novamente. O sacramento também pode ser repetido no decurso da mesma doença caso ela se agrave. É conveniente receber a Unção dos Enfermos antes de uma operação cirúrgica importante e nos casos de acentuação da fragilidade das pessoas de idade (cf. CIC, nº 1515).

– Só os bispos e presbíteros podem ministrar a Unção dos Enfermos e eles têm o dever de instruir os fiéis sobre os benefícios deste sacramento. Os fiéis devem encorajar os doentes a pedi-lo. Por sua vez, os doentes devem preparar-se para receber o sacramento com boas disposições. A comunidade eclesial é convidada a rodear os doentes com suas orações e atenções fraternas (cf. CIC, nº 1516).

– Ao administrar este sacramento, o ministro unge o doente na fronte e nas palmas das mãos. A prática vem da Igreja primitiva, quando os apóstolos, imitando Jesus Cristo, usavam os óleos e a imposição das mãos para pedir a Deus a cura dos doentes.

– Se possível, o doente deve confessar-se. É por esta razão que só o sacerdote pode administrar a Unção dos Enfermos.

– Uma pessoa comprovadamente morta não pode mais receber este sacramento, já que a Unção dos Enfermos não é um sacramento de mortos nem para pessoas que já não estão no pleno uso das suas faculdades. A Unção dos Enfermos é um sacramento de vivos, voltado a sanar a alma e, se possível, também o corpo do enfermo ou da pessoa prestes a morrer.

– A Igreja determina que se não administre este sacramento aos que "perseveram obstinadamente em pecado grave manifesto" (cf. Cânone 1007), porque é preciso respeitar a liberdade de escolha de cada alma.

– A Unção dos Enfermos é claramente mostrada na Bíblia, sendo prefigurada no Evangelho de Marcos: “Partindo, eles pregavam que todos se arrependessem. E expulsavam muitos demônios e curavam muitos enfermos, ungindo-os com óleo” (Mc 6,12-13). A Carta de São Tiago recomenda o sacramento e explica como ele deve ser ministrado: "Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o aliviará; e, se tiver cometido pecados, estes lhe serão perdoados" (Tg 5,14-15).

– Devido à iminência da morte, os sacramentos da Confissão e da Unção dos Enfermos também são oferecidos aos prisioneiros saudáveis sentenciados à pena capital nos países em que ela está em vigor.

O papa Francisco é insistentemente enfático em ressaltar a misericórdia de Deus Pai e em nos convidar a guardar sempre viva a esperança em Deus e na sua bondade infinita. O próprio Jesus Cristo é explícito a este respeito: "Há mais alegria no céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão" (Lc 15,7). Afinal de contas, esta é a mensagem do cristianismo: Deus é nosso Pai, nos ama infinitamente e está disposto a tudo para nos perdoar e nos dar a eterna felicidade ao seu lado. Ele só não quer nos obrigar a isso e respeita a nossa liberdade de aceitar o seu amor.

Tags:
Sacramentos
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