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Dilma enfrenta novos protestos contra a corrupção

<p>Uma enorme faixa pedindo o impeachment de Dilma Rousseff percorre a Avenida Paulista</p>

AFP - publicado em 13/04/15

Mais de 600 mil brasileiros indignados pelo megaescândalo de corrupção na Petrobras saíram às ruas neste domingo em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e outras cidades brasileiras para protestar contra o governo de Dilma Rousseff, embora o movimento não tenha superado em volume o do mês passado.

Ao menos 682.000 pessoas se manifestaram em 195 cidades do país, segundo polícia, enquanto que os organizadores calcularam em 1,5 milhão o número de manifestantes, segundo portal de notícias G1.

Em São Paulo, onde ocorreu o maior protesto do dia 15 de março, havia 275.000 nas ruas às 16h00, segundo a polícia. Os organizadores estimaram em 800.000 os manifestantes.

No mês passado, a polícia calculou, em todo país, dois milhões de manifestantes (sendo um milhão em São Paulo), uma cifra bem superior a deste domingo, mas o instituto Datafolha questionou esta cifra, calculando em 210 mil o número de manifestantes.

Indignação

"Queremos abrir espaço à indignação do povo brasileiro (…) Nosso foco é que Dilma deixe o poder através de um processo dentro da lei. Pode ser sua renúncia ou um impeachment, mas que saia. Foi eleita em outubro, mas agora o povo quer sua saída", declarou à AFP Janaina Lima, 30 anos, porta-voz do movimento Vem Pra Rua, falando do alto de um caminhão de som que avançava pela Avenida Paulista.

Em Brasília, cerca de 25.000 manifestantes marcharam em um clima festivo e familiar, em meio a vendedores ambulantes de bandeiras e comida. A multidão é praticamente a metade da passeata anterior, segundo informou à AFP a Polícia Militar, apesar de os organizadores assegurarem a presença de 50.000 pessoas.

No Rio de Janeiro, dez mil pessoas protestaram em frente à ensolarada praia de Copacabana, um terço menos que em março passado.

"Viemos por tudo o que está acontecendo no Brasil e por este governo que não está fazendo nada. O povo tem que mostrar persistência e manifestar sua indignação e sua insatisfação", declarou à AFP uma manifestante brasiliense, Dianira Loubet, instrutora de ioga de 75 anos.

Como no protesto anterior, a maioria veste a camiseta amarela da seleção brasileira e reclama o ‘impeachment’ da presidente, que começou seu segundo mandato há pouco mais de três meses.

Uma pesquisa do Datafolha mostrou no sábado que 63% dos mais de 2.800 consultados apoiam a abertura de um julgamento político da presidente em função do caso Petrobras, apesar de também uma maioria (64%) achar que, ainda nesse caso, Dilma não será afastada do poder.

"Fora Dilma", "Fora PT", "A culpa é das estrelas" e "Governo de corruptos" são alguns dos cartazes exibidos. Um pequeno grupo exige uma intervenção militar, como aconteceu em 15 de março.

O carioca Thomaz Albuquerque, de 38 anos, disse haver razões políticas e legais para pedir o impeachment de Dilma, apesar de especialistas dizerem o contrário.

"Ela era presidente do conselho de administração da Petrobras durante a pior etapa do ‘Petrolão’. Só isso já é suficiente", declarou.

Contendo a hemorragia

Oito em cada 10 brasileiros acreditam que Dilma estava a par da corrupção dentro da Petrobras, segundo o instituto de pesquisas Datafolha, apesar de a presidente negar com veemência.

"O que queremos é que todo o Brasil saia às ruas. Não estamos aqui para quebrar recordes", afirmou Rizzia Arreiro, de 35 anos, integrante do movimento "Vem Pra Rua", um dos grupos que convocaram a manifestação.

"O principal objetivo é conseguir a destituição de Dilma, ou sua renúncia", afirmou o analista político Fabio Ostermann, um dos líderes do "Movimento Brasil Livre" (MBL), que também organiza os protestos.

"Sua omissão em relação ao escândalo da Petrobras a coloca em uma situação de muita irresponsabilidade", acrescentou Ostermann, um gaúcho de 30 anos, em entrevista à AFP.

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