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Como explicar o mal às crianças?

<a href="http://www.shutterstock.com/it/pic.mhtml?id=219566668&amp;src=id" target="_blank" />Father and son</a> © izuboky / Shutterstock

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Família Cristã - publicado em 16/04/15

Uma leitura importante para os pais

Crimes, guerras, terrorismo e violência fazem parte do mundo que as crianças têm para descobrir. O confronto entre um mundo seguro e protetor e o mundo real pode traduzir-se em dúvidas e medos. E as questões começam a surgir em catadupa. Como podem os educadores responder às crianças? Como colocá-las perante o inevitável sem que isso as deixe paralisadas?

O Homem e o mundo são feitos de contrastes, entre bem e mal, certo e errado, paz e guerra, extremismo e tolerância, e, ainda que se tentasse, seria quase impossível tentar privar os mais novos desta dicotomia. Mas é isto o mesmo que dizer que os miúdos devem estar expostos a todas as violências?

Nos últimos meses, a História da humanidade tem-se construído também com atos particularmente difíceis de assimilar: pessoas assassinadas por uma opinião expressada, pessoas perseguidas pela religião que professam, meninas raptadas, maltratadas e mortas, cujo "crime" foi irem à escola, crianças, muitas crianças assassinadas e algumas utilizadas como bombas.

Nem sempre é fácil perceber onde fica a fronteira entre o contacto desejável com a realidade e a informação em excesso, entre o que é essencial e o que é "sensacionalista", entre o que é necessário e dispensável.

Essa gestão deve, em primeiro lugar, «ser feita pelos educadores», começa por dizer Bento Sério, psicólogo.
E há aspetos a ter em conta. A exposição à violência deve ter «alguns filtros». «Há coisas que nós podemos, se as crianças são muito pequeninas, ter cuidado… naquilo que se vai mostrar, naquilo que se vai dizer.»

O que não é o mesmo que dizer afastar a criança da realidade ou mantê-la numa «paz podre», continua o psicólogo. Até porque em algum momento a criança poderá ser confrontada com a violência, possivelmente sem o enquadramento desejável por parte de um adulto. «A paz que a ignorância traz pode ser rapidamente abalada quando a informação chega de forma inadequada», por exemplo, através de outras crianças e sem a devida contextualização.

A opinião é partilhada por Maria da Conceição Moita, educadora de infância que, numa entrevista por correio eletrónico, explicou que, consoante a fase de desenvolvimento da criança, poderá não fazer sentido expor as crianças a determinadas imagens. «Não faz sentido que vejam telejornais (e mesmo outros programas…) quando não têm capacidade de distanciamento crítico, quando ainda não têm possibilidade de entender o conteúdo da notícia e só veem imagens que lhes sugerem qualquer coisa que as perturba.»

A educadora entende também que, quando já conseguem compreender o que se lhes apresenta, os educadores devem acompanhar as crianças em matéria de violência. «Não só lhes dá segurança como pode ser uma ajuda fundamental no entendimento do que se está a ver/ouvir e na construção de um sentido crítico que não deixe as crianças "desamparadas" perante uma situação que pode ser para elas muito agressiva e chocante. Conheço famílias em que todos veem o telejornal em conjunto, o que propicia o comentário partilhado e emergência de perguntas. O abandono das crianças diante de um televisor é que me parece muito negativo», continua.

Nas explicações dadas pelos educadores, Bento Sério considera que há também outros fatores a que os adultos devem dar atenção, nomeadamente ao que a criança já sabe sobre o tema, «porque provavelmente ela já ouviu qualquer coisa e só quando nós perguntamos à criança o que é que ela sabe sobre isso é que nós ficamos a perceber qual o tipo de resposta que temos de lhes dar, sem ter de estar a dar demasiada informação e a contribuir para que ela se baralhe ainda mais quando se calhar ela apenas queria saber uma coisa simples».

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