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Merkel recorda em Dachau a libertação do campo da morte

<p>A chanceler alemã Angela Merkel presta homenagem às vítimas do campo de concentração nazista de Dachau, Alemanha, no dia 3 de maio de 2015</p>

AFP - publicado em 04/05/15

Diante dos últimos sobreviventes do campo nazista de Dachau (sul da Alemanha), a chanceler Angela Merkel pediu neste domingo que as pessoas "não voltem a fechar os olhos" para o antissemitismo, durante a emotiva cerimônia que recordou o 70º aniversário de libertação do campo.

"Temos o dever de não voltar nunca a fechar os olhos para os que insultam, ameaçam ou agridem aqueles que dizem ser judeus ou defendem Israel", declarou para centenas de sobreviventes, veteranos americanos e autoridades políticas reunidos no campo de Dachau, a 17 km de Munique.

Depois de citar a "grande honra" de conhecer os sobreviventes da barbárie nazista, Angela Merkel, nascida nove anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, insistiu que o judaísmo faz parte da identidade alemaã.

Esta é a primeira vez que Merkel participa em uma cerimônia em um campo de concentração durante os 12 meses de recordação do fim da barbárie nazista e, dada a avançada idade dos sobreviventes, será possivelmente um dos últimos encontros.

Ao chegar ao local, Merkel foi recebida pelo presidente do Conselho Central de Judeus da Alemanha, Josef Schuster.

Ao lado de um deportado francês de 94 anos, Clément Quentin, a chanceler depositou flores diante de um antigo crematório.

Sobreviventes, ex-combatentes e políticos percorreram a pé, debaixo de chuva, o caminho até a praça onde os prisioneiros submetidos a trabalhos forçados eram contados a cada dia.

A presença da chanceler e dos sobreviventes é "um símbolo de solidariedade", afirmou Schuster.

Com muitos ex-prisioneiros mortos, o representante judeu fez um apelo pela manutenção intacta da memória da Shoah.

"Com o tempo, a distância aumenta, a empatia diminui", disse.

Em um recado aos jovens, ele afirmou: "Vocês não têm a culpa, mas carregam a responsabilidade de não esquecer o horror dos campos".

"Quando os americanos libertaram o campo, senti como se voltasse a me sentir um ser humano", explicou outro sobrevivente francês, Jean Samuel, diante de centenas de convidados de todo o mundo.

"Os soldados não conseguiam acreditar no que viam quando encontraram os corpos nesta fábrica da morte. Eu tinha 21 anos, a guerra roubou minha juventude", completou.

Aberto inicialmente para receber os prisioneiros políticos, Dachau serviu de modelo de organização para os outros campos da morte, de Treblinka a Buchenwald.

Em 29 de abril de 1945, o campo foi libertado pelos americanos, que descreveram o horror da solução final.

As imagens de arquivo da época mostram os corpos amontoados e os sobreviventes atordoados, enfermos e tão magros que mal conseguiam ficar de pé.

– "Responsabilidade particular" –

No sábado, Angela Merkel insistiu na "responsabilidade particular" da Alemanha, 70 anos depois do fim do Holocausto, no qual seis milhões de judeus foram exterminados na pior tentativa de eliminação de um povo.

"Nós, os alemães, temos a responsabilidade particular, a de estar atentos, ser sensíveis e bem informados sobre isto e sobre o que fizemos sob o nazismo", disse na mensagem de vídeo semanal a chanceler, nascida em 1954, nove anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

Mas o "Nunca mais!" que a Alemanha prega desde 1945 significa também hoje "velar para que nossos ideais e nossos valores sejam realmente respeitados", declarou Merkel, que foi a primeira chefe de Governo do país a visitar Dachau, em agosto de 2013.

A presença de Angela Merkel no evento foi bem recebida pelos sobreviventes.

"É um sinal de amizade franco-alemã muito importante para a paz na Europa depois da Guerra", declarou à AFP Clément Quentin.

Nesta cidade da Baviera, no campo, aberto em 22 de março de 1933 – menos de dois meses depois da chegada de Hitler ao poder – foi instalada primeiro uma fábrica de munições, abandonada antes da construção de um grande complexo de edifícios a partir de 1937.

Mais de 206.000 prisioneiros procedentes de 30 países passaram pelo campo, incluindo o ex-primeiro-ministro francês Léon Blum, que era judeu. Mais de 41.000 foram assassinados ou morreram vítimas de esgotamento, fome, frio ou malária.

As recordações dos 70 anos de libertação dos campos de concentração começaram em 27 de janeiro em Auschwitz, na Polônia, ocupada pelos nazistas no período da guerra.

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