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Ajuda humanitária chega ao Iêmen, apesar de violação da trégua

<p>Rebeldes xiitas huthis são vistos em Sanaa, no dia 4 de fevereiro de 2015</p>

AFP - publicado em 14/05/15

A ajuda humanitária começou a chegar nesta quarta-feira ao Iêmen, horas depois da entrada em vigor de uma trégua humanitária entre a coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita e os rebeldes xiitas huthis, que segundo os sauditas já violaram o cessar-fogo.

"As milícias huthis violaram a trégua", denunciou a coalizão em um comunicado publicado pela agência de imprensa saudita SPA, que cita 12 infrações do cessar-fogo na fronteira entre Arábia Saudita e Iêmen.

Apesar das violações, a aliança militar confirmou "seu compromisso pleno com a trégua humanitária".

Horas antes, dois barcos fretados pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), que estavam atracados em Hodeida (sul), começaram a descarregar suas provisões em diferentes províncias do país, anunciou uma fonte portuária à AFP.

O Conselho de Segurança da ONU convocou todos os beligerantes a respeitar a trégua e "permitir a entrada e a entrega das ajudas necessárias para a população civil, incluindo a comida, os medicamentos e o combustível".

Em Sanaa, vários motoristas se dirigiam aos postos de combustível com a esperança de poder encher seus tanques, comprovou um correspondente da AFP.

O rei Salman da Arábia Saudita anunciou ter duplicado a 544 milhões de dólares a ajuda de seu país no Iêmen, onde abriu um centro de auxílio e ações humanitárias. Segundo Riad, o espaço, que leva o nome do monarca, pretende centralizar toda a ajuda para o país.

A população iemenita expressava seu alívio pelo cessar-fogo. "Sanaa viveu uma noite tranquila depois que cessaram as explosões dos mísseis antiaéreos e os bombardeios que assustavam a população", disse Tawfic Abdelwahab, um morador da capital, controlada pelos rebeldes.

A trégua humanitária entrou em vigor na terça-feira às 20h00 GMT (17h00 de Brasília) por iniciativa da Arábia Saudita, que lidera desde 26 de março uma campanha aérea contra os rebeldes que ameaçam tomar o controle do conjunto do Iêmen, fronteiriço com o reino.

Ao menos 1.578 pessoas morreram e 6.504 ficaram feridas desde o início dos bombardeios, segundo um balanço comunicado nesta quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde.

A coalizão árabe avisou os rebeldes de que retomará seus bombardeios se eles violarem o cessar-fogo e anunciou que seguirá com suas operações de "inteligência, reconhecimento e vigilância" no Iêmen.

Uma trégua prolongada?

Nesta quarta-feira ao amanhecer os rebeldes lançaram mísseis antiaéreos em Sanaa quando os aviões de reconhecimento da coalizão sobrevoaram brevemente a capital, segundo testemunhas, que acrescentaram que a calma havia retornado à cidade.

De acordo com a coalizão, na localidade de Daleh, no sul, os rebeldes realizaram disparos de artilharia e de foguetes em um combate que prossegue. Em Luder, também no sul, os huthis utilizaram armas pesadas para tentar ganhar terreno.

Vários habitantes e partidários do presidente no exílio, Abd Rabo Mansur Hadi, confirmaram breves confrontos nas províncias de Dhaleh e Taez, e em Mareb e Shabwa, a leste de Sanaa, pouco depois do cessar-fogo.

Durante a tarde foram registrados combates em Taez, onde ocorreram inclusive disparos de tanques, segundo autoridades locais.

As organizações humanitárias já avisaram que precisarão de mais de cinco dias para atender às necessidades de uma população cuja situação é catastrófica, segundo a ONU.

Teerã também tem a intenção de levar ajuda humanitária a um porto do Iêmen, e não a uma plataforma das Nações Unidas no Djibuti, como Washington havia pedido.

O conflito agravou a situação humanitária neste país, onde 12 milhões de pessoas precisam de alimentos, segundo a ONU.

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