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Milícias xiitas iraquianas seguem para Ramadi para combater EI

AFP - publicado em 19/05/15

O exército iraquiano tentava nesta segunda-feira preparar com as milícias xiitas um contra-ataque para recuperar das mãos do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) a cidade estratégica de Ramadi, cuja perda representou um duro revés para Bagdá.

Os veículos dos milicianos xiitas se dirigiam para a capital da província ocidental de Al Anbar, de maioria sunita, onde as forças governamentais conseguiram fazer frente a duras penas aos jihadistas.

A perda da cidade, 100 km a oeste de Bagdá, no domingo é a maior derrota militar do exército iraquiano desde o início da ofensiva, no começo do ano, para impedir o avanço dos jihadistas.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, o governo dos Estados Unidos e as autoridades religiosas sunitas da província de Al-Anbar, de onde Ramadi é a capital, expressam dúvidas sobre a presença na região de grupos xiitas apoiados pelo Irã, por medo de alienar a população majoritariamente sunita da região.

Mas os líderes das milícias xiitas afirmaram nesta segunda-feira que nos últimos dias tinha ficado evidente que o governo não pode prescindir das chamadas "Unidades Populares de Mobilização", compostas por milicianos e voluntários.

Hadi al Ameri, comandante da poderosa milícia xiita Badr, disse à emissora de televisão do grupo que considerava as autoridades "responsáveis pela queda de Ramadi por se opor à participação" das Unidades Populares de Mobilização e assegurou que deveriam ter aceitado antes sua oferta de ajuda.

Um porta-voz do Ketab Hezbollah, um importante grupo paramilitar xiita, afirmou que a organização já tem unidades preparadas para viajar até Ramadi, a partir de três localidades diferentes.

Bombardeios da coalizão

O grupo EI assegurou, em um comunicado, que tinha o controle total da cidade. A bandeira preta do grupo jihadista tremulava no centro de operações da província de Al Anbar.

Segundo as autoridades locais, 500 pessoas morreram nos três dias que durou o cerco e milhares fugiram da cidade.

Para o Pentágono, "se Ramadi caiu, isso significa apenas que a coalizão deverá apoiar as forças iraquianas durante a reconquista".

"Recuperaremos a cidade da mesma forma que estamos recuperando outras partes do Iraque: combinando as forças iraquianas em terra com ataques aéreos da coalizão" internacional liderada pelos Estados Unidos, disse um porta-voz do Pentágono.

A coalizão internacional anunciou ter lançado, nas últimas 48 horas, 15 ataques contra posições do EI na região de Ramadi.

A queda da cidade e a expansão do EI na província de Al Anbar representam uma ameaça crescente para Kerbala, cidade santa para os xiitas e berço da ruptura entre as duas correntes do Islã.

Mas se espera a iminente contra-ofensiva para evitar que o EI construa posições defensivas elaboradas.

O premiê Abadi ordenou "a instalação de novas linhas defensivas em Ramadi para reposicionar as tropas", informaram seus serviços após seu encontro, em Bagdá, com o ministro iraniano da Defesa, Hossein Dehghan.

Mas para os analistas, a tarefa será árdua na província de Al Anbar, controlada na maior parte pelos jihadistas.

Trata-se de "um berço da comunidade sunita, que não rechaçou completamente o EI", indicou o especialista Ayham Kamel, diretor do grupo Eurásia para o Oriente Médio.

"Não é que aprove o EI, mas pode temê-lo ou querer se proteger. Não vai fazer uma revolta contra o EI", acrescentou.

"O povo tem medo"

Na segunda-feira, o grupo extremista sunita difundiu um vídeo mostrando as comemorações da conquista de Ramadi em Mossul, a segunda cidade do país, tomada em junho de 2014 pelos jihadistas.

O EI, que conta com dezenas de milhares de homens em suas fileiras, ocupa amplas faixas do território do Iraque da Síria, onde proclamou um "califado".

No centro da Síria, um país em guerra há mais de quatro anos, o EI tomou dois campos de gás perto da cidade estratégica de Palmira, onde pelo menos cinco civis, incluindo duas crianças, foram mortos por morteiros, informou uma ONG.

No domingo, os jihadistas foram expulsos do norte da cidade pelo exército sírio e estão em sua periferia, a um quilômetros das famosas ruínas inscritas no patrimônio mundial da humanidade. Ali prosseguiam os combates entre as tropas do regime e o EI, que tenta tomar esta cidade de 2.000 anos na província de Homs, na fronteira com o Iraque.

Em Palmira, "todo mundo está trancado em casa", disse à AFP Khalil al Hariri, diretor do museu da cidade. "O povo tem medo de sair", acrescentou.

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