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O que está acontecendo com o momento da refeição?

© Daniel Schultz / CC

https://www.flickr.com/photos/dantom_schultz/6434174977

Pais, Filhos e Escola - publicado em 25/05/15

Uma leitura importante para os pais

Você já reparou o comportamento das crianças à mesa, na hora da refeição? Tenho pensado um pouco nisso ultimamente. Nos restaurantes, os adultos conversam e as crianças se divertem em seus tablets e smartphones. Há mesas com várias crianças, cada uma com seu aparelhinho… à mão. De repente, os adultos riem – provavelmente, alguém falou algo engraçado – mas as crianças permanecem concentradas nas suas telas. Num outro momento, uma criança ri ou fica brava – talvez tenha vencido ou perdido uma fase do jogo –, os adultos continuam conversando e as outras crianças, entretidas no seu mundo virtual. É como se estivessem em lugares diferentes, não sentados à mesma mesa, aguardando serem servidos. Impressionante!

Então, estas cenas, cada vez mais frequentes, têm me feito refletir sobre o comportamento infantil. Mais precisamente, sobre a ausência do adulto na orientação da criança. Sim, porque se alimentar com calma e atenção fazem bem à saúde, todos sabemos, e precisamos ensinar às crianças. Além disso, que convivência é essa que se restringe ao diálogo adulto – isso quando também não estão no celular – permitindo que a criança permaneça alheia ao que se passa à mesa?

Mas a tecnologia não é a única que minimiza a oportunidade do diálogo saudável e prazeroso nos momentos de refeição em família. No Brasil, os restaurantes sempre têm a área das crianças, os plays. Até as redes de fast food, onde, em tese, se deveria sentar e comer depressa, oferecem estes espaços. Repare: as famílias chegam, escolhem uma mesa, organizam bolsas, casacos e afins e, logo em seguida, as crianças correm para a área dos brinquedos. E lá permanecem! A comida chega, alguns pais exigem o retorno dos filhos à mesa, outros, nem isso, comem depois. O que está acontecendo com a educação, aquela que deve ser dada pela família, aquela que envolve valores, define padrões de comportamento, ensina como se comportar?

Nossas crianças já não sabem se comportar à mesa! Em casa, quando não estão com seus tablets e smartphones, comem em frente à televisão ou, se comem à mesa, assim que se sentem satisfeitas, simplesmente se levantam e vão fazer outra coisa – as mais educadas pedem licença. Ninguém espera a refeição acabar – e entendo por acabar quando tudo o que tinha para ser servido foi, desde a refeição em si, até a sobremesa ou o cafezinho.

Numa viagem à Europa, fui recebida por uma família para o almoço. Lá havia uma menininha de três anos que, na época, lutava contra um câncer – uma menina pequena e doente, então. Pois bem, sentamo-nos todos à mesa, o almoço foi servido, os adultos conversavam e a incluíam na conversa também – ela era a única criança na casa –, depois da refeição, a sobremesa e o café, e a menina lá, pequena e doente, conversando com todos. Estranhei a situação, por que fazê-la esperar para sair da mesa? Por que não deixa-la ir brincar em seu quarto? Muitos por quês – veja o que faz a ingenuidade do olhar. Depois entendi que ela ficava porque era tratada como igual, porque estava sendo educada. Porque existem regras de civilidade quando se vive em sociedade e se está à mesa. Porque o momento da alimentação é sagrado. Enfim, muitos porquês de resposta também.

Sim, somos brasileiros, americanos, diferente dos europeus. Concordo. Mas o que me assusta é a ausência do estranhamento. Nossas crianças querem brincar e brincam. Acham chato ficar conversando, então podem sair. Os pais querem se divertir com os demais adultos, por que manter crianças à mesa para ter que lhes dar atenção e falar sobre assuntos infantis também? Sinto, mas me parece ser mais fácil lhes entregar aparelhos tecnológicos ou escolher restaurantes com área de brinquedos para que se distraiam e não perturbem, porque criança entediada perturba, quer achar algo para fazer.

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Tags:
FilhosPaternidadeValores
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