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Como o catolicismo de Tolkien influenciou sua obra?

Film Review: ‘The Hobbit: The Desolation of Smaug’ – pt

Warner Bros

Drew Bowling - publicado em 05/06/15


Admitindo uma reconvenção imediata, os céticos deveriam admitir que sua fé não requer uma representação alegórica no romance. Os incrédulos poderiam argumentar que o seu catolicismo é, quando muito, incidental na Terra Média, um contexto pré-cristão predominantemente influenciado pelo mito nórdico e outras fontes pagãs. Tolkien responde a estes céticos com suas próprias palavras. Antes que “O Senhor dos Anéis” fosse publicado, escreveu uma carta ao seu amigo, o sacerdote Robert Murray, na qual lhe dizia: “’O Senhor dos Anéis’ é, certamente, uma obra fundamentalmente religiosa e católica, no começo inconscientemente, mas muito conscientemente em sua revisão. Esta é a razão pela qual não coloquei ou tirei praticamente todas as referências ao que pudesse parecer ‘religião’, cultos e práticas nesse mundo imaginário – para que o elemento religioso fosse absorvido na história e no simbolismo”.

Destacados católicos que ainda vivem escreveram sobre a religiosidade de Tolkien em sua obra, incluindo Stratford Caldecott, Joseph Pearce, Bradley Birzer, Peter Kreeft, Carol Abromaitis, David Mills e Richard Purtill. Sem dúvida, como afirmaram numerosos especialistas, Tolkien participou do renascimento católico na literatura inglesa, unindo-se a G.K. Chesterton, Hilaire Belloc, Evelyn Waugh, Graham Greene, Gerard Manley Hopkins, W.H. Auden e outras luzes da fé. Às vezes separados por décadas e quilômetros, em uma continuidade espiritual consciente ou inconsciente, eles utilizaram as palavras para fazer uma defesa polivalente do que consideravam ser a beleza, a bondade e a verdade, contra uma crescente cultura desumana e desarraigada.

No entanto, Tolkien não foi um pregador. Ao contrário do seu grande amigo C. S. Lewis – que se converteu ao cristianismo em parte porque Tolkien o convenceu de que a Bíblia era o único e verdadeiro mito –, ele desprezou a alegoria. Dizia que esta não aparecia em nenhum lugar de “O Senhor dos Anéis”.

Liderando os antes mencionados Inklings, Tolkien e Lewis compartilhavam o amor pela mitologia. Ao longo da sua amizade, muitas vezes enquanto bebiam em um pub de Oxford chamado “The Eagle and Child” (então conhecido como “The Bird and Baby”), os dois professores conversavam sobre as obras que estavam escrevendo – livros que depois transformariam o mundo. Mas sua amizade não evitava que Tolkien criticasse o que ele chamava de “casa das feras mitológicas” das “Crônicas de Nárnia”, a famosa série de romances cristãos alegóricos (Lewis dizia que eram meramente análogos, mas isso era considerado irrelevante, segundo a opinião de Tolkien, baseada nos seus padrões literários).

Os críticos tentaram interpretar a experiência de Tolkien nas duas Guerras Mundiais em suas obras, especialmente em “O Senhor dos Anéis”. Por exemplo (e para consternação do próprio Tolkien), muitos leitores consideravam que o Anel Único de Sauron (o artefato maléfico que Bilbo toma de Gollum em “O Hobbit” e que entrega ao seu sobrinho Frodo Bolseiro, confiando-lhe a sua destruição no Monte do Destino, cravado nas profundezas escuras de Mordor – o mesmo lugar em que o próprio Anel foi forjado) representava as armas de destruição massiva, como a bomba atômica.

Sem dúvida, Tolkien estava descrente com relação às noções modernas de progresso, não gostava das mudanças que se dirigiam à violência mecanizada, aos terrenos baldios criados pela industrialização, que havia destruído sua ordem natural. Sua declarada política filosófica de anarco-monarquismo e sua disposição ao que ele chamava de “distribuição agrária” são alternativas radicais para a modernidade de hoje em dia. Ainda assim, ele rejeitou qualquer interpretação alegórica de seu romance.

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