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Turquia: Erdogan perde maioria absoluta, curdos elegem 79 deputados

<p>O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, é visto em posto eleitoral, em Istambul, no dia 7 de junho de 2015</p>

AFP - publicado em 08/06/15

O partido islamita conservador do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, perdeu a maioria absoluta no Parlamento e não poderá mais governar sozinho – informou a imprensa local, após a apuração das urnas.

No poder desde 2002, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) aparece com 258 cadeiras, do total de 550, o correspondente a 41% dos votos.

Já os curdos do Partido Democrático do Povo (HDP) superaram a barreira de 10% dos votos, obtendo 13%, e entram no Parlamento com 79 deputados, segundo os resultados divulgados pelas emissoras de televisão locais.

Além de ser obrigado a formar uma coalizão, o desempenho nas urnas poderá enterrar o projeto de Erdogan de reformar a Constituição e, com isso, reforçar seu poder como presidente. Nas últimas legislativas, de 2011, o AKP conquistou 49,8% dos votos.

Durante seu tradicional "discurso da varanda" da sede do AKP, em Ancara, o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, tentou minimizar o alcance do golpe.

"Essa eleição mostra, mais uma vez, que o AKP é a coluna vertebral desse país. Ninguém deve tentar transformar uma derrota em vitória", declarou, diante de milhares de simpatizantes.

"Continuaremos nossos esforços para mudar a Constituição com o apoio de outros partidos", completou.

Já Sirri Sureyya Önder, do partido curdo, disse à imprensa que "esses resultados representam a vitória da liberdade sobre a tirania, da paz contra a guerra". O HDP tem 29 deputados em final de mandato.

Os dois principais rivais do AKP, o Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata) e o Partido de Ação Nacional (MHP, direita), aparecem com 25% e 16,5% dos votos (132 e 81 assentos, respectivamente).

A participação nas eleições foi de cerca de 85%.

Os colégios eleitorais fecharam às 17h locais (11h de Brasília), ao término de um dia marcado pela forte participação nas urnas, apesar de um atentado a bomba. Cometido na sexta-feira, o ataque deixou dois mortos e mais de 100 feridos durante um comício do principal partido curdo em seu reduto de Diyarbakir (sudeste).

O partido islamita conservador se apresentava pela primeira vez debilitado perante os eleitores, vítima do declínio da economia e das críticas por seu autoritarismo.

Depois de 11 anos como primeiro-ministro, Erdogan foi eleito chefe de Estado em agosto passado e devolveu em teoria as chaves do Executivo e do partido ao seu sucessor, o ex-ministro das Relações Exteriores Ahmet Davutoglu. No entanto, decidido a manter as rédeas do país, milita desde então por uma presidencialização do regime e um fortalecimento de seus poderes.

Apesar das críticas, o chefe de Estado fez abertamente uma campanha por sua reforma e seu partido, indo contra a Constituição, que lhe impõe um rígido dever de neutralidade.

Para alcançar seu objetivo, Erdogan precisava de uma ampla vitória eleitoral. Se o AKP conseguisse dois terços (367) dos 550 assentos de deputados, poderia votar sozinho a reforma constitucional para reforçar os poderes do chefe de Estado. Se obtivesse apenas 330, poderia submetê-la a referendo. Caso contrário, suas ambições seriam frustradas.

‘Não confio mais neles’

"Votei no AKP nas eleições passada porque fizeram um bom trabalho. Mas não confio mais neles", explicou Murat Sefagil, de 42, outro eleitor de Istambul.

"O AKP não perdeu as eleições, mas Erdogan perdeu qualquer esperança de fazer da Turquia um país de sistema (quase exclusivamente) presidencialista", comentou o universitário Ahmet Insel.

Ainda que as pesquisas sugerissem que poderia perder sua aposta, Erdogan continua sendo muito popular no país.

"Votei novamente (no AKP), porque quero que a Turquia seja dirigida por um presidente forte", disse à AFP o vendedor de frutas Mehmet Kose, de 50 anos, que trabalha em Istambul.

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