Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Sábado 05 Dezembro |
São Saba
home iconAtualidade
line break icon

Iraque mergulhado na guerra um ano depois da ofensiva do Estado Islâmico

© Mujahideen Shura Council

Agências de Notícias - publicado em 10/06/15

Os jihadistas se distinguiram principalmente por suas atrocidades, decapitações, crucificações, execuções em massa e até escravidão sexual de centenas de mulheres yazidis

Um ano depois do início da ofensiva do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), o Iraque se transformou em uma nação arrasada, sem esperança de sair rapidamente do círculo vicioso de violência, sectarismo e tragédia humanitária.

As fronteiras, as relações de força e o equilíbrio demográfico foram alterados por esse conflito, que revelaram um Iraque que não é de longe o país estável e aliado sólido que os Estados Unidos esperavam ter deixado para trás em 2011.

Em 9 de junho de 2014, os combatentes de uma organização denominada Estado Islâmico no Iraque e Levante (EIIL) avançaram por um terço do território, principalmente no oeste e no norte.

Bastaram apenas 24 horas para tomarem o controle de Mossul (norte), a segunda cidade do país, apesar de sua clara inferioridade numérica. Durante um tempo, também ameaçaram Bagdá.

Rebatizado "Estado Islâmico", o grupo jihadista proclamou menos de um mês depois um "califado" no extenso território que controla entre Síria e Iraque.

Desde então, os jihadistas se distinguiram principalmente por suas atrocidades, decapitações, crucificações, execuções em massa e até escravidão sexual de centenas de mulheres yazidis, minoria religiosa do noroeste do Iraque.

Os Estados Unidos invocaram esses horrores, classificados de tentativa de "genocídio" pela ONU, para justificar seus bombardeios aéreos contra o grupo jihadista.

Uma coalizão internacional se deslocou para o local, estendeu suas operações antijihadistas para Síria e enviou conselheiros militares para o Iraque. A guerra contro o EI havia começado.

Desordem total

Depois de 4.000 bombardeios, que mataram mais de 10.000 jihadistas segundo a coalizão, e de combatentes terrestres liderados pelas forças de segurança com a ajuda de peshmergas curdos (forças armadas da região curda iraquiana), milícias xiitas e tribos sunitas, o EI não parece estar muito debilitado.

O grupo até mesmo avançou na Síria, com a exceção notável de seu fracasso perante a cidade curda de Kobane.

No Iraque, os jihadistas continuam se mantendo contra as forças governamentais, como demonstrou em maio a tomada de Ramadi, capital da província de Al Anbar, que resistiu durante mais de um ano às investidas dos jihadistas.

Como já fizeram em Mossul, as unidades mobilizadas em Ramadi se retiraram com grande desordem deixando para trás milhões de dólares em equipamentos, armamentos e veículos blindados.

Esse espólio de guerra contibui para reforçar a capacidade do grupo extremista sunita, que continua, por outro lado, atraindo combatentes estrangeiros.

Por outro lado, o EI aproveitou o ressentimento acumulado contra o poder xiita de Bagdá para avançar pelos territórios sunitas com o consentimento dos habitantes.

"As causas subjacentes da ascensão do EI (no Iraque) continuam vigentes", assegura Patrick Skinner, especialista do Soufan Group, especializado em trabalhos de inteligência. "Isso significa que o EI vai perdurar, ainda que as linhas de frente se movam".

Para recuperar terreno, Bagdá teve que buscar apoio nas milícias xiitas apoiadas pelo Irã, algumas das quais participaram no passado de confrontos motivados por razões sectárias.

Apesar dessas milícias terem provado que são um aporte essencial, permitindo a recuperação de Tikrit, continuam sendo assunto espinhoso para o governo, que não consegue controlá-las plenamente.

Três milhões de deslocados

Outro aliado de peso para Bagdá, as forças curdas, aproveitaram a retirada do exército contro o EI para se instalar nas zonas disputadas. Será difícil para o governo recuperar esse locais.

Os deslocamentos em massa da população modificaram o equilíbrio demográfico do país. Entre os três milhões de deslocados, vários árabes sunitas chegaram a regiões xiitas e curdas, o que poderia se transformar em uma fonte de tensão inter-religiosa.

O país está devastado e os cofres vazios, então o governo não pode financiar as obras de reconstrução necessárias para apaziguar a ira da população.

Além disso, o EI destruiu os sítios arqueológicos de renome como Nimrod e Hatra e recorreu a saques de antiguidades para financiar suas operações.

O governo respondeu modestamente, reabrindo o museu de Bagdá, saqueado em 2003 durante a invasão americana.

(AFP)

Tags:
MundoPerseguição
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
HUG
Dolors Massot
Médico abraça paciente com Covid-19 que chora...
PADRE NO ALTAR DA MISSA
Reportagem local
Missa de Crisma é interrompida por policiais ...
Missa de Crisma
Reportagem local
Arcebispo detona interrupção de Missa: "Ocorr...
BOKO HARAM NIGÉRIA
Francisco Vêneto
Terroristas islâmicos degolam mais de 100 pes...
Bispo brasileiro Dom Antônio Carlos Rossi Keller
Reportagem local
Mais um bispo brasileiro detona: "Autoridades...
Aleteia Brasil
Oração do Advento
No colo de Maria
Como rezar o terço? Um guia ilustrado
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia