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Dividida sobre a solidariedade, UE pode viver nova crise migratória

<p>Migrantes são vistos em campo de refugiados da Cruz Vermelha, em Roma, no dia 16 de junho de 2015</p>

AFP - publicado em 17/06/15

A União Europeia luta para chegar a um acordo sobre um mínimo de solidariedade para acolher os requerentes de asilo e aliviar a pressão sobre os países mediterrânicos, o que forçou a Itália a considerar um "plano B".

Os países vizinhos temem que a Itália deixe entrar em seu território os migrantes que desembarcam a cada dia em sua costa.

"É hora de olhar para além dos interesses nacionais", declarou o comissário europeu Dimitris Avramopoulos, após uma reunião dos ministros do Interior europeus em Luxemburgo, onde nenhum compromisso foi alcançado.

"A solidariedade não é voluntária. Isso não pode funcionar assim", afirmou. "Ela não se negocia", acrescentou, exortando os europeus a "evitar as acusações mútuas".

A Comissão Europeia propôs em maio que os Estados dividissem os 40.000 requerentes de asilo da Síria e da Eritreia que chegaram na Itália e na Grécia desde 15 de abril, enquanto 100.000 pessoas entraram clandestinamente na UE desde o início do ano, de acordo com a Frontex.

O executivo da UE também convidou os 28 países a acolher os 20.000 refugiados sírios provenientes de países fora do bloco.

A Itália, maior afetado pela crise por sua proximidade com a Líbia, um país mergulhado no caos, acolhe quase 60.000 pessoas que chegaram por mar desde o início do ano. E cada vez mais os migrantes chegam à Grécia, passando pela Turquia.

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, elevou o tom na segunda-feira. "Os europeus têm o dever de enfrentar todos juntos o problema dos imigrantes".

"A Europa deve cumprir sua parte (…) Se ela não fizer, faremos sozinhos. É nosso ‘plano B’ que representará uma derrota para a Europa", ameaçou.

Em 2011, o governo liderado por Silvio Berlusconi decidiu deixar passar os migrantes que chegavam em seu território sem controle, para denunciar a negação dos demais Estados da UE de ajudar a administrar os fluxos migratórios ilegais.

O ministro italiano Angelino Alfano negou nesta terça-feira que Roma esteja planejando fornecer aos migrantes e aos candidatos a asilo vistos provisórios de três meses para permitir que circulem no espaço Schengen.

‘Crise migratória’

França e Alemanha procuram evitar a todo preço um cenário de "crise migratória". Os ministros francês, italiano e alemão se encontraram à margem da reunião para discutir a situação perto de Vintimille.

A polícia francesa impede desde a quinta-feira passada 200 migrantes africanos de entrar na França por esta cidade costeira italiana.

Sobre esta decisão, Alfano criticou a França de minar um dos princípios do bloco europeu: a liberdade de movimento.

Paris, por sua vez, insistiu que deve existir responsabilidade em contrapartida da solidariedade.

"A responsabilidade é um dispositivo que permitirá distinguir os migrantes que podem obter asilo na Europa dos que formam parte da imigração econômica irregular, e organizar o retorno dos migrantes em situação irregular", explicou o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve.

Os desacordos entre europeus são tamanhos que a discussão foi passada para a cúpula de chefes de Estado na próxima semana.

Os 28 contestam a proposta de Bruxelas, que prevê uma distribuição dos requerentes de asilo em função do PIB e do desemprego.

Alguns temem que esse mecanismo se torne permanente. "O que pode ser aceitável para 40.000 pessoas se torna impossível para 200.000", disse um diplomata europeu. Outros recusam insistentemente o caráter obrigatório da proposta, preferindo um programa numa base voluntária.

Concretamente, a França é chamada a acolher em dois anos 9.000 refugiados de asilo e requerentes da Síria e da Eritreia, e a Alemanha 11.849.

Apesar dos indícios, o comissário Dimitris Avramopoulos Comissário diz estar "otimista", garantindo que um acordo pode ser encontrado no final de julho.

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