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Europeus lembram batalha de Waterloo com mensagem de reconciliação

AFP - publicado em 19/06/15

Duzentos anos depois de terem se enfrentado em uma sangrenta batalha em Waterloo, os europeus se reúnem novamente nesta quinta-feira na cidade belga, em uma celebração que deseja lançar uma mensagem de reconciliação.

Os descendentes dos chefes dos exércitos francês, inglês e alemão já se reuniram na quarta-feira em uma cerimônia na fazenda-castelo de Hougoumont, um dos locais emblemáticos desta batalha que em 1815 deixou mais de 10.000 mortos e 35.000 feridos.

O atual duque de Wellington – descendente do vencedor britânico da batalha -, o príncipe Nikolaus Blucher von Wahlstat – descendente do marechal prussiano que permitiu a vitória dos aliados -, e o príncipe Charles Bonaparte, descendente de Napoleão, deram um caloroso aperto de mãos nesta quarta-feira na presença do príncipe Charles da Inglaterra e de sua esposa Camila.

A Bélgica, que durante séculos foi campo de batalha das potências europeias, quis converter a comemoração do bicentenário "em uma oportunidade para lançar uma mensagem de reconciliação e união", segundo o gabinete do primeiro-ministro belga, Charles Michel.

Às 11h00 (06h00 de Brasília) em ponto, no momento em que Napoleão lançou o ataque no dia 18 de junho de 1815 contra os exércitos anglo-holandeses de Wellington, o rei Filipe da Bélgica deveria presidir uma cerimônia internacional ao pé da "Monte do Leão", um monumento lembrando a batalha que foi construído no lugar em 1826.

Os reis de Holanda e Luxemburgo, assim como o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmersmans, deveriam acompanhar a cerimônia. França e Alemanha só deverão estar representadas por seus embaixadores.

"É uma pena" que o presidente francês não assista a celebração, disse na quarta-feira Charles Bonaparte. "Não há nenhuma razão para ter vergonha de sua própria história. Waterloo é o início de uma lenda, Napoleão é um personagem mundialmente conhecido", afirmou o descendente de Jérôme Bonaparte, irmão de Napoleão, que lutou em Waterloo.

Comemoração

Também não estarão presentes na celebração os membros de maior destaque da família real britânica, que devem acompanhar na catedral de St. Paul em Londres uma cerimônia em memória dos soldados mortos em Waterloo, uma cidade que atualmente muitos associam apenas à canção do Abba ou com uma estação do metrô em Londres.

Será possível ver, no entanto, o rei Willem-Alexander da Holanda – cujo ancestral, o príncipe William de Orange, foi ferido em Waterloo – que dará outro aperto de mãos simbólico nos descendentes dos principais protagonistas da batalha.

As grandes cerimônias de celebração que começam nesta quinta-feira durarão até sábado e os 180.000 ingressos colocados à venda foram vendidos rapidamente.

Nesta quinta-feira, a partir das 22h45 (17h45 de Brasília) será realizado um grande espetáculo pirotécnico chamado "Inferno" e inspirado em um poema de Victor Hugo.

Na sexta-feira e no sábado à noite mais de 5.000 figurantes com roupas de época, 360 cavalos e uma centena de canhões recriarão os momentos chave da batalha, como o ataque da cavalaria do marechal Ney, a dura resposta de Wellington ou a chegada no último minuto dos reforços de Blucher, que determinaram a derrota dos franceses.

A batalha de Waterloo ocorreu após o retorno do exílio de Napoleão da ilha de Elba. Em poucas semanas reconstruiu o exército francês, que na campanha da Bélgica chegou a ter mais de 93.000 homens.

Em Waterloo pôde enfrentar por dez horas as forças aliadas (britânicas, alemãs e belgo-holandesas) de Wellington e o exército prussiano do marechal Blucher, que somavam um total de 125.000 homens.

Mas a disputa terminou com a derrota de Napoleão, que abdicou no dia 22 de junho e morreu prisioneiro dos ingleses no dia 5 de maio de 1821 em Santa Elena, uma ilha do Atlântico Sul.

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