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Papa defende revolução ambiental e critica os ricos e poderosos

<p>O documento é apresentado oficialmente no Vaticano</p>

Agências de Notícias - publicado em 19/06/15

O documento de quase 200 páginas, com o título "Laudato si (Louvado seja) sobre o cuidado da casa comum", foi apresentado oficialmente nesta quinta-feira no Vaticano

O papa Francisco defende uma “revolução corajosa” para salvar o planeta, ameaçado pelo consumismo, em sua encíclica sobre o meio ambiente, na qual acusa o sistema econômico e financeiro de prejudicar os pobres.

O documento de quase 200 páginas, com o título “Laudato si (Louvado seja) sobre o cuidado da casa comum”, foi apresentado oficialmente nesta quinta-feira no Vaticano.

O texto acusa sem rodeios a política, a tecnologia e as finanças de depredar o meio ambiente e gerar pobreza.

“A humanidade está convocada a tomar consciência da necessidade de realizar mudanças de estilo de vida, de produção e de consumo”, escreveu o papa.

Francisco acusa a “política e as empresas de não estarem à altura dos desafios mundiais”, depois de terem feito um “uso irresponsável dos bens que Deus colocou na Terra”.

O papa argentino condena com palavras firmes o consumismo e o capitalismo selvagem, apontados como responsáveis pela degradação da “mãe e irmã Terra”, como a chama.

– Terra: um depósito de lixo –

“A Terra, nossa casa, parece converter-se cada vez mais em um imenso depósito de lixo”, lamenta o pontífice.

Escutemos o “gemido da irmã Terra”, acossada por uma brutal mudança climática e pela “cultura do descarte”, pede.

A primeira encíclica que pode ser completamente atribuída ao pontífice argentino, já que a anterior foi escrita a quatro mãos com Bento XVI, é um texto “contundente e desafiador”, que marcará “um antes e depois”, segundo vários vaticanistas.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saudou a mensagem “forte e clara” da encíclica, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiou que ele tenha colocado “o interesse geral acima dos interesses nacionais”.

O presidente francês, François Hollande, cujo país vai sediar uma conferência global sobre a mudança climática no final deste ano, também parabenizou a mensagem, pedindo para que ela seja ouvida “em todos os continentes”.

Em seu documento, o Papa adverte o mundo que “as previsões catastróficas” ambientalistas “já não podem ser consideradas com desprezo e ironia” e lembra que “a próxima geração pode deixar muito detritos, desertos e sujeira”.

Francisco lembra que no mundo “há crianças que nascem, crescem e morrem em aterros sanitários”, disse o cardeal filipino Luis Antonio Tagle, presidente da Caritas Internacional durante a apresentação à imprensa.

– Contra o mercado divinizado –

“Hoje, ‘qualquer coisa que é frágil, como o meio ambiente, fica indefesa ante os interesses do mercado divinizado, convertido em regra absoluta'”, escreve o papa.

A encíclica verde é uma convocação “urgente” a uma “corajosa revolução cultural” que acabe com o “desenfreio megalômano”, o consumismo, as desigualdades, ressaltou.

Francisco propõe sobretudo um novo modelo de desenvolvimento, baseado na sobriedade e solidariedade, e analisa ao longo de vários capítulos as razões da deterioração do planeta e de como as estruturas de poder provocaram o mesmo.

“Chegou o momento de aceitar um certo decrescimento em algumas partes do mundo, aportando recursos para que seja possível crescer de maneira saudável em outras partes”, escreve o pontífice.

Francisco exige “limites” porque é “insustentável o comportamento daqueles que consomem e destroem mais e mais, enquanto outros não podem viver de acordo com sua dignidade humana”.

Grupos ambientalistas da Itália convocaram uma marcha no domingo para mostrar apoio ao Papa.

– Dívida ecológica –

O papa denuncia o atual sistema econômico mundial que usa a “dívida externa como instrumento de controle” e acusa os países ricos por não reconhecerem a “dívida ecológica” que têm com os países em desenvolvimento.

“A dívida externa dos países pobres se transformou em um instrumento de controle, mas não acontece o mesmo com a dívida ecológica (…) com os povos em desenvolvimento, onde se encontram as mais importantes reservas da biosfera e que seguem alimentando o desenvolvimento dos países mais ricos ao custo de seu presente e de seu futuro”, ressalta.

O pontífice latino-americano, que se inspirou em São Francisco de Assis, o santo defensor da natureza e dos pobres, teme uma guerra pela água, denuncia a perda da biodiversidade e a desigualdade entre regiões ricas e pobres.

O documento está dirigido a todo o mundo, e não apenas aos católicos, com um pedido de “responsabilidade” ante a destruição do planeta.

Apresentado a apenas seis meses da reunião de cúpula da ONU sobre o aquecimento global, prevista para dezembro em Paris, o documento terá influência na comunidade internacional.

“A submissão da política ante a tecnologia e as finanças se mostra no fracasso das reuniões mundiais”, lamentou.

“Esta encíclica terá um impacto muito forte, nenhum papa havia tomado partido assim. É o fruto de uma paixão imensa”, comentou Christiana Figueres, presidente da Convenção da ONU sobre a Mudança Climática.

Mas a postura de Francisco também gera críticas e reações. Analistas não descartam a possibilidade de campanhas contra o texto, baseadas em estudos científicos e financiadas pelos setores petroleiro e industrial, que têm grandes interesses na questão.

(AFP)

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