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Espiritualidade

Quem é o homem do Sudário?

© P.M WYSOCKI / LUMIÈRE DU MONDE

Mirko Testa | Jun 21, 2015

Além disso, a imagem estampada no tecido demonstra que o corpo sofreu duas formas de violência não relacionadas com o costume romano: a presença das feridas puntiformes sobre o crânio e na nuca, além da ferida feita com uma arma punçante e afiada entre a quinta e a sexta costela.

Outra anomalia é que o ajustiçado não teve os ossos das pernas quebrados: o Deuteronômio proibia de deixar os cadáveres na cruz durante o pôr do sol, e a prática de fraturar as pernas (crurifragium) apressava a morte e permitia retirá-los antes do anoitecer.

A marca de sangue mais vistosa entre todas corresponde à verificada na parte direita do tórax, provocada por uma ampla ferida de fora a fora, possivelmente causada por uma lança. O sangue se apresenta dividido em seus dois componentes, isto é, a parte do soro e a parte corpuscular (glóbulos vermelhos): a divisão, chamada de “dessoração”, se produz somente depois da morte – por isso, a ferida que provocou a rasgadura do tórax foi realizada quando o homem já estava morto. A ferida foi feita antes de que o corpo chegasse ao rigor mortis, ou seja, antes de que começasse o processo natural de decomposição (depois de 36-48 horas).

Do tipo de tecido de linho e de como o cadáver foi tratado, podemos deduzir que o homem recebeu uma sepultura – apesar de ter sido muito honrosa – sem a purificação ritual prevista pela lei judaica.

Ao contrário do que previam os costumes funerários dos judeus, mencionados no Talmude, o cadáver separado da cruz, nu, sem ser lavado nem barbeado, foi depositado sobre um longo tecido. No entanto, o homem do Sudário, de acordo com a cultura judaica, foi sepultado em um linho branco, inclusive de grande valor. O Sudário havia sido tecido, de fato, com uma técnica chamada de “espinha de peixe”, utilizada certamente já antes da era cristã, mas da qual restam poucos exemplares, sobretudo em linho. O tecido apresenta a torção em Z, muito rara e complexa, na qual as fibras são obrigadas a retorcer-se no sentido contrário ao que tomariam espontaneamente secando-se ao sol.

O sudário pode ter sido produzido em ambiente judaico, pois, nas análises, não foram encontrados traços de fibras de origem animal, em observância à lei mosaica (Dt 22, 11), que prescrevia a separação entre a lã e o linho. Em último caso, parece que foram encontrados vestígios de algodão, identificadas como Gossypium herbaceum, difundido no Oriente Médio na época de Cristo. Este tipo de tecido deveria ser muito apreciado e ritualmente puro, pois com ele, segundo os costumes do judaísmo antigo, eram confeccionadas as cortinas do templo de Jerusalém, além de ser utilizado pelo Sumo Sacerdote – presidente do Sinédrio, que era o conselho supremo que governava comunidade judaica – para envolver-se após ter sido submergido 5 vezes no banho ritual obrigatório, no dia em que se celebrava o rito da Expiação (Yom Kippur), a festa mais sagrada. É raro, portanto, que o corpo de um condenado a um suplício infame, do qual eram isentos os cidadãos romanos – e que era reservado aos traidores, aos desertores e mais frequentemente aos escravos –, fosse envolvido em um sudário extremamente caro, para que fosse tirado pouco tempo depois, ao invés de ser jogado diretamente em uma fossa comum ou ser largado como alimento para as feras.

O lugar em que o homem do Sudário foi sepultado ou no qual o lenço esteve exposto durante mais tempo pode ser identificado por dois elementos: o pólen que ficou preso no tecido e que pertence a várias espécies vegetais existentes apenas no Oriente Médio (mais exatamente, concentradas em uma área que cerca a região de Jerusalém); e os restos de terreno encontrados, que contêm aragonite, um mineral não muito abundante, mas difundido nas imediações de Jerusalém.



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