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Tecnologia de reconhecimento facial: será que é esta a pá de cal na privacidade?

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Michael Cook - publicado em 28/07/15

Até igrejas estão começando a usá-la!

Imagine que você é um pastor de uma mega-igreja e precisa controlar a frequência do seu rebanho para fins espirituais (e financeiros), mas os seus registros são sempre imprecisos. Que tal unir as suas câmeras de segurança com a tecnologia do reconhecimento facial?

Pois uma empresa chamada Churchix lançou um software que rastreia os rostos das pessoas nas igrejas, identifica quem está presente (e quem faltou) e vai alimentando um banco de dados sobre a participação dos fiéis nos cultos. E, não, essas igrejas não contam nada disso aos seus frequentadores.

Se até igrejas estão usando essa tecnologia, imagine o quanto as empresas comerciais estão ansiosas para usar esse tipo de software. O reconhecimento facial é muito útil para combater a criminalidade e o terrorismo, mas outros usos vêm gerando indignação nos defensores da privacidade.

Essa tecnologia promete reconhecer "os clientes de alto valor toda vez que eles fizerem compras", além de enviar alertas "quando clientes com histórico problemático entram no estabelecimento". Você se lembra do personagem de Tom Cruise no filme “Minority Report”, de Steven Spielberg, que era bombardeado com publicidade segmentada enquanto caminhava pela rua? Parece que isto não é mais mera ficção científica.

Outro aplicativo, chamado NameTag, quer permitir que qualquer pessoa com um telefone celular possa checar quaisquer fotos em um banco de dados online. "O NameTag pode fazer com que este mundo enorme e anônimo em que vivemos se torne tão amigável quanto uma aldeia", diz a empresa. E só para ter certeza de que todo mundo é “amigável”, ela faz a varredura de meio milhão de nomes e fotos no Registro Nacional de Agressores Sexuais dos EUA e em outros bancos de dados criminais.

Assustador, não? Pois a maioria das pessoas não acha. Aliás, as pessoas, em geral, são bem complacentes na hora de permitir que empresas como o Facebook e o Google armazenem e analisem as suas imagens pessoais. O Facebook lançou recentemente um novo aplicativo, o Moments, que identifica os amigos de um usuário nas fotos de outros usuários. Quantas queixas você já ouviu contra isso? Eu, muito poucas.

Mas os defensores da privacidade estão preocupados. Eles temem que o reconhecimento facial seja a pá de cal que faltava na privacidade pessoal. Num mundo pós-Snowden, bancos de dados corporativos podem ser desviados para bancos de dados do governo, e estes podem ser hackeados por outros governos ou por máfias.

Em maio de 2015, hackers invadiram sistemas do governo norte-americano e roubaram dados pessoais de 22 milhões de cidadãos dos Estados Unidos. Imagine o que eles poderiam fazer se roubassem também a sua foto. E uma coisa é você trocar a sua senha – outra coisa é você trocar o seu rosto.

Os europeus são mais precavidos no tocante à privacidade. O aplicativo Moments não será lançado na Europa porque o Facebook se recusa a implementar um sistema de autorizações por parte dos usuários. Nos EUA, os Estados do Texas e de Illinois tomaram a mesma posição: eles exigem que as empresas peçam permissão antes de escanear rostos ou de compartilhar informações biométricas.

A Electronic Frontier Foundation, consórcio de defensores da privacidade, declarou recentemente:

"Acreditamos que as pessoas têm o direito fundamental à privacidade. As pessoas têm o direito de controlar quem recebe informações delicadas sobre elas e como essa informação é compartilhada. E não há dúvida de que a informação biométrica é extremamente delicada: pode-se alterar a senha e o número do cartão de crédito, mas não se podem mudar as impressões digitais ou as dimensões precisas do próprio rosto. O reconhecimento facial identifica estes fatos físicos imutáveis remotamente e em segredo, sem qualquer impedimento".

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liberdadetecnologia
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