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Casamento: caminho de felicidade

Middle aged couple © michaeljung / Shutterstock – pt

<a href="http://www.shutterstock.com/it/pic.mhtml?id=148293572&amp;src=id" target="_blank" />Middle aged couple</a> © michaeljung / Shutterstock

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Comunidade Shalom - publicado em 10/08/15

Uma reflexão importante para os casais que buscam crescer no amor

Vamos refletir sobre a vida conjugal como fonte de felicidade para a família. O casal que experimenta o amor de Deus começa um caminho único de busca de união com Ele pela sua Palavra, pela oração e pela vivência cotidiana do amor, cerne de toda a Lei que Jesus veio aperfeiçoar.

Não se tem dúvida de que a vida a dois comporta grandes desafios! Mas também grandes lutas e conquistas se permearmos nossa relação na proposta do Evangelho.

O casal deve construir juntos um relacionamento de grande amizade. Todos nós certamente já experimentamos o que seja uma grande amizade. Relembremos um pouco:

– o amigo aceita o outro como é;
– o amigo é confiável e confia;
– o amigo ajuda e cuida;
– o amigo perdoa;
– o amigo é sincero;
– o amigo respeita;
– o amigo pede perdão quando “pisa na bola” e emenda-se para que a amizade se renove e solidifique mais;
– o amigo compreende e compartilha a dor do outro;
– o amigo procura não sufocar o outro;
– o amigo compartilha seus dons;
– o amigo está presente nas alegrias e também nas dores.

Bem, se a amizade autêntica funciona assim, quanto mais deve ser a relação do casal, que pelo Sacramento do matrimônio se tornam uma só carne!

Tornar-se uma só carne é aprender a colocar-se no lugar do outro; olhar as situações também a partir da perspectiva do outro. É desenvolver a empatia. Ninguém maltrata a sua própria carne, como nos orienta a Palavra. É cuidar do outro como deve cuidar de si.

O prazer é um dom de Deus e é oferecido a nós por Ele de diversas formas: a arte, em suas diversas expressões – a música, a pintura, a escultura, a dança, entre outras –; a natureza, com suas inúmeras paisagens que extasiam o nosso olhar; o carinho e afeto gratuitos e desinteressados; uma saborosa comida; o prazer sexual; uma boa noite de sono, enfim, são tantos! E se forem vividos adequadamente são fonte de alegria e fraternidade.

Quando falamos do prazer sexual, sabemos que é um dom de Deus para o casal que se ama e se une no Sacramento do matrimônio. Esse dom é fonte de unidade, comunhão e alegria, quando vivido na plenitude do dom de si ao outro. Dom de si que cresce antes e para além do ato conjugal, o qual se torna o coroamento desta mútua entrega cotidiana.

O ato conjugal que é usado como instrumento para manipulações – chantagens, punições, etc. – e outras atitudes centralizadoras, como a busca individualista do próprio prazer, tem como fruto frustração, vazio, fechamento, divisão, ciúmes, julgamentos, etc. Desse contexto surgem os mecanismos de compensação prazerosa que o casal começa a buscar – ativismo, gulodices, e outros apetites.

Ao contrário, quando o ato conjugal é construído a partir de um cotidiano permeado de gestos de amor mútuo, tais como: diálogo, respeito, divisão de tarefas em casa, cuidado, atenção, afeto, enfim, presença como dom de si, colhe-se frutos de alegria autêntica, os fardos se tornam leves, os filhos são seguros e felizes. É a confirmação prática das palavras de Jesus:

“Vinde a mim vós que estais cansados sob o peso de vossos fardos e Eu vos aliviarei… Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas” (Mt 11,28-29).

O repouso da busca desenfreada do prazer; da luta desenfreada de prevalecer; da luta desenfreada do individualismo, da dominação, da manipulação e da posse; do desgaste das discussões, brigas, ressentimentos; do ativismo profissional; enfim, do egocentrismo, do orgulho e do egoísmo.

O mais interessante é que este repouso não é conquistado sem lutas, sem desafios. Porém, os resultados são infinitamente maiores do que o esforço, já que este pode contar com a potente graça de Deus.

Mas o que de valor se conquista sem lutar? Até mesmo as coisas lícitas e retas no mundo se alcançam com persistência, esforço e dedicação. Vejamos:

– os atletas das Olimpíadas, os corredores profissionais que se exercitam o ano todo para a Corrida de São Silvestre;
– os bons profissionais estão sempre estudando para aperfeiçoar sua prática e obter melhores resultados.

Realmente, as conquistas que obtemos com empenho e esforço pessoal, têm maior valor para nós. Talvez, por isso, o Senhor, que nos salvou, quer nos dar o céu com a nossa participação, para que nos sintamos colaboradores com Ele.

Entrave na vivência da comunhão conjugal

Considero um dos maiores entraves na vida conjugal o rancor ou ressentimento, que gosto de chamar “ranço”. É aquele gosto meio amargo numa comida que já começa a se estragar… Ou seja, dizemos para nós mesmos que já perdoamos, mas relembramos, sentindo de novo a raiva, a ira, o desgosto… É como se esta pequena parte de comida estragada fosse colocada como tempero naquela refeição fresquinha que estamos degustando… Então não aproveitamos plenamente dela, porque, ao final, fica o ranço!

O que fazer? Lembro-me daquela passagem do Evangelho em que Jesus ordena ao homem da mão seca que a estenda diante dele para que seja curada (Mt 12,9-13). Da mesma forma é preciso expor ao nosso Bom Pastor esta parte ferida para que seja verdadeiramente curada. Expor para Jesus o fato, expor os sentimentos, pedir ajuda, abrir-se à graça de Deus, escutá-lo no silêncio do coração e na sua Palavra e examinar a consciência, lembrando sempre que em qualquer relação humana existem os dois lados e nenhum deles é totalmente inocente. Fazer uma boa confissão, perdoar, e deixar o Senhor restaurar a imagem do outro dentro de você, com os seus dons e qualidades, relembrando os gestos bons, etc. E, então, mãos à obra de novo, no empenho ascético – no esforço – de quebrar o gelo, dialogar sem mágoas, nem acusações, expor suas necessidades e amar em gestos.

Discussões, às vezes, são inevitáveis quando agimos movidos pela ira, pelos impulsos, sem pesar nem mediar as palavras. Quando isto acontecer, é preciso retomar o caminho sem armas na mão – sem defesas ou ataques – quando passar as emoções fortes, resgatando tudo o que refletimos acima.

Se os filhos presenciaram indevidamente a discussão, é preciso então que eles presenciem depois de tudo resolvido um momento simples de perdão e reconciliação, para que se sintam seguros com os pais, que sabem reconhecer que erram, e para que também aprendam a pedir perdão e viver a reconciliação.

O autoconhecimento

O autoconhecimento é fundamental para que vivamos bem nossas relações em geral e especialmente a relação conjugal. Pelo processo de autoconhecimento vou percebendo minhas feridas, fraquezas, limitações e pecados. Mesmo sendo doloroso, porque, pelo orgulho é difícil aceitarmos ter defeitos, é salutar, uma vez que o autoconhecimento traz consigo:

– a humanização da pessoa;
– o crescimento na humildade necessária aos relacionamentos frutuosos;
– o desenvolvimento da capacidade de perdoar, de tolerar as fraquezas do outro;
– o desenvolvimento da capacidade de perceber que o outro também é suscetível às feridas emocionais da sua história de vida, o que desperta em nós um maior interesse em conhecer o outro mais profundamente, para compreendê-lo melhor e amá-lo como precisa.

Com a humildade, desperta-se o olhar para as virtudes do cônjuge, valorizando-o mais, favorecendo a paciência com suas fragilidades e aprende-se a expressar as próprias fragilidades e necessidades, sem cobrar nem acusar.

Na família, o amor é provado com gestos

Em muitas situações da vida familiar acontecem desgastes nas relações, dificultando o entendimento através das simples palavras, pois as feridas estão sangrando, as defesas estão em estado de alerta e os ataques, preparados.

Então, é hora de recolher-se para estreitar a intimidade com Deus, expor tudo a Ele, pedir ajuda e, depois, mãos à obra na reconstrução! A reconstrução, especialmente nestes casos de desgastes, é feita pelos gestos de amor, expressos em cuidado, serviço, oferta de si generosa, discreta e desinteressada para que os muros possam cair aos poucos e se restabeleça o diálogo autêntico, até que chegue novamente a paz, o calor humano, o amor genuíno. É preciso dizer que isto é obra da graça de Deus e com a abertura da nossa vontade.

Esse caminho na família é um processo diário e constante. Posso afirmar que os frutos são doces como o mel e que à medida que passam os anos, tornam-se mais preciosos, uma vez que, aproximando-se a velhice – com tantos percalços – teremos armazenado na adega esses vinhos, cujo tempo vai mostrando sua preciosidade. Para usar uma linguagem coloquial: quando as chatices, as “ranzinzisses”, as doenças, as impaciências, as limitações físicas crescentes aparecerem, será preciso mais paciência, mais tolerância e mais amor. Buscaremos nesses vinhos as boas lembranças, a comunhão vivida, a vida doada…, enfim, a alegria e o vigor – que é próprio dos bons vinhos – para continuarmos o caminho juntos, até que a morte nos separe!

E o vinho dos filhos?

Estes também, se foram bem preparados e armazenados – na adega do Senhor, com a graça de Deus – serão saborosos.

Ou seja, se vivenciaram na família:

– o respeito, saberão respeitar;
– o calor humano, saberão acolher;
– o cuidado e o amparo, também serão movidos a cuidar e a amparar;
– o diálogo, os levará a escutar e compreender;
– e se vivenciaram a tolerância mútua e a paciência, o perdão e a reconciliação, estarão curados para amar!

E se o casal alimentou a experiência com o amor de Deus na vida familiar, os filhos, ao terem sede, saberão também buscar a Fonte da Água que realmente sacia.

Um brinde ao prazer de ser família cristã!

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