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Por que os anjos não são iguais?

Angel with sudarium © Sootra / Shutterstock

Pe. Antonio Maria Cárdenas - publicado em 11/08/15

Para entender o tema dos anjos é preciso ir às fontes da nossa fé

Meu último artigo, “Você sabia que alguns anjos estão mais perto de Deus que outros?“, gerou algumas dúvidas e questionamentos entre os leitores. Por isso, dedicarei o presente texto a fazer alguns esclarecimentos sobre o tema.

1. Questionamentos sobre a origem da hierarquia dos anjos

Estes interrogantes são importantes, porque permitem reafirmar a fonte da nossa fé. O estudo dos anjos está dentro do marco do magistério da Igreja.

A Bíblia apresenta vários textos que mencionam o coro dos anjos: o Gênesis fala dos querubins (3, 24); o profeta Isaías menciona os serafins (6, 2); São Paulo faz alusão aos tronos, dominações, potestades, principados (Ef 1, 21; Col 1, 16).

Além da Bíblia, temos a Tradição da Igreja que, como recordou Bento XVI, é parte essencial da estrutura católica (audiência de 28 de janeiro de 2009). Por isso, é necessário recorrer ao testemunho da Tradição, que é unânime, desde o século VI d.C., ao apresentar uma ordem existente entre os anjos.

João Paulo II, em sua catequese de 6 de agosto de 1986, retoma este ensinamento ao afirmar que “os autores antigos e a própria liturgia também falam dos coros angelicais – nove, segundo Dionísio Areopagita”.

Dionísio Aeropagita, do século VI, escreveu precisamente, em sua obra intitulada “A hierarquia celestial”, que “a Escritura cifrou em nove os nomes de todos os seres celestes”, e atribui a ordem que ele dá a estes nove “nomes” ao seu mestre, quem “os classificou em três hierarquias de três ordens cada uma” (serafins, querubins, tronos etc.).

Mencionei aqui somente Dionísio, mas há vários padres e doutores da Igreja que trataram do tema, como São Gregório Magno, São Boaventura, São Tomás de Aquino e outro que falam da existência de uma ordem angelical.

O Catecismo da Igreja também faz alusão a esta existência, ao dizer que “Deus quis a diversidade das suas criaturas e a bondade peculiar de cada uma, sua interdependência e sua ordem” (n. 353).

2. O lugar dos anjos dentro desta hierarquia

Alguns leitores se surpreenderam ao saber que, dentro da hierarquia, os arcanjos não são os mais elevados ou os superiores. Para compreender a posição de cada um na hierarquia angelical, é preciso recordar que todos eles recebem a luz de Deus, todos contemplam Deus (Mt 18, 10).

O lugar que cada um ocupa na hierarquia se deve às suas perfeições espirituais ou à sua missão (cf. Tomás de Aquino, Summa Theologica, q. 108, art. 5). Por esta razão, os arcanjos têm a luz divina, a transmitem, mas não chegam à perfeição de um serafim. Mas isso é belo, ao pensar, por exemplo, que a vitória de São Miguel é a vitória de um pequeno, de alguém do oitavo coro. O triunfo de São Miguel tem muito a nos ensinar sobre a vitória dos pequenos e humildes.

3. Significado da ordem angelical (não seria uma discriminação?)

O fato de que alguns anjos estejam mais perto de Deus não implica em uma discriminação. Assim como existem inúmeras flores e nem todas podem ser orquídeas ou rosas, e isso manifesta a riqueza que há em Deus, o mesmo acontece com os coros angelicais: eles mostram a beleza e harmonia que existe em Deus.

4. A hierarquia angelical e nossa vida de fé

Tudo o que vimos anteriormente nos leva a uma meta: Deus. De fato, toda a visão da hierarquia angelical se baseia no fato de os anjos estarem orientados a Deus. Se há três coros, é porque Deus é trino; se há uma ordem, é porque Deus é uno.

O centro do mundo dos anjos é Deus. E esta diversidade de seres espirituais está continuamente louvando Deus e, por isso, a hierarquia angelical traz a harmonia e o louvor a Deus.

Os anjos nos levam a Deus, e é necessário conhecer sua missão e sua tarefa. É preciso conhecer que tipo de ajuda nos dá cada anjo, cada ordem, pois, como ensina São Boaventura: “Se elevássemos nossa mente a esta hierarquia que nos oferece tudo o que Deus quer dar, não seríamos pobres. Se houvesse algum pobre, e alguém lhe oferecesse todos os bens, ele seria muito bobo se não lhe abrisse a porta. Os anjos nos dizem: ‘Recebam nossos exemplos, serviços e ministérios’; e nós somos grosseiros, porque fechamos nossas portas à sua influência”.

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