Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Sexta-feira 16 Abril |
Santa Maria Bernarda (Bernadete) Soubirous
home iconReligião
line break icon

O que significa falar em línguas?

© Iglesia en Valladolid / Flickr / CC

Carismáticos

Veritatis Splendor - publicado em 12/08/15

Como James Akin disse:

O segundo mal entendido de que o dom de línguas é uma oração particular espontânea, uma "linguagem particular" criada pelo Espírito – é refutada pelo texto das Escrituras. Como a multidão vinda de vários países junta no dia de Pentecostes mostrou, as linguagens nas quais apóstolos falaram eram linguagens humanas reais que poderiam ser entendidas por qualquer um que as falasse (Atos 2,11). Isto levou alguns pentecostais e carismáticos a afirmar que o dom do línguas em Atos é diferente do dom do línguas mencionado por Paulo, mas não há nenhuma base para isso. Esta alegação parece ser baseada em muitas consciências de pentecostais e carismáticos que o que eles estão falando não é uma linguagem real (eu não digo que o dom do línguas não ocorre; sim ocorre, só não tão freqüentemente quanto alguns afirmam). Paulo em nenhuma parte sugere que o fenômeno a que se refere como "falar em línguas" (grego, glossais lalon, do qual nós temos "glossalalia") é diferente do fenômeno que seu companheiro Lucas se refere pelo mesmo nome quando escreveu Atos.

Colin B. Donovan, um dos peritos do site Question and Answer Forum da  Eternal Word Television Network, oferece uma importante perspectiva para o encorajamento da Igreja sobre a Renovação Carismática:

“A Igreja, por um lado, reconhece que o Espírito Santo move-se como deseja e assim ela não quer opor a Sua obra e, por outro lado, a Igreja deve discernir a autenticidade de cada carisma, para que não seja um engano do maligno. Por esta razão, dizer que a Renovação Carismática é aprovada pela Igreja não significa que a Igreja deu carta branca a todo alegado dom carismático, todo grupo ou indivíduo carismático dentro da Igreja. O discernimento da ação do Espírito Santo é uma necessidade contínua dentro da Igreja e dentro da Renovação Carismática”. (Colin B. Donovan, Charismatic Renewal — General, EWTN Catholic Q&A, Frequently Asked Questions, n.d. [artigo online];  disponível em http://www.ewtn.com)

Ele resume bem posição da Igreja sobre a Renovação:  

“A Igreja deseja seguir um curso mediano, entre um ceticismo racionalista e uma cega credulidade na alegada obra do Espírito Santo. No passado, a Igreja condenou o chamado pentecostalismo, entendeu-lhe como uma dependência total, até mesmo teológica, da presença e manifestação dos carismas. Tal dependência é cega, porque não se permite ser guiado pelo conteúdo completo da fé e o juízo do Magistério da Igreja. É total quando tais “dons” deslocam o  significado da graça na vida do cristão, como os sacramentos. Por outro lado, a Igreja não pode condenar os carismas, já que eles são parte do patrimônio da nossa fé apostólica. O que nós vemos em nossa época é o aparecimento da Renovação Carismática, uma aparente efusão dos carismas extraordinários. Isto não significa que pessoa tem que ser carismática, que os carismáticos são católicos melhores, ou que todo alegado carisma é autêntico. Além disso, como o Concílio notou, a Igreja tem que respeitar as obras de Deus, discernindo o autêntico do falso”. (Idem)

Em outras palavras, falar em línguas entre os cristãos servia originalmente para edificar os ouvintes com informações sobre o propósito de Deus, em relação com Jesus Cristo. Em harmonia com isto, o apóstolo Paulo orientou que tudo que se falasse em línguas fosse traduzido, "para que a Igreja receba edificação". (1 Cor. 14, 5.27. 28) Mas, o falar em línguas atualmente, se é que possa ser traduzido, não raro significa simplesmente "Deus é grande", "Deus é bom", ou expressões semelhantes. Ocasionalmente, até mesmo linguagem suja talvez ocorra. D. A. Hayes, em seu livro, The Gift of Tongues.(O Dom de Línguas), relata tal experiência:

"Em Los Angeles, não faz muito tempo, uma senhora tinha o dom de línguas, e um chinês de boa reputação que a ouvia disse que ela falava em seu dialeto chinês. Quando se lhe pediu que interpretasse o que ela disse, recusou-se a fazê-lo, afirmando que a linguagem era a mais baixa possível."

Por certo, Deus não poderia ser responsável pela linguagem "baixa". O que, então, acha-se por trás do falar em línguas que não se ajusta ao padrão bíblico? É digno de nota que o apóstolo Paulo falou duma vindoura "apostasia" do verdadeiro cristianismo e o aparecimento duma classe chamada "o homem que é contra a lei", cuja presença seria "segundo a operação de Satanás, com toda obra poderosa, e sinais e portentos mentirosos, e com todo engano injusto para com os que estão perecendo". (2 Tes. 2, 3. 9.10) Poderia o falar em línguas ser parte dum "engano injusto" promovido por Satanás?

É interessante que An Encyclopedia of Occultism declara: "Falar e escrever em línguas estrangeiras, ou ininteligível balbuciar de palavras confundido com tal, é uma forma bem antiga do fenômeno psíquico." Esta obra de referência continua:

"Podem-se achar casos em abundância, nos anais do espiritismo moderno . . . Comparativamente cedo no movimento houve evidências de se falar e escrever em latim, grego, francês, suíço, espanhol e nas línguas dos índios peles-vermelhas. O Juiz Edmonds, o bem conhecido espiritualista estadunidense, testificou sobre essas faculdades em sua filha e sobrinha. . . . Alguns destes casos acham-se bem atestados."

Resumindo: as línguas são um dom mencionado na Bíblia, mas encontra-se pouco apoio bíblico para a assim chamada “oração pessoal em línguas” ou “oração extática”. Além disso, as maiorias dos carismáticos praticam a oração em línguas impropriamente, ao contrário das regras colocadas por S. Paulo. Em terceiro lugar, a Renovação Carismática Católica tem certas influências pentecostais protestantes. Quarto, línguas, de acordo com S. Paulo, é o menor do todos os dons. Os carismáticos tendem a supervalorizar este dom, e freqüentemente o chamam de um “portal para os outros dons”.  

Esta “teoria do portal” é totalmente antibíblica e é espiritualmente perigosa pois pode abrir a porta para o demoníaco.   

Há casos onde uma pessoa que pensa que ele estava louvando Deus em línguas estava de fato amaldiçoando a Deus em línguas.

  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
KRZYŻYK NA CZOLE
Beatriz Camargo
60 nomes de bebês que carregam mensagens poderosas
2
Pe. Zezinho
Reportagem local
Não desprezem o templo nem posem de católicos avançados, alerta o...
3
MIGRANT
Jesús V. Picón
O menino perdido no deserto nos convida a refletir
4
Frei Jorge e o cãozinho frei Carmelito
Francisco Vêneto
Humanizar os animais não é amá-los, pois desrespeita sua natureza...
5
São José e a Sagrada Família
Reportagem local
Oração a São José para nos guiar “no caminho da vida”
6
SPANISH FLU
Bret Thoman, OFS
Como o Padre Pio encarou a pandemia de gripe espanhola
7
Aleteia Brasil
Havia um santo a bordo do Titanic?
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia