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Bandeira americana volta a ser hasteada em Havana

O secretário e estado americano, John Kerry, observa enquanto a bandeira americana é hasteada na recém reaberta embaixada americana em Havana, no dia 14 de agosto de 2015

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Cinquenta e quatro anos depois de ter sido retirada, a bandeira americana voltou a ondular na embaixada dos Estados Unidos em Cuba, depois de ser hasteada nesta sexta-feira na presença do secretário de Estado americano, John Kerry, que chamou o momento de "memorável".

"Meus amigos, não é preciso um GPS para perceber que o caminho do isolamento mútuo imposto pelos Estados Unidos e Cuba não foi o bom caminho", afirmou Kerry em um discurso pronunciado em parte em espanhol em frente à embaixada.

Vestido com um terno escuro, apesar do calor, ele considerou que "os cubanos ficarão melhor com uma democracia verdadeira, na qual as pessoas são livres para eleger seus líderes com compromisso e justiça econômica e social".

Considerando ser "formidável" estar em Cuba, John Kerry também reiterou que a administração de Obama era "fortemente a favor" do levantamento do embargo econômico imposto contra a ilha comunista desde 1962.

"O embargo sempre foi uma via de mão dupla. As duas partes têm de retirar os obstáculos que mantiveram afastados os cubanos", enfatizou.

Atrás das barreiras de segurança, uma pequena multidão assistiu a cerimônia agitando bandeiras cubanas. Os hinos de Cuba e dos Estados Unidos e o hasteamento da bandeira foram acompanhadas por "viva" e aplausos.

Fachadas pintadas, ruas pavimentadas às pressas: os cubanos acolheram Kerry, que pousou no aeroporto José Martí de Havana às 9H00 locais (10h00 de Brasília), para uma visita de menos de 12 horas à capital cubana.

Ainda no avião, falando à imprensa, Kerry admitiu que "haverá contratempos pelo caminho", mas destacou que o restabelecimento das relações com a ilha "é o começo de uma nova era".

Kerry é o primeiro chefe da diplomacia dos Estados Unidos a visitar a ilha desde 1945.

A visita acontece oito meses após o anúncio solene e simultâneo, em 17 de dezembro, por Barack Obama e Raul Castro, de uma reaproximação histórica.

E num gesto muito simbólico, foram os três marines americanos – Jim Tracy, F.W. Mike East e Larry C. Morris – que em janeiro de 1961 baixaram a bandeira da representação americana, que a entregaram nesta sexta-feira a jovens marines para ser hasteada, selando o entendimento entre antigos inimigos.

"Ver ondular a bandeira americana no Malecón (beira-mar) de Havana é um sentimento tão profundo quanto o sentido em Washington", quando foi hasteada a bandeira cubana, confidenciou à AFP esta semana Hugo Cancio, um dos poucos cubano-americano convidado para a cerimônia.

Na prática, as relações diplomáticas foram restabelecidas – e as embaixadas dos dois lados reabertas – em 20 de julho, mas o departamento de Estado americano chamou esta sexta de um "dia histórico".

Os dois governos romperam relações em 1961, na esteira da revolução de castrista, mas desde 1977 mantém representações de interesses que atuavam como embaixadas.

Pontos de divergências

A breve visita de John Kerry também visa abordar temas sensíveis, como a proteção dos direitos humanos e dissidentes políticos.

Enquanto muitos dissidentes cubanos temem perder o apoio dos Estados Unidos uma vez concluída a reconciliação entre os dois países, Kerry é aguardado com grande expectativa para falar sobre esta questão.

Os opositores também acusam a administração democrata de Obama de ter aberto mão de suas exigências em matérias de direitos humanos e liberdades públicas.

"Vou encontrar dissidentes (…) Terei a oportunidade de me sentar com eles", durante uma recepção, privada, na residência do embaixador americano em Havana, assegurou John Kerry à televisão americana Telemundo pouco antes de sua viagem.

Ele também prometeu que os direitos humanos serão um tema privilegiado em seu programa, indicando que realizará "um passeio livre na cidade velha de Havana".

Mas se as relações entre os dois países se estreitaram, um discurso na quinta-feira do pai da Revolução cubana, Fidel Castro, relembrou os pontos de atrito que permanecem.

Em um texto publicado pela imprensa local, o ex-presidente, afastado do poder desde 2006 por razões de saúde, insistiu nos "milhões de dólares" que os Estados Unidos devem, segundo ele, a Cuba, em compensação ao embargo econômico.

A administração Obama quer o levantamento do embargo, exigido por Cuba, mas isso depende do Congresso, nas mãos dos republicanos, muitos dos quais são contra esta medida, vendo-a como uma recompensa aos irmãos Castro.

Finalmente, Havana, que já obteve a sua remoção de uma lista negra americana de "Estados patrocinadores do terrorismo", ainda aguarda um último passo para selar este novo acordo: a devolução da base naval americana de Guantánamo.