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Abadia de Saint-Maurice: um farol de fé de 1.500 anos em meio às tempestades ideológicas

Saint-Maurice Abbey

Chiara Santomiero - publicado em 18/08/15

Ela foi construída sobre as relíquias de um general romano que não quis renegar o cristianismo

Foi Sigismundo, o primeiro rei bárbaro a se converter ao cristianismo, há mil e quinhentos anos, quem mandou construir esta abadia em 22 de setembro do ano 515, sobre as rochas alpinas que margeiam o vale do rio Ródano. Sigismundo fez desta abadia um local de peregrinação para o seu povo, escolhendo para a sua construção o mesmo lugar em que, no ano de 381, o bispo de Martigny tinha levantado um primeiro santuário dedicado às relíquias de São Maurício.

Maurício também tinha sido pagão: ele era um general romano que se converteu ao cristianismo e, segundo a tradição, foi morto justamente por causa disso. E não sozinho: Maurício foi martirizado junto com todos os soldados da Legião de Tebas, no final do século III, por se recusarem a oferecer sacrifícios ao imperador de Roma.

Estamos na Suíça, no cantão de Valais, onde a abadia de Saint-Maurice está celebrando com um ano jubilar os seus 1500 anos de fundação.

Em 1º de agosto deste ano, Jean Cesar Scarcella se tornou o 95º abade da história de Saint-Maurice. Na celebração solene, ele recebeu das mãos do bispo de Sion, dom Jean-Marie Lovey, as insígnias pontifícias – anel, mitra e pastoral – enquanto era lido o mandado apostólico do papa Francisco, destacando o seu vínculo universal com a Igreja católica. "Sim, aceito", respondeu o novo abade a cada uma das perguntas próprias do rito, que o comprometem com a fidelidade ao cânone, com a educação e a conduta dos irmãos, com a obediência à Igreja e com a oração pelo povo de Deus.

Numa declaração redigida pelo abade anterior, Joseph Roduit, os bispos da Conferência Episcopal da Suíça, da qual o abade de Saint-Maurice faz parte, salientaram que a religião é um fator importante na história do país, "tanto na busca do bem quanto, algumas vezes, no mal lamentavelmente provocado. Embora a Suíça tenha conhecido as tristes guerras de religião, é preciso reconhecer também o papel essencial das Igrejas, que têm perseverado no anúncio do Evangelho".

A abadia de Saint-Maurice é a mais antiga da Europa Ocidental a permanecer constantemente ocupada e seu papel foi fundamental na história da região. O centro monástico, apesar do saque perpetrado pelos longobardos em 574, teve grande florescimento nos seus dois primeiros séculos de vida, com quinhentos monges que se alternavam na igreja para oficiar o rito da “laus perennis” (louvor perene). O louvor ininterrupto a Deus foi o preço da expiação de seu fundador, Sigismundo, manchado pelo terrível crime do assassinato do próprio filho Sigerico. Esta forma de oração foi mantida até o século IX, quando a presença dos monges começou a declinar e vários terremotos exigiram a reconstrução dos edifícios da abadia.

Reis e imperadores se adjudicaram a posse da abadia ao sabor das mudanças de dinastias e alianças políticas. O rei franco Carlos, o Calvo (840-877) a obteve do tio materno Humberto e a deu ao sobrinho Boson V, da Provença. Em 888, foi coroado em Saint-Maurice o primeiro rei da Borgonha, Rodolfo.

Entre 1103 e 1147, Amadeu III de Sabóia, que era um abade leigo, impulsionou o renascimento do complexo monástico. Em 1128, os cônegos que tinham substituído os monges abraçaram a regra de Santo Agostinho.

Na Alta Idade Média, a abadia exerceu um papel político bastante significativo na região, com alguns abades que também foram bispos de Sion e, portanto, condes de Valais; em outros casos, eles se aliaram à Casa de Sabóia em contraposição ao bispo-conde de Valais. Este papel político foi encerrado em 1798, quando Saint-Maurice se tornou uma abadia territorial. Em 3 de julho de 1840, com o documento "In amplissimo", do papa Gregório XVI, os abades de Saint-Maurice receberam em perpetuidade o título de bispos de Belém.

A abadia, assim como a localidade de Saint-Maurice, está na rota da Via Francígena, antigo percurso de peregrinação a Roma, e no centro do diálogo intercultural e inter-religioso das várias igrejas cristãs que fazem parte da rota.

Escreveu o ex-abade Riduit:

“Em um mundo que muda constantemente, esta abadia se ergue como um farol em meio à tempestade de ideias que, em tantas ocasiões, tenta desacreditar os valores de oração e da ação cristã inspirada pelo Evangelho”.
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