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A guarda suíça: um símbolo do cristianismo militante a serviço de Cristo Rei

© Giancarlo GIULIANI / CPP

Aleteia Brasil - publicado em 02/09/15

Conheça a história, curiosidades e declarações do papa Francisco sobre os guardiões da Santa Sé

Desde o dia 22 de janeiro de 1506, a segurança do papa é confiada à Guarda Suíça Pontifícia, que equivale às “forças armadas” da Santa Sé. O famoso corpo de guarda é composto por 5 oficiais, 26 sargentos e cabos e 78 soldados.

História e missão

A Guarda Suíça Pontifícia foi formada a pedido do papa Júlio II, em 1503. Cerca de 150 nobres suíços reconhecidamente corajosos se transferiram a Roma para atender à solicitação de proteção feita pelo pontífice. Na época, a Guarda Suíça era um importante grupo de soldados mercenários que podiam ser contratados pelas potências europeias em troca de pagamento. Desde o século XIX, porém, eles servem apenas à Santa Sé.

Sua missão inclui a guarda do papa durante as visitas de autoridades estrangeiras, o acompanhamento em viagens internacionais e a prestação à paisana de serviços de segurança em eventos multitudinários, quando os guardas se misturam ao povo, mas equipados com armamento variado e com modernos dispositivos de comunicação.

A entrada de novos guardas à corporação acontece no começo de maio, quando os recrutas prestam juramento diante do papa, levantando a mão direita e mantendo abertos os três dedos do meio, em alusão à Santíssima Trindade.

O papa Francisco e os guardas suíços

Em maio de 2015, durante o juramento dos novos soldados, o papa Francisco declarou que a sua relação pessoal com a Guarda Suíça Pontifícia é “uma amizade particular, baseada no amor de Cristo”. Francisco citou o exemplo de Santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas, que tinha sido soldado em sua juventude: quando compôs os Exercícios Espirituais, Santo Inácio falou do “chamado de Cristo Rei” a edificar o seu Reino, um Reino que Cristo quer construir “com a colaboração de pessoas decididas e valentes”.

Santo Inácio compara o mundo com dois acampamentos militares – e somente dois: um tem a bandeira de Cristo; o outro tem a bandeira de Satanás. “Para o cristão, a escolha é clara: a bandeira de Cristo”, enfatiza o papa, complementando: “Um soldado de Cristo participa da vida do seu Senhor. Este é um chamado para vocês também: assumir as preocupações de Cristo, ser companheiros dele”.

O guarda suíço tenta seguir a Cristo, ama a Igreja e é um cristão de fé genuína, declarou Francisco, incentivando-os: “Levem sempre com vocês um pequeno Evangelho para ler nos momentos tranquilos”. O papa também destacou para os soldados a importância da oração pessoal, do rosário e do serviço aos pobres, doentes e necessitados. Por fim, Francisco recordou que os guardas suíços “são um manifesto da Santa Sé”: eles devem testemunhar aos peregrinos o “amor maior” que surge da amizade com Cristo, mediante o seu serviço generoso, profissional e gentil.

Curiosidades

– O inconfundível uniforme dos guardas suíços é feito de malha de cetim nas cores azul-real, amarelo-ouro e vermelho-sangue. O traje teria sido desenhado a Michelangelo, o célebre artista que também pintou o esplêndido teto da Capela Sistina.

– Trata-se do único grupo de soldados particulares que a lei suíça reconhece.

– Só podem fazer parte da Guarda Suíça homens católicos, com diploma profissional ou ensino médio concluído, com idade entre 18 e 30 anos e altura mínima de 1,74m. Não podem ser casados, com exceção dos cabos, sargentos e oficiais. Eles também precisam ter feito treinamento militar no exército suíço, não ter registo criminal e ser de reputação social impecável.

– O tempo de serviço de um membro da Guarda Suíça é normalmente de dois anos, que podem ser renovados até um máximo de vinte.

– A língua oficial da Guarda Suíça é o alemão.

– O lema da Guarda Suíça, em latim, é “Àcriter et fidèliter” (“Com coragem e fidelidade”).

– Seus padroeiros são três: São Martinho, São Sebastião e São Nicolau von Flüe.

– A bandeira da Guarda Suíça contém o emblema pessoal do papa; assim, a corporação é a única do mundo cuja bandeira é alterada com cada novo chefe de Estado.

– A vida cotidiana dos guardas inclui também celebrações litúrgicas, com capela própria onde o capelão do exército pontifício oficia.

– Em setembro de 1943, os nazistas ocuparam Roma e passaram a patrulhar a cidade até a Praça de São Pedro, mas não ousaram invadir o Vaticano. A guarda contava apenas com 60 homens, podendo apenas resistir simbolicamente em caso de ataque. Além disso, o papa Pio XII tinha dado ordens para que a Guarda Suíça não derramasse sangue em sua defesa.

– O primeiro comandante da Guarda Suíça Pontifícia foi Kaspar von Silenen (1506-1517) e o atual é Christoph Graf, nomeado neste ano.

– Em 4 de maio de 1998, o então comandante Alois Estermann, sua esposa Gladys Meza Romero e o vice-cabo Cédric Tornay foram encontrados mortos no apartamento de Estermann. O delito foi atribuído ao vice-cabo Tornay, que tinha sido repreendido por faltas disciplinares e deixado de receber uma medalha habitualmente concedida aos guardas após três anos de serviço. O vice-cabo se suicidou após matar o comandante e sua mulher. O papa João Paulo II celebrou a missa fúnebre de Alois Estermann.

– A Guarda Suíça é responsável pela segurança do papa e dos edifícios pontifícios, mas não do Estado do Vaticano como tal. A Gendarmaria do Estado da Cidade do Vaticano é que se encarrega do policiamento e da segurança da Cidade-Estado, responsabilizando-se pela ordem pública, pelos controles de fronteira e de tráfego, pela investigação criminal e pelas demais funções próprias da polícia.

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