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Ataque do Estado Islâmico contra templo ‘matou’ cidade histórica na Síria

<p>Vista da cidade de Palmira</p>

AFP - publicado em 02/09/15

"Era o símbolo mais bonito da Síria. E o perdemos para sempre"

O grupo Estado Islâmico (EI) destruiu uma das joias da humanidade, o templo de Bel na cidade antiga de Palmira, na Síria, um “crime intolerável contra a civilização”, segundo a Unesco.

“A destruição de Palmira é um crime intolerável contra a civilização, mas nunca apagará os 4.500 anos de história da Síria”, afirma a diretora geral da Unesco, Irina Bokova, em um comunicado divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

“Mataram Palmira”, lamentou o diretor de Antiguidades da Síria, Maamun Abdelkarim, após a divulgação de fotos por satélite que confirmaram a destruição do maior templo da cidade.

“Era o símbolo mais bonito da Síria. E o perdemos para sempre. É o último ato antes da destruição completa de Palmira”, disse.

Os Estados Unidos, por sua vez, condenaram a destruição do templo.

“As tentativas do EI de eliminar as riquezas da cultura e a história da Síria, matando e destruindo, estão condenadas ao fracasso”, disse à AFP o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner.

O porta-voz advertiu que “todos aqueles que destroem patrimônio cultural importante devem responder por seus atos”.

Na segunda-feira à noite, o Instituto das Nações Unidas para Formação Profissional e Pesquisas (UNITAR) anunciou que estava em condições de “confirmar a destruição do principal edifício do templo de Bel, assim como de fileira de colunas próximas”, depois de comparar imagens de satélite obtidas antes e depois de uma forte explosão registrada no mesmo dia.

Em uma imagem de satélite de 27 de agosto é possível observar com clareza o templo, uma estrutura retangular cercada de colunas, que teve a construção concluída no século II. Em outra foto, de segunda-feira, estão visíveis apenas algumas colunas situadas em um extremo do local.

O EI assumiu em 21 de maio o controle de Palmira, que fica 205 km ao leste de Damasco, depois de expulsar as forças governamentais, o que imediatamente provocou temores sobre o futuro do patrimônio sírio.

Pérola do deserto

O templo de Bel, conhecido como a “pérola do deserto”, era se dúvida o mais impressionante de Palmira.

“Combina de forma única a arte oriental e a arte greco-romana. Ainda conserva todos os atributos dos templos antigos, o altar, as colunas. Junto ao templo de Baalbek no Líbano é o templo mais bonito do Oriente Médio”, disse Abdelkarim no domingo, um dia antes de sua destruição.

Sua construção teve início no ano 32 d.C e levou mais de um século. Antes da guerra na Síria, iniciado em maio de 2011, milhares de turistas visitavam o templo todos os anos.

O EI já destruiu várias joias arqueológicas no Iraque, país em que – como na Síria – controla parte do território. O grupo considera as obras religiosas pré-islâmicas, principalmente as estátuas, como idolatria.

Para Charlie Winter, analista da Fundação Quilliam, com sede em Londres, as destruições de antiguidades “têm um verdadeiro significado na visão de mundo dos jihadistas, já que representam o símbolo do politeísmo. Como são obras pré-islâmicas, para eles não merecem existir”.

Mas, de acordo com o analista, os ataques têm como objetivo ocupar as manch etes, no momento em que as execuções selvagens do EI não recebem a mesma atenção da imprensa.

Em 23 de agosto, o EI destruiu com explosivos a totalidade do templo de Baal Shamin. Poucos dias depois, o grupo jihadista divulgou imagens do local reduzido a escombros.

Além da destruição dos templos de Bel e de Baalshamin, algo considerado pela Unesco como como crime de guerra, os jihadistas do EI decapitaram, mutilaram e penduraram em um poste em 18 de agosto o arqueólogo sírio Khaled al-Asaad, de 82 anos, diretor por 40 anos do parque arqueológico de Palmira.

“Os vídeos do EI de homens queimados vivos não ocupam mais a primeira página, ao contrário do que acontece em Palmira, e o EI conhece o potencial simbólico da destruição de ruínas”, explica Winter.

O grupo também pode sentir-se ameaçado pelo exército sírio, que se aproxima da cidade.

“Quanto maior o temor do EI de perder Palmira, maior será a possibilidade de destruir o que restar na cidade”, adverte o especialista.

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