Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Domingo 24 Outubro |
São José Lê Dang Thi
Aleteia logo
home iconEstilo de vida
line break icon

Guerras privam 13 milhões de crianças de ir à escola no Oriente Médio

AFP - publicado em 03/09/15

"O impacto destrutivo dos conflitos é sentido por crianças em toda a região"

Mais de 13 milhões de crianças estão privadas de escola no Oriente Médio por causa de conflitos devastadores em muitos países da região, informou o Unicef, que lamentou o que chamou de “situação desastrosa” para toda uma geração.

“O impacto destrutivo dos conflitos é sentido por crianças em toda a região”, resume Peter Salama, diretor do Unicef ​​para o Oriente Médio e Norte da África.

“Não se trata apenas de danos materiais nas escolas, mas também do desespero sentido por uma geração de crianças em idade escolar que veem as suas esperanças e futuro serem destruídos”, lamentou, comentando um relatório divulgado nesta quinta-feira.

Estas crianças vivem nos países mais afetados da região, como Síria, Iraque, Iêmen, Líbia, Territórios palestinos e Sudão, ou são refugiados no Líbano, Jordânia e Turquia.

No total, mais de 13 milhões, quatro em cada dez crianças nos países mais afetados, não frequentam a escola, “faltando poucos anos para atingir a meta da educação para todos”, ressalta o Unicef.

Mais de 8.850 escolas na Síria, Iraque, Iêmen e Líbia não podem mais acomodar os alunos, porque foram danificadas ou destruídas, ou abrigam deslocados ou beligerantes, segundo o relatório.

E no Iêmen, algumas escolas foram “transformadas em quarteis”, incluindo pelos rebeldes xiitas huthis, “privando os alunos do segundo semestre do ano letivo”, queixou-se um professor em Sanaa, identificado por seu primeiro nome Abdel Hakim.

“Tanques e unidades aéreas estão estacionados nas escolas”, protestou por sua vez Abdel Rab Hassan, diretor de uma escola na capital.

Além disso, as escolas no Iêmen estão fechadas desde o início, em março, dos ataques aéreos da coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita contra os rebeldes.

Perigo

Em Gaza, as crianças utilizam as escolas como abrigos porque suas casas foram destruídas durante a guerra do verão de 2014.

O mesmo ocorre no Iraque, onde algumas escolas abrigam três milhões de pessoas forçadas a fugir de suas cidades afetadas pela violência, especialmente pelo grupo Estado Islâmico (EI).

Síria, Sudão e Iêmen, assim como em grande parte da Líbia, os pais não enviam seus filhos à escola temendo por sua segurança, diz o Unicef.

Ir à escola significa vários “perigos” para muitas crianças, ressalta a organização que contabilizou 214 ataques contra escolas na região em 2014.

Em Benghazi, a segunda cidade da Líbia, apenas 65 das 239 escolas ainda estão abertas.

“Na Síria, o conflito destruiu duas décadas de trabalho de expansão do acesso à educação”, lamenta o Unicef, que indica que mais de 52.000 professores deixaram os seus postos.

Em países vizinhos, mais de 700.000 crianças sírias não estão na escola, especialmente na Turquia e no Líbano, onde as escolas estão superlotadas e falta recursos.

Os conflitos também reduziram significativamente os meios de subsistência das famílias, forçando as crianças a abandonar a escola para trabalhar em condições difíceis e por salários baixos.

As meninas se casam muito novas, às vezes com apenas 13 anos, para aliviar a carga da família.

Privados de educação, alguns jovens acabam por aderir, voluntariamente ou não, grupos armados.

No Iêmen, Haj Saeed lamenta que seu filho de 16 anos, Anwar, “acabou viajando à província de Dhaleh (sul), onde pegou em armas ao lado dos huthis”.

A falta de educação é uma das razões frequentemente apresentadas pelos refugiados sírios que procuram chegar à Europa. “Eu quero que meus filhos possam brincar e ir à escola como todas as crianças”, explicou à AFP Nisreen, uma mãe de 34 anos que chegou este verão na ilha grega de Kos.

Para evitar a perda de toda uma geração, o Unicef apela ao fortalecimento dos métodos de ensino individuais, incluindo digitais, e de tornar a educação uma das prioridades da ajuda humanitária, que atualmente gasta menos de 2% dos seus fundos totais.

Tags:
EducaçãoFilhosGuerra
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
Casal brasileiro com 8 filhos espera gêmeos
Francisco Vêneto
Jovem casal brasileiro com 8 filhos espera gêmeos: “cada um vale ...
2
Reportagem local
A bela lição que este menino deu a todos ao se aproximar do Papa
3
Papa Emérito Bento XVI
Francisco Vêneto
Bento XVI: “Espero me unir logo” aos amigos que já estão na etern...
4
VENEZUELA
Ramón Antonio Pérez
Quando a vida surge do abuso atroz a uma jovem deficiente
5
Carlo Acutis
Gelsomino Del Guercio
“Ele fechou os olhos sorrindo”: foi assim que Carlo Acutis morreu
6
São José
Francisco Vêneto
Padre irmão de piloto de avião partido em dois: “São José tem mui...
7
Papa Francisco São José Menino Jesus
Ricardo Sanches
A oração a São José que o Papa Francisco reza todos os dias há 40...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia