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Estado Islâmico volta a destruir relíquias sírias

<p>Vista geral da cidade de Palmira, Síria, no dia 18 de maio de 2015</p>

AFP - publicado em 04/09/15

Alguns dias atrás, o grupo decapitou e mutilou o arqueólogo Khaled al-Assad, de 82 anos, que foi o diretor durante 40 anos do sítio arqueológico de Palmira

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) explodiu três das famosas torres funerárias de Palmira, na Síria, em mais uma demonstração do desejo de destruir todos os vestígios do patriomônio arqueológico.

Nas últimas duas semanas, o EI reduziu a escombros os dois templos mais bonitos da cidade (Bel e Baal Shamin), que é considerada patrimônio mundial da humanidade.

A guerra síria, que deixou 240.000 mortos e quatro milhões de deslocados desde 2011, também tem consequências devastadoras para um patrimônio de valor inestimável.

“Explodiram três das torres funerárias, as que estavam em melhor estado de conservação, as mais belas”, disse o diretor do Departamento de Antiguidades da Síria, Mamun Abdelkarim.

“Havíamos recebido informações há 10 dias, mas acabamos de confirmar a informação”, completou.

O site Syrian Heritage Initiative, um instituto com sede nos Estados Unidos, divulgou uma imagem por satélite feita em 2 de setembro, que mostra a destruição de pele menos sete tumbas.

De acordo com o diretor, as torres atacadas são as famosas tumbas de Elahbel, de Jamblique e de Khitot, “construídas por famílias ricas da antiga Palmira e que simbolizavam o desenvolvimento econômico da cidade nos primeiros séculos da nossa era”.

“Palmira é conhecida por suas torres funerárias que são características da arquitetura da cidade”, recordou o diretor.

Cada torre, com superfície de 40 metros quadrados, tinha sua especificidade.

“Jamblique (83 d.C.) estava ricamente decorada com afrescos, a de Elahbel (103 d.C.) era a mais famosa e melhor conservada e a de Khitot a mais antiga (44 d.C.) e continha uma escultura de um homem com sua família”, explicou Abdelkarim.

Os monumentos funerários ficam no Vale das Tumbas e são um testemunho dos “extraordinários métodos de decoração e construção daquela civilização”, segundo o site da Unesco.

O EI assumiu o controle de Palmira, 205 km ao leste de Damasco, no dia 21 de maio, depois de expulsar as forças governamentais, o que provocou um grande temor sobre o futuro do patrimônio sírio.

Os jihadistas consideram as obras religiosas pré-islâmicas, principalmente as estátuas, peças de idolatria.

O grupo extremista já destruiu várias joias arqueológicas nos territórios que ocupa no Iraque e na Síria

Memória que se apaga

Em 23 de agosto, o EI destruiu completamente o templo de Baal Shamin em Palmira.

Alguns dias antes, o grupo decapitou e mutilou o arqueólogo Khaled al-Assad, de 82 anos, que foi o diretor durante 40 anos do sítio arqueológico de Palmira e era um dos grandes especialistas mundiais.

No domingo passado, o EI destruiu o templo de Bel na mesma cidade, que era considerado por muitos o mais belo tempo do Oriente Médio ao lado de Baalbeck, no Líbano.

Arqueólogos advertem há meses sobre os riscos para o patrimônio sírio e continuam preocupados com os demais tesouros da cidade antiga de Palmira, “a pérola do deserto”, incluindo dezenas de túmulos, o anfiteatro e o templo de Nabu.

Por sorte, as autoridades conseguiram retirar peças de valor incalculável do museu e salvar diversas obras.

“A memória dos sírios se apaga diante de um mundo que fica de braços cruzados de instituições que se conformam em condenar. Nosso povo está farto de condenações”, declarou à AFP Sheikmus Ali, da Associação para a Proteção da Arqueologia Síria.

Ele calcula que mais de 900 monumentos ou jazidas arqueológicas foram danificados ou destruídos em quatro anos e meio de guerra.

Tags:
Estado Islâmico
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