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Eu, Deus e meu tempo de solteiro

LoloStock

Destrave - publicado em 04/09/15

Estar solteiro não é doença, tampouco vocação; não é estar sozinho nem é sinônimo de solidão. É um tempo só seu, dure o quanto durar

Enquanto uns lidam com a “solteiritite”, como se fosse uma doença, outros a tomam para si como uma espécie de vocação, o “solteirismo”, mas eu acredito em uma terceira opção; embora eu não tenha um nome para defini-la agora, é algo que resulta da soma de espera + caminhada + preparação.

Na “solteiritite”, alguns parentes olham preocupados para você, como se o caso fosse contagioso ou terminal. Só um milagre mesmo! A pessoa solteira que julga ter “solteritite” tem comportamentos beirando o desespero. Tudo que ouve dizer que é cura ou simpatia para conseguir qualquer pessoa, ela experimenta. Ela tem muito medo de morrer com essa doença que diz ter, e vive em função dela; até acha uns “remédios” que aliviam os sintomas, mas estes acabam voltando piores!

Do outro lado, há os que consideram o “estar solteiro” uma espécie de vocação, isso é o “solteirismo”. Assumem para si esse título aqueles que acham estar bem nessa situação. Aparentam estar certos, decididos a trilhar essa vocação. Uma pena! Nutrem-se de doses de alegrias instantâneas, enxergam dificuldades em construir e buscar uma verdadeira e duradoura felicidade. Não entenderam a beleza que é compartilhar o dom mais precioso que Deus lhes dá: a vida.

Estar solteiro não é uma doença tampouco uma vocação, não é estar sozinho nem é sinônimo de solidão. É um tempo só seu, dure o quanto durar. É tempo de se conhecer, conquistar-se e amar-se, talvez até de descobrir em si os motivos que o fazem estar solteiro. Que bom! É tempo de fazer uma viagem no tempo e reparar as lacunas da sua história. É tempo de melhorar e estar pronto para receber alguém na sua vida.

É urgente, no entanto, um amor próprio antes de qualquer abertura a outro amor. O amor próprio é uma lacuna única que só deve ser preenchida por si. Corremos o risco de buscar em alguém um sentimento que cabe a nós preencher. Insistimos em uma dependência afetiva que suga e desgasta nossos relacionamentos.

Mais importante que o amor próprio é a reciprocidade do amor de Deus. Mesmo que em mil vidas não consigamos retribuir o amor d’Ele por nós, é fundamental essa prioridade em nossa ordem afetiva. O amor de Deus, para quem o busca, é uma experiência única, tal como um tesouro nunca encontrado. Por isso, afirmo que solteiro não é sozinho e, com Teresa D’Ávila afirma, só Deus basta. É um amor tão presente, que eu não me vejo no direito de me sentir só. É um amor que vem para guiar e ordenar todos os outros amores, sentimentos… Cada amor deve estar em seu devido espaço.

Pois bem. Na linha de chegada desse tempo bem vivido, eis que a encontro, aquela que ama esse Amor Incondicional, que encontra n’Ele os caminhos a seguir e enfrenta, confiante, todos os ‘nãos’ da vida e, ainda que com dores e angústias próprias do ser humano, permanece ancorada com o barco da sua vida no Porto Seguro que é o amor de Jesus.

Gentilmente, peço a chance de amarrar meu barquinho bem ao lado do dela. Não só no mesmo porto, mas numa vaga mais coladinha, para conversarmos, ficarmos perto um do outro, para convivermos e até para o caso de um barco afrouxar a corda e o outro estar perto para puxar de volta. Não podemos perder o porto de vista. A inversão de prioridade afrouxa a corda do barco e o afasta da segurança do porto.

A reciprocidade desse amor de “vizinhança” começa a crescer, até que estejamos prontos para abrir mão dos nossos barquinhos e navegarmos juntos, dividirmos um barco novo. Mais uma vez, gentilmente eu lhe peço: “Quer me amar em segundo lugar para sempre?”.

“Só em Deus o homem encontra a verdade e a felicidade que não se cansa de procurar” (CIC 27).

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