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Um golpe certeiro no aborto: a misericórdia!

Monumento al niño no nacido – pt

© DR

Aleteia Brasil - publicado em 08/09/15

Ao enfatizar o perdão para as mães que abortaram, o papa Francisco eleva o assunto para muito acima da frieza das normas

O Papa Francisco recomendou, recentemente, que se tenha mais misericórdia em relação às mulheres que abortaram. Não é difícil imaginar uma infinidade de publicações dizendo que “a Igreja está aceitando o aborto”. Mas nada estará mais errado que essa interpretação, porque a Igreja não mudou nada do seu ensinamento sobre a dignidade da vida humana desde o instante da sua concepção até a sua morte natural.

A segunda coisa que me veio à cabeça quando li sobre o assunto foi o Bom Ladrão (a primeira coisa tinha sido que iam interpretar errado…). O Bom Ladrão foi aquele sujeito com uma vida toda torta que, quando viu Jesus crucificado, entendeu o que tinha feito e se arrependeu, foi perdoado e ganhou o céu ali mesmo, na cruz em que ele próprio estava. Algumas pessoas têm a falsa impressão de que isso é “facilitar o caminho para o céu”. Não, não é, tanto que um dos ladrões não ouviu a mesma promessa. Mas é uma oportunidade de trazer alguém para o seio da Igreja. E alguém que vai fazer a diferença!

Não creio que o Papa Francisco tenha pensado na proposta de maior misericórdia para com as mulheres que abortaram como um “estratégia”. Ele é bom e simples demais para isso. Mas, se fosse mesmo para criar uma estratégia contra o aborto, esta seria como aquele drible desconcertante no final do jogo, que pega todos de surpresa e deixa o adversário sem saber o que fazer.

Há uma série de razões para pensarmos assim. Todo mundo sabe que abortar, hoje em dia, é fácil demais. Sistemas de saúde do mundo inteiro oferecem esta “oportunidade” num momento em que as pessoas estão extremamente fragilizadas – depois, porém, elas carregarão o trauma do aborto pela vida afora. O gesto do papa é exatamente contra isto!

Só conseguirá o perdão, afinal, quem realmente quiser ser perdoado. Não é a mulher que abortou e não se preocupa com isso que vai procurar a Igreja, mas sim a mulher que sofre por ter abortado: aquela que sente a dor, a angústia, o arrependimento, o remorso e, imagino eu, uma espécie de solidão infindável gerada pelo aborto. Uma vez perdoada, ela voltará para a Igreja, não digo como o filho pródigo, mas como muito mais do que isso: a cicatriz dela não vai sumir, até porque uma cicatriz dessa natureza não some nunca, mas o fato de sentir-se no seio da Igreja será algo muito maior do que ela esperava. E estas serão as mulheres abertamente contrárias ao aborto – e com muito mais autoridade, porque não estarão falando de um drama dos outros, mas de um drama delas próprias. As leis não impedem o aborto – coisa que podemos ver facilmente; mas a fé e o exemplo de quem passou por ele sim.

O Papa Francisco, em sua humildade e capacidade de acolhimento, fez o maior gesto que já vi em favor da vida. Obrigado!

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Texto enviado pelo leitor de Aleteia João Pedro Strabelli, a quem agradecemos por compartilhar esta bela e profundamente cristã reflexão!

Tags:
AbortoMisericórdiaPapa Francisco
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