Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Sexta-feira 22 Outubro |
Santos Filipe e Hermes
Aleteia logo
home iconEspiritualidade
line break icon

Se a cruz remete ao sofrimento, por que nós a exaltamos?

lent

Rick Schroeppel | Shutterstock

Arautos do Evangelho - publicado em 14/09/15

A piedade católica criou várias formas de devoção àquilo que representa a Redenção do gênero humano: a Santa Cruz de Jesus Cristo

“O crux ave, spes unica.
Hoc passionis tempore.
Piis ad auge gratiam. Veniam dona reisque.”

“Salve a cruz, nossa única esperança.
Neste tempo de sofrimento, concede graça e misericórdia
àqueles que aguardam julgamento”.

A condenação à morte pelo suplício da cruz era uma morte ignominiosa, reservada para os ladrões e assassinos. Segundo nos relata Cícero, os romanos tinham duas maneiras de eliminar os criminosos: uma nobre, a decapitação, e outra ignominiosa, que era a morte pela cruz. Portanto, Cristo morreu pela maneira mais cruel, a morte pela cruz.

No suplício da cruz o condenado, ao ser pregado na cruz, chegava ao máximo da dor, uma vez que ao ter suas mãos pregadas na cruz, cada prego lhe dava uma descarga nos nervos, que fazia com que o condenado gritasse de dor. Na cruz, o condenado perdia muito sangue e, em geral morria de asfixia, após muitas horas de sofrimento e, se continuava vivo, suas pernas eram quebradas e, neste caso, a morte era instantânea por asfixia. Com efeito, na cruz, a respiração é lenta e mais curta, pois o ar penetra os pulmões, mas não consegue fluir e o condenado tem sede de ar, semelhantemente ao asmático em plena crise.

Bem, estamos rememorando esses fatos, para lhes dizer como foi cruel e dolorosa a morte de Jesus na Cruz. Entretanto, segundo os Evangelhos, Cristo ressuscitou e a cruz vazia passou a indicar para o cristão uma fonte de salvação e de ressurreição.

Diz a história que, no dia 27 de outubro do ano 312 depois de Cristo, dois exércitos se defrontam às portas de Roma. O primeiro sai dos Muros Aurelianos para posicionar-se ao longo das margens do Tibre, junto à Ponte Milvio, comandado por Marcos Aurélio Valério Massêncio. O segundo, que desceu de Trier (na Alemanha) rumo a Roma, se coloca ao longo da via Flaminia, guiado por Flávio Valério Constantino. Os dois contendores lutam pelo título de Augusto do Ocidente, um dos quatro cargos supremos, na Tetrarquia, o novo sistema de governo do Império, ideado por Diocleciano.

O sol começa a se por quando as tropas de Constantino vêem repentinamente surgir no céu um grande sinal luminoso, com uma frase chamejante: “In hoc signo vinces” “Com este sinal vencerás”.

Eusébio de Cesareia, o primeiro grande historiador da Igreja recorda o acontecimento com estas palavras: “Um sinal extraordinário aparece no céu. (…) Quando o sol começava a declinar, Constantino vê com os próprios olhos, no céu, mais acima do sol, o troféu de uma cruz de luz sobre a qual estavam traçadas as palavras IN HOC SIGNO VINCES. Foi tomado por um grande estupor e, com ele, todo seu exército”.

Com efeito, Constantino venceu e deu total liberdade aos cristãos, até então perseguidos pelo Império Romano. Com este fato histórico, a Cruz de Cristo, antes venerada com respeito, passou a ser símbolo de vitória, pois do lenho da cruz partiu a salvação do mundo. Daí, na exaltação da Santa Cruz e na Sexta Feira da Paixão, a Igreja canta, ao apresentar a cruz para que os fieis prestem adoração ao Cristo crucificado e morto: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo.”

A cruz para o cristão, portanto, não é símbolo de morte, mas de vida. Ela é nossa única esperança. A cruz está sempre presente na vida da Igreja, quer na celebração da Eucaristia, que no Batismo e demais sacramentos. O sinal da cruz é o indicativo de que a pessoa é cristã e nós o usamos sempre no início da Missa, com esse sinal nós somos abençoados e abençoamos em nome do PAI, do FILHO e do ESPÍRITO SANTO. Portanto, exaltar a cruz é exaltar a morte de Cristo e proclamar que Ele está vivo e por seu sacrifício na Cruz nos obteve a salvação.

Bendita e louvada seja a cruz bendita do Senhor, símbolo de vida e de ressurreição!

(Fonte: Arautos)

Tags:
CruzSofrimento
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
VENEZUELA
Ramón Antonio Pérez
Quando a vida surge do abuso atroz a uma jovem deficiente
2
Reportagem local
A bela lição que este menino deu a todos ao se aproximar do Papa
3
Casal brasileiro com 8 filhos espera gêmeos
Francisco Vêneto
Jovem casal brasileiro com 8 filhos espera gêmeos: “cada um vale ...
4
Pe. Zezinho
Reportagem local
Pe. Zezinho faz alerta sobre orações de cura e libertação
5
Carlo Acutis
Gelsomino Del Guercio
“Ele fechou os olhos sorrindo”: foi assim que Carlo Acutis morreu
6
São José
Francisco Vêneto
Padre irmão de piloto de avião partido em dois: “São José tem mui...
7
morning
Philip Kosloski
Uma oração da manhã fácil de memorizar
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia