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Desradicalizando terroristas do Boko Haram: futebol, catecismo e alcorão

Aleteia Brasil - publicado em 15/09/15

Um presídio nigeriano está empenhado em resgatar as mentes sequestradas pelo extremismo

Em uma prisão da Nigéria, cuja localização a BBC omite por razões de segurança, são disputados jogos de futebol todo dia, em times de seis contra seis, verdes contra amarelos. Não se trata de “distrair” os detentos, mas de ajudá-los a se desradicalizar após longos anos de permanência nas fileiras do grupo terrorista islâmico Boko Haram, conhecido mundialmente por seus ataques imprevisíveis e pela sua crueldade brutal.

No início, poucos dos 45 “prisioneiros especiais” aceitaram participar da iniciativa. Eles tinham medo de contrariar a proibição da prática de esportes, decretada pelo grupo terrorista do qual faziam parte. Mas, “ao verem outros presos se animando, eles começaram a se abrir”, diz à BBC Emmanuel Osagie, da equipe de recuperação e reinclusão social dos ex-terroristas.

“Eu amava a minha religião”

O goleiro do time amarelo está começando a mudar a sua visão de mundo. “Quando eu cheguei aqui, não aceitava nenhuma ordem. Eu brigava o tempo todo. Não tinha respeito. Para mim, eles [os carcereiros e gestores do presídio] não eram seres humanos“. Preso há quatro anos, ele acrescenta: “Eu amava a minha religião. Quando Mohammed Yusuf (antigo líder do Boko Haram) foi pregar na minha aldeia, eu o segui… Simplesmente o segui“.

Visitas espirituais muçulmanas…

O homem entrevistado pela BBC disse que nunca usou uma arma. No entanto, admite que tinha o desejo de participar da jihad, a “guerra santa”. Hoje, depois de falar com vários imãs, ele alega ter mudado: “Quando os imãs vinham à prisão, eu os achava hipócritas e os insultava. Mas eles perseveraram e eu comecei a respeitá-los porque eles me respeitavam. Eles me fizeram entender que eu estava errado. Quando eu percebi que tinha destruído a minha vida, comecei a chorar. Meus irmãos têm esposas e filhos. Eu também quero reconstruir a minha vida“.

…e também cristãs

Além das visitas de imãs, vão ao presídio padres católicos que apresentam outro conceito de religião aos prisioneiros. “É importante apresentar a eles o cristianismo também. Muitas crianças aprendem o alcorão de cor e só isso. Mas eles precisam entender o significado daquilo que aprendem, incluindo o respeito pelas outras religiões“, diz a psicóloga Fátima Akilu.

“Abubakar Shekau, um líder obstinado e cruel”

Alguns detentos, à medida que começam a enxergar a realidade, descrevem a crueldade do novo líder do Boko Haram. Abubakar Shekau representa um futuro muito sombrio se nada for feito para deter a ação terrorista do seu grupo extremista na Nigéria, no Níger e em Camarões. “Ele é um homem perigosamente obstinado“, dizem os presos. “Se você usar uma camisa preta e ele disser que é branca, nada vai mudar a cabeça dele. Foi sob a direção e o controle dele que o movimento se tornou tão violento e radicalizado. Eles não têm nenhum respeito pela vida humana“. Outro detento, que também participa dos jogos de futebol, completa: “Na minha cabeça, eu só estava lutando contra as mentiras e a opressão do governo“.

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