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Em outubro, o Sínodo sobre a Família: mais colaboração orgânica entre o papa e os bispos

Almond Butterscotch Dhukka , Almond Butterscotch

Il Sismografo - publicado em 15/09/15

Uma entrevista com o cardeal Baldisseri, secretário geral do Sínodo dos Bispos

“A instituição do Sínodo não é voltada a produzir rivalidades de poder ou dificuldades de governo na Igreja, mas sim maior comunhão e colaboração orgânica entre o papa e o episcopado”, disse o cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário geral do Sínodo dos Bispos, ao explicar a importância do Sínodo sobre a Família à luz de Paulo VI e do Concílio Vaticano II.

Eminência, em seus discursos sobre os dois sínodos da família, o senhor sempre enfatizou a relevância do método de conduzi-los. Por que o considera tão importante?

Porque ele implica, antes de tudo, atuar no espírito e na forma do Concílio Vaticano II, de acordo com a mente da instituição sinodal querida por Paulo VI. A importância dos modos de realização, por conseguinte, não é secundária em relação ao tema discutido neste caso, que é a família. Durante a próxima assembleia sinodal ordinária, também planejamos a comemoração especial do quinquagésimo aniversário de fundação da instituição do Sínodo dos Bispos, pelo papa Paulo VI.

Quando vai ser?

O evento será no dia 17 de outubro, no meio do decurso do sínodo. Dedicaremos, na Sala Paulo VI, uma manhã inteira à comemoração do evento, aberto ao público. Haverá uma grande participação de instituições eclesiais.

A programação já foi definida?

O cardeal Christoph Schönborn, de Viena, fará um relatório sobre os cinquenta anos de atividade sinodal. Seguirão cinco pronunciamentos, de representantes dos diversos continentes, destacando não só as assembleias sinodais gerais, ordinárias e extraordinárias, mas também as assembleias especiais da África, da Europa, da Ásia, das Américas e da Oceania, acompanhadas por uma apresentação visual com as passagens mais importantes dos sínodos anteriores. Por fim, esperamos um discurso ad hoc do papa sobre a importância do instrumento sinodal para a Igreja.

Qual é a importância que Paulo VI deu a este instrumento?

Para Paulo VI, o sínodo tem como referência a comunhão eclesial: ele surge dela e nos leva a ela. Por isso, a instituição do Sínodo dos Bispos deve ser pensada em conexão com esta comunicação mútua. Na abertura da primeira assembleia extraordinária, ele disse que a colegialidade, sendo comunhão, é corresponsabilidade, pressupondo o diálogo entre os bispos e o papa. O sínodo, portanto, retrata de alguma forma a imagem do Concílio, reflete o seu espírito e método e evoca os seus carismas de sabedoria e caridade.

Os sínodos atuais refletem esse modo de viver a comunhão da Igreja?

O papa Francisco sublinhou justamente a colegialidade efetiva que se expressa através do sínodo, mas também destacou que se trata de uma modalidade central na jornada de toda a Igreja em todos os níveis, não só da hierarquia, mas de todo o povo de Deus, como o Concílio expressa. Ele quis dar continuidade à intuição e à realização de Paulo VI.

Quais são os aspectos que o senhor considera positivos dos atuais trabalhos do sínodo?

O que é interessante e, na minha opinião, expressa a novidade dos sínodos atuais é que o povo de Deus foi envolvido diretamente, não indiretamente. O trabalho que foi feito e que faz parte dos “instrumenta laboris” veio da base, tanto para o sínodo extraordinário quanto para o ordinário. Isso não tinha acontecido nos sínodos precedentes; as contribuições vinham indiretamente, através das conferências episcopais. A secretaria geral do sínodo, agora, pediu e recebeu respostas diretamente dos fiéis e dos grupos paroquiais.

O senhor viu então a sinodalidade se realizando nestes dois anos…

Nestes dois anos tem havido um esforço muito grande do papa para mostrar as prerrogativas indispensáveis ao caminho da Igreja, para mostrar que caminhar com o povo de Deus é a base da evangelização. Vi alguma dificuldade por parte dos bispos porque não era habitual realçar este aspecto essencial. É uma atitude a ser formada. Esperamos que a sinodalidade esteja presente na mentalidade de todos nós que estamos na Igreja, não apenas como modus operandi.

Ainda é preciso, então, assimilar a sua verdadeira substância?

O ponto principal é entender que a parresia não é conflito. Não é combater o adversário. A confrontação deve ficar no âmbito do diálogo, do intercâmbio, com honestidade e humildade. Estes dois pontos o papa quis enfatizar no importante discurso do encerramento do sínodo extraordinário. E é fundamental para crescermos nessa direção. O espírito e a dinâmica do sínodo é o de participar de uma reflexão colegial, cum Petro et sub Petro, sobre as diversas realidades ligadas à experiência dos homens e das mulheres na família, para analisá-las do jeito que elas acontecem, verificar os passos a dar com a humildade da escuta recíproca, à luz do Evangelho, e amadurecer propostas e soluções. Por isso, trabalhamos em comunhão nas várias questões e nas propostas em análise.

E o papa é o avalista desse trabalho…

Claro. O sínodo não é um parlamento, não é um lugar de confrontação pelo poder ou para alcançar objetivos mundanos, com critérios mundanos de perspectiva. É o lugar da escuta e das decisões tomadas cum et sub Petro, com a assistência do Espírito Santo. É o que afirmava com clareza Paulo VI ao destacar os caracteres considerados essenciais e constitutivos da instituição que nasceu da doutrina e do espírito do concílio ecumênico: esta instituição “é voltada não a produzir rivalidades de poder ou dificuldades de governo ordenado e eficaz dentro da Igreja, mas a uma propensão mútua do papa e do episcopado à maior comunhão e à colaboração orgânica”.

Sua Eminência disse que a resposta da base às perguntas da secretaria geral sobre os problemas da família foi muito ampla. Isto dará orientação à assembleia…

No período intersinodal, houve uma significativa e ampla participação não só das conferências episcopais e dos aprofundamentos teológicos, simpósios e conferências. O Pontifício Conselho para a Família fez uma grande contribuição com a publicação que reúne várias reflexões. E, em primeiro lugar, temos que dizer que o papa fez um grande serviço com as suas catequeses das quartas-feiras sobre a família, iniciadas em novembro do ano passado e que, certamente, deram uma orientação precisa.

Na sua opinião, qual é a importância da recente reforma nos processos de nulidade matrimonial, amadurecida durante o sínodo extraordinário e durante o percurso até o novo sínodo ordinário da família?

Eu acho que esta reforma lança plena luz ao reconhecimento da eclesiologia do Vaticano II, do valor da sacramentalidade do episcopado, do valor da sinodalidade episcopal.

E qual é a influência que essa reforma pode ter na próxima assembleia sinodal?

A reforma resolveu alguns pontos que foram considerados pelos padres sinodais e sobre os quais havia convergência e vontade quase unânime de seguir neste sentido, por parte dos episcopados. Agora serão considerados os caminhos de fé das situações que precisam do acompanhamento de uma pastoral de integração.

O senhor acha que serão deliberadas soluções compartilhadas por todos, no caso dos divorciados que voltam a se casar?

O sínodo não é deliberativo. Só o papa ou um concílio em comunhão com o papa pode deliberar. A tarefa do próximo sínodo é avaliar com autêntico discernimento as propostas que vão emergindo e expressar colegialmente indicações pastorais, propostas de soluções adequadas, no respeito pela verdade e na caridade, e entregá-las ao papa.

__________________

Stefania Falasca, em Il Sismografo

Tags:
FamíliaIgrejaSínodo
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