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Provas científicas: embrião se comunica com mãe desde primeiros instantes de vida

Observatório de Bioética - publicado em 09/10/15

O corpo materno se prepara para recebê-lo – coisa que não aconteceria se ele fosse um mero “aglomerado de células”

Um tema crucial para a bioética é o “estatuto biológico do embrião humano”, ou seja, as provas de que o embrião humano é um ser biológico da nossa espécie e não um simples aglomerado informe de células, já que este fato é fundamental para a afirmação de que qualquer técnica que leve à sua destruição é bioeticamente inaceitável.

Um argumento em defesa desta tese é o “diálogo entre o embrião e sua mãe”, isto é, a comunicação biológica estabelecida entre o filho e a mãe desde a passagem do embrião pela trompa de Falópio até a sua implantação no útero materno.

O fato de o embrião humano estabelecer esse dialogo biológico com o endométrio uterino é uma prova sólida de que ele não é um mero “aglomerado celular”, mas um ser vivo da nossa espécie.

Diálogo materno fetal

E em que consiste esse diálogo?

Durante a sua passagem pela trompa de Falópio e a sua implantação no endométrio materno, o embrião produz e segrega uma série de compostos bioquímicos que agem sobre o endométrio para facilitar a implantação; é como se o embrião avisasse à sua mãe de que está chegando ao lugar de aninhamento em seu útero para que ela se prepare, adequando o entorno em que o filho vai se implantar.

Por sua vez, o endométrio materno produz e segrega outros compostos no fluido endometrial em que o embrião está imerso, os quais são fundamentais para a sua implantação.

Nesse diálogo materno fetal também ocorre outro fato biológico: a diminuição da atividade imunológica da mãe para facilitar a implantação do filho, o que igualmente destaca a natureza de ser vivo organizado do embrião.

O embrião é um ente biológico “estranho” à mãe, pois a metade do seu conteúdo genético procede do pai: portanto, ele poderia ser rejeitado pelo sistema imunológico materno. É justamente para evitar isto que a mãe reduz a sua atividade imunológica, facilitando assim a implantação do filho (imunidade materno-fetal).

Um artigo publicado em 2015 no periódico científico “Development” (142; 3210-3221, 2015 ) despertou grande atenção por comprovar que os elementos incluídos no fluido secretado pelo endométrio materno, que embebe o filho durante o seu processo de implantação, podem modificar a expressão gênica do filho.

Esta constatação tem importantes consequências biomédicas e bioéticas. Do ponto de vista biomédico, esta inter-relação genética poderia aumentar o risco de que o filho sofresse de algumas doenças, como diabetes de tipo 2, ou de condições biológicas capazes de aumentar riscos como o da obesidade.

Esta inter-relação entre mãe e filho poderia também ocorrer na fecundação in vitro quando se utilizam óvulos doados, ou seja, que não são da mãe, ou quando se recorre à chamada “mãe de aluguel”.

No primeiro cenário, poderia ser modificada a expressão gênica do filho pela influência das mensagens maternas; isto quer dizer que seria incorporada ao genoma do filho uma informação procedente do endométrio materno. Assim, de alguma forma e muito parcialmente, chegaria a constituir-se um embrião modificado geneticamente pela influência da mãe biológica.

No caso das mães de aluguel, elas também poderiam influenciar o genoma do filho, o que significa que poderiam estabelecer-se laços biológicos com o filho gestado, indo-se além dos laços que a própria gravidez propicia. Portanto, com a mãe modificando a expressão do genoma do filho, a sua relação se intensificaria substancialmente e este fato poderia criar mais problemas biológicos e sociológicos do que hoje se pensa a propósito dessas práticas.

Justo Aznar e Julio Tudela, do Observatório de Bioética da Universidade Católica de Valência, Espanha

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