Receba o boletim diário da Aleteia gratuitamente no seu email.
Receba diretamente no seu email os artigos da Aleteia.
Cadastrar-se

Sem condições de apoiar?

Veja 5 formas de você ajudar a Aleteia

  1. Reze por nossa equipe e pelo êxito de nossa missão
  2. Fale sobre a Aleteia em sua paróquia
  3. Compartilhe os artigos da Aleteia com seus amigos e familiares
  4. Desative o bloqueio de publicidade quando nos visitar
  5. Inscreva-se para receber nosso boletim gratuito e leia-nos diariamente

Obrigado!
Redação da Aleteia

Enviar

Aleteia

Kama Sutra católico?

Creative Commons
Compartilhar

Livros supostamente católicos estão vendendo uma visão da sexualidade que precisa de esclarecimentos

“O sexo como vocês não conhecem: para cônjuges que amam a Deus” é um livro que a imprensa internacional batizou de “Kama Sutra católico”. Escrito pelo padre polonês Ksawery Knotz, este título e outros similares se tornaram sucessos de venda sem grande esforço publicitário em sociedades tão erotizadas como as ocidentais.

Os livros propõem a redescoberta de um importante “segredo” do amor no matrimônio: a integração entre a sexualidade e o bem da pessoa.

O padre Knotz é doutor em teologia pastoral e conta com o apoio da conferência episcopal polonesa, mas… não se atém estritamente aos âmbitos “doutrinal, pastoral e relacionado com a consciência”, como cabe ao seu ministério e como a doutrina da Igreja católica recomenda.

Ele faz o papel de médico, psicólogo e conselheiro matrimonial, sem ser nem médico, nem psicólogo, nem conselheiro matrimonial. Além disso, como escritor, usa de uma “liberdade literária” que o faz aparecer como “autoridade na matéria”, apesar da pouca novidade das suas afirmações.

Seu argumento “pastoral” é que, quando começou a trabalhar como assessor espiritual de casais, percebeu o “medo” com que alguns casais católicos viviam o sexo: como se fosse algo pecaminoso, sujo, vergonhoso.

Ora, mas a doutrina católica já diz claramente que a relação sexual no matrimônio “é uma necessidade, um bem e um valor”. O sexo é parte “constitutiva do sacramento”, a ponto de a Igreja católica declarar a nulidade dos casamentos em que não acontece a união sexual. Para a Igreja, as relações sexuais do casal são muito importantes para que os esposos melhorem o seu relacionamento, já que, quando falta esta intimidade, uma série de problemas pode surgir.

Além disso, a Igreja incentiva a boa formação de leigos no tema para prestarem aconselhamento e terapia de casal; leigos comprometidos com a fé, que exerçam essa missão também da perspectiva da própria experiência matrimonial, capazes de esclarecer qualquer dúvida em favor do matrimônio e da família.

A grande verdade moral (que não é nenhuma novidade) é que, no autêntico amor entre esposos, o sexo é um reduto fisiológico em que todas as expressões que levam à intimidade realizadora são válidas quando vividas sem falsificações que prejudiquem o seu caráter unitivo e procriativo; quando promovem a dignidade da pessoa na visibilidade do seu corpo; quando são a “celebração” de uma vida de esforçada fidelidade.

O sexo no matrimônio faz parte do plano de Deus e, portanto, é bom e santo. Sendo as relações sexuais uma linguagem com que os esposos expressam sentimentos, paixões e afetos, elas são uma espécie de “cereja do bolo”.

A sexualidade se integra no bem da pessoa casada: o amor se expande livremente numa ampla e profunda relação que exige entrega gozosa, abnegação e dom de si mesmo ao outro em meio a todas as circunstâncias da vida. Um amor que se reveste de delicadezas e atenções à pessoa amada, no desejo de vê-la desenvolver-se e ser feliz.

Knotz pretende oferecer respostas e soluções que estão implícitas na sadia relação pessoal de quem consegue integrar a sua sexualidade como um bem, livrando-se da escravidão do egoísmo e permitindo-se crescer no domínio e na responsabilidade sobre si mesmo ao entregar-se como o mais nobre presente à pessoa amada. Este é que é o verdadeiro segredo do amor!

Muitos casais se perguntam: “O que podemos fazer e o que não devemos fazer? Qual é o limite? Se ambos permitimos e queremos, qual é o problema?”.

Há estímulos válidos e compatíveis com uma vida em graça, com a verdadeira comunhão entre um homem e uma mulher que se amam: música, vinho, ambientação… Aliás, essa bela dimensão do estímulo à intimidade do casal deve ser cuidada com esmero. O risco é o exagero de incentivos ao mero instinto sexual, que oculta o egoísmo da autossatisfação. Esse egoísmo impede a plena entrega de um para o outro e, mais ainda, o acolhimento do outro: em maior ou menor grau, um dos dois se sentirá usado, instrumentalizado, e um ato que deveria ter sido unitivo se torna o contrário: um ato de exploração, que vai se transformar em ressentimento na menor das crises matrimoniais.

Knotz vai vender muitos livros em nossa sociedade erotizada. E passará o tempo e virão outros mais audazes, que tentarão impregnar de suposta racionalidade as paixões e a sensibilidade humana, fazendo da intimidade no matrimônio algo cada vez mais trivial ao separar “doutoralmente” a sexualidade do amor, tornando-a objeto de comércio.

Potencializa-se, assim, o risco de reduzir o matrimônio a uma questão “erótica” – e isso não é matrimônio. Dizia o então cardeal Joseph Ratzinger: a sexualidade foi trivializada, banalizada, porque se reduziu ao prazer; mas a sexualidade é um mistério muito grande, porque é um projeto de Deus de criar o ser humano para o amor; é um modo de participar da realidade de Deus!

Boletim
Receba Aleteia todo dia
São leitores como você que contribuem para a missão da Aleteia

Desde o início de nossas atividades, em 2012, o número de leitores da Aleteia cresceu rapidamente em todo o mundo. Estamos comprometidos com a missão de fornecer artigos que enriquecem, informam e inspiram a vida católica. Por isso queremos que nossos artigos sejam acessados por todos. Mas, para isso, precisamos da sua ajuda. O jornalismo de qualidade tem um custo (maior do que o que a propaganda consegue cobrir). Leitores como você podem fazer uma grande diferença, doando apenas $ 3 por mês.