Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Terça-feira 27 Julho |
São Galactório
home iconEstilo de vida
line break icon

A revista Playboy se rendeu. Será que estamos chegando à saturação da pornografia?

Aleteia Brasil - publicado em 22/10/15

Famosa publicação “adulta” concluiu que a única maneira de se destacar no mercado hoje é mostrar suas modelos vestidas

A revista Playboy chamou a atenção da mídia nesta semana ao anunciar que, a partir de 2016, a revista erótica mais famosa do mundo deixará de publicar fotos de mulheres nuas. O diretor da publicação, Scott Flanders, declarou que a revista foi “vítima do seu próprio trabalho muito bem feito” de tornar o consumo de pornografia “normal” e até “aspiracional” para os homens norte-americanos.

“O clima político e sexual de 1953, o ano em que Hugh Hefner apresentou a Playboy ao mundo, não tem quase nenhuma semelhança com os dias de hoje”, disse Flanders. “Isto se deve, em grande parte, à ‘missão heroica’ de Hef para expandir essas liberdades [de expressão sexual]”.

“A batalha [para popularizar a pornografia] foi travada e vencida”, acrescentou Flanders no New York Times. “Hoje estamos a um clique de distância de todo tipo imaginável de ato sexual, e gratuitamente. Assim, [a nudez] se tornou ‘passé’”.

É verdade que Hugh Hefner trouxe quase sozinho a pornografia para o grande público ao lançar a Playboy. Publicando fotos explícitas de mulheres juntamente com outros interesses cotidianos dos homens, como carros, resenhas de produtos tecnológicos, anúncios de bebidas e cigarro e entrevistas com celebridades e “formadores de opinião”, a Playboy conseguiu garantir o seu espaço nas bancas e nas casas de muitos homens. A qualidade considerada “alta” do estilo de seus artigos gerou uma espécie de meme: “Eu só leio os artigos”, diziam alguns homens, quase sempre em tom irônico. Em suma, a revista se tornou um “ícone cultural” que, no auge, se vangloriava de ter cinco milhões de assinantes, atraindo artistas e modelos “top” para posarem nuas em suas páginas, na esperança de impulsionar a carreira.

Apesar dessa reputação de ser uma “revista de classe”, a Playboy ainda era, basicamente, uma revista de pornografia, que, para um grande número de homens que chegaram à adolescência entre anos 1950 e 1990, serviu como o primeiro contato com o pornô.

Vinte anos depois, a média de idade do primeiro contato com a pornografia caiu para onze anos e o conteúdo acessível é muito mais explícito. Os adolescentes não precisam de uma Playboy roubada para ver mulheres nuas: eles próprios, hoje, têm pouco problema para tirar a roupa, fazer selfies pornográficas e distribuí-las diretamente aos smartphones dos seus amigos e colegas de classe – que as repassam para o mundo. Tão prevalente é hoje a pornografia bizarra ou extrema que não poucos jovens já não conseguem manter relações sexuais normais com mulheres normais: eles se tornaram tão dependentes de uma estimulação sexual extrema que não conseguem mais fazer sexo sem ela.

É claro que a Playboy não é a única fonte que ficou obsoleta pelo fácil e grátis acesso à pornografia na internet. Nos últimos dias, a rede de hotéis Hyatt anunciou que vai seguir o exemplo das redes Marriott e Hilton e retirar os canais pornográficos pay-per-view das suas suítes. Ativistas contrários à pornografia declararam vitória após a decisão da Hyatt, mas analistas dessa indústria consideram que a rede simplesmente avaliou que as vendas de material pornográfico via televisão não valiam a pena diante da alternativa de cobrar 10 dólares por noite para liberar wi-fi de alta velocidade. A rede não perde nada com esta decisão – e ainda ganha “publicidade positiva”.

Quanto à Playboy, sua estratégia de abandonar a nudez nas revistas impressas segue a decisão semelhante, já tomada no ano passado, de tornar seu site mais “amigável” para anunciantes e mídias sociais, eliminando as imagens explícitas. Depois da remoção das imagens de nudez, em agosto passado, o número de usuários do site quadruplicou e a média de idade dos visitantes caiu de 47 para “pouco mais de 30 anos”: finalmente, a revista atraiu a tão cobiçada “geração do milênio”, pela qual vinha lutando fazia tempo.

Será que estamos diante de uma reação à cultura hipersexualizada que vivemos nas últimas décadas? Será que os seres humanos autoconsiderados “livres” finalmente começaram a ver que não estava ali a resposta para os seus anseios de sentido na relação com a sexualidade?

Talvez ainda não. Mas é um marco interessante e digno de reflexões.

Tags:
midiaPornografiaSexualidade
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
Reportagem local
A arrepiante oração de uma mulher no corredor da morte por ser ca...
2
st charbel
Reportagem local
Por acaso não está acontecendo o que São Charbel disse?
3
Ítalo Ferreira
Reportagem local
Ouro no surfe em Tóquio, Ítalo Ferreira reza todos os dias às 3h ...
4
CROSS;
Reportagem local
O que significa o sinal da cruz feito sobre a testa, os lábios e ...
5
CONFESSION, PRIEST, WOMAN
Julio De la Vega Hazas
Por que não posso me confessar diretamente com Deus?
6
JENNIFER CHRISTIE
Jeff Christie
Minha mulher engravidou de um estuprador – e eu acolhi o bebê nas...
7
Anna Gębalska-Berekets
O que falar (e o que não falar) a um ente querido com câncer
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia