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É possível que crentes e não crentes se sentem juntos para dialogar?

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Mais recente edição do “Pátio dos Gentios”, promovido pelo Pontifício Conselho para a Cultura, aconteceu no Uruguai

Com exposições variadas e a presença de um enviado papal, o Uruguai sediou a mais recente edição da iniciativa “Pátio dos Gentios”, promovida pelo Pontifício Conselho para a Cultura a fim de incentivar o diálogo entre crentes e não crentes. Encerrado no último sábado, 7 de novembro, após duas intensas jornadas de apresentações, o encontro em Montevidéu teve como tema “O diálogo sobre a liberdade e a construção da sociedade”.

“A laicidade como sinal de identidade da cultura uruguaia”, “A liberdade de educação e a construção de uma sociedade plural” e “Liberdade de expressão e construção de uma cultura do respeito” estiveram entre os temas das discussões, das quais participaram, além de outros, o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura e enviado especial do papa Francisco, e o ex-presidente uruguaio Julio Maria Sanguinetti.

A fecundidade do diálogo e o seu enraizamento na sociedade uruguaia foi o eixo das palavras de encerramento do cardeal Daniel Sturla, arcebispo de Montevidéu. “O diálogo nos faz muito bem. O diálogo é importantíssimo. Quando iniciamos o sínodo da Família, faz algumas semanas, o papa Francisco nos convidou a escutar com humildade e falar com parresia, palavra do Novo Testamento de que o papa gosta muito e que significa falar com audácia e serenidade. Isso foi o que vivemos aqui”.

“Fomentar o diálogo é importante para nós, mas eu gosto de enfatizar que somos uma sociedade de diálogo e transação”, disse ainda o arcebispo sobre a sociedade uruguaia. “Temos essa capacidade da ‘tertúlia’ (…) Quando eu digo que os nossos ex-presidentes podem estar juntos numa mesa, isso é algo que não se vê em muitos países, inclusive em países próximos”. Sturla mencionou ainda algumas leis polêmicas aprovadas no país, que “nos doeram”. “Muitas das nossas leis, inclusive as mais polêmicas e as que mais nos doeram, tiveram um quê de transação, de escutar o outro, e isso faz parte da nossa realidade nacional”.

Ao avaliar a edição uruguaia do Pátio dos Gentios, o arcebispo de Montevidéu recordou que houve a participação de “crentes e não crentes, comunistas e liberais, sindicalistas e empresários. Uma coisa importante no diálogo é escutar aquele que fala. Escutar e falar são a essência do diálogo, não só para confrontar, mas para tentar compreender o outro”, completou antes de agradecer aos organizadores e ao cardeal Ravasi por este encontro, “que dá muitos frutos”.

O Pátio dos Gentios é um encontro para o diálogo, organizado com diversos formatos em diversas cidades do mundo a fim de favorecer a conversa entre crentes e não crentes sobre temas diretamente ligados à realidade e às características da cidade e do país que recebe o evento.

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