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Papa condena a corrupção e a exploração do trabalho

© Antoine Mekary / Aleteia
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“A vida em cada comunidade exige o combate até o final do câncer da corrupção e do veneno da ilegalidade”, disse o papa

O papa Francisco condenou a corrupção e a exploração do trabalho durante uma visita nesta terça-feira à cidade de Prato, a capital têxtil da Itália, onde trabalham milhares de estrangeiros, a maioria chineses sem documentos.

“A sacralidade de todo ser humano requer respeito, acolhida e um trabalho digno”, afirmou o papa a milhares de pessoas reunidas na praça da catedral de Prato, símbolo da indústria têxtil italiana.

O pontífice chegou às 8H00 de helicóptero ao campo esportivo municipal da cidade para uma visita de quase duas horas aos trabalhadores.

Situada a 20 km de Florença, Prato é sobretudo a capital da comunidade chinesa que mora na península italiana.

Segundo cálculos não oficiais, quase 50.000 chineses moram nesta cidade, o que representa um terço da população, muitos deles em condições difíceis e de forma ilegal.

Francisco, que costuma dar prioridade em suas visitas ao que chama de “periferias” da sociedade, escolheu desta vez uma das cidades mais multiétnicas da Itália, que segundo a conferência episcopal conta com 123 nacionalidades distintas.

Trabalho e integração foram os temas que o papa abordou durante a rápida visita. Ele também recordou a tragédia de dezembro de 2013, quando sete operários chineses morreram no incêndio da fábrica na qual moravam e trabalhavam.

“A vida em cada comunidade exige o combate até o final do câncer da corrupção e do veneno da ilegalidade”, disse o papa.

Péssimas condições

As condições de trabalho de boa parte da comunidade chinesa, em geral, são péssimas. Com frequência dormem e trabalham no mesmo estabelecimento, não aprendem o idioma, nem conhecem a região ou seus costumes.

Há 20 anos, a comunidade chinesa da Itália, que está entre as maiores da Europa, trabalha em Prato em todos os níveis da produção de vestuário, com preços muito competitivos e que levam a etiqueta “Made in Italy”.

Para combater a ilegalidade no setor, o presidente da confederação de artesão World China, Wang Li Ping, informou à AFP a criação de um sistema de informação “porta a porta” com o qual são divulgadas as medidas de segurança, de respeito ao meio ambiente e as leis que devem ser cumpridas.

“Nós os ajudamos a respeitar a legislação italiana”, disse o empresário.

O respeito às leis, do horário de trabalho, assim como condições de vida melhores para os operários são exigências de vários setores da sociedade.

“Eu incentivo a todos que não cedam mais à resignação”, concluiu o papa.

Depois de Prato, Francisco seguiu de helicóptero para Florença, onde visitou o batistério e a catedral de Santa Maria del Fiore.

O pontífice se reuniu com um grupo de enfermos e almoçou com os pobres que frequentam o refeitório de San Francesco Poverino na praça da Annunziata.

Francisco se reuniu também com os representantes do V Congresso da Conferência Episcopal Italiana, aos quais convidou que estimulem uma “igreja inquieta”, disposta a renovar-se. Os padres devem ser “humildes, simples e felizes”, disse.

O papa celebrará durante a tarde uma missa no estádio municipal Artemio Franchi, antes de retornar para Roma.

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