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Projeções de Fé - publicado em 13/11/15

Grace de Mônaco: até para viver um conto de fada é necessário fazer sacrifícios

“Talvez eu seja ingênua, mas eu acredito em contos de fadas. Sim, eu acredito que eles podem existir se nós realmente queremos que eles existam. Se, se estamos preparados para trabalhar duro o suficiente. Eu acredito que o mundo não vai estar sempre cheio de ódio e conflito, se estamos dispostos a sacrificar o suficiente.”

(Grace de Mônaco)

Sinopse:O casamento de Grace Kelly (Nicole Kidman) e o príncipe Rainier III (Tim Roth) foi considerado um conto de fadas na vida real quando aconteceu, em 1956. Entretanto, cinco anos mais tarde e com dois filhos, a verdade é que Grace está insatisfeita com a vida no palácio e o distanciamento do marido. A chance de novamente sentir-se útil surge quando seu velho amigo, o diretor Alfred Hitchcock (Roger Ashton-Griffiths), a convida para retornar ao cinema como protagonista de seu próximo filme: “Marnie – Confissões de uma Ladra”. O problema é que Rainier é terminantemente contra e, ainda por cima, está envolvido com uma ameaça vinda do presidente francês Charles de Gaule (André Penvern). Caso Mônaco não pague impostos à França e acabe com o paraíso fiscal existente, o principado será invadido em seis meses. Em meio às inevitáveis tensões, Grace e Rainier buscam resolver seus problemas tentando evitar que eles causem o divórcio.

Em tempos multimidiáticos é fácil ter ouvido falar em Grace Kelly em algum lugar. Afinal, vivemos numa época marcada pela crise de referenciais, especialmente os positivos. Grace Kelly, portanto, assim como Marilyn Monroe, poderia tranquilamente passar por mais um rostinho bonito que Hollywood quis vender para o mundo. No entanto, a história contada por Olivier Dahan no filme Grace de Mônaco traz uma personagem de fato digna de ser tratada como modelo para os nossos dias.

Não se enganem achando que se trata de um filme excelente em termos gerais – não! Grace de Mônaco, infelizmente peca em muitos aspectos, a começar pelo roteiro artificial, passando pelos diálogos clichês e terminando na dramatização excessiva de Nicole Kidman. Apesar disso, o filme cumpre o papel de construir em Grace Kelly um tal modelo de virtudes que a aproxima de uma santa para os tempos modernos.

Ainda que o filme vincule Grace à religião, simplesmente pelo ofício ocupado no Principado de Mônaco, impressiona o conjunto de características que Dahan quis conferir à atriz de Hollywood que deixou tudo para trás, a fim de devotar-se à família, à coroa e ao país. Isso é confirmado por meio de uma das frases mais marcantes do filme: “Eu acredito que se formos capazes de nos sacrificarmos o bastante, o mundo não será mais cheio de ódio e conflito”.

Sacrifício parece ter sido realmente a tônica da personagem mostrada no filme. Muito além do glamour que o título de princesa de Mônaco poderia trazer, Grace Kelly experimentou na pele as exigências que precisa ter uma boa mãe, uma boa esposa, uma boa líder e, acima de tudo, uma boa mulher.

Se por um lado a balança feminista pesa por meio de uma forte agenda ideológica, a grande sacada do filme foi mostrar que uma mulher ainda pode ser admirada sendo simplesmente…mulher!

Outro ponto forte do filme foi o papel exercido pelo Padre Tucker. Grande conselheiro da corte de Mônaco, ele foi o único apoio que Grace Kelly encontrou num mundo dominado pela inveja, desconfiança, superficialidade e a política. Longe de ser um sábio ou um santo óbvio. Tucker é daqueles que fala de Deus sem parecer clichê, pelo testemunho e pela presença, pela retidão e pela humanidade. Algo raro para os filmes de Hollywood que insistem em tratar o Padre como uma figura alienada dos problemas da vida hodierna.

Como ficou dito, Grace de Mônaco peca em termos técnicos e talvez não chegue a ficar para a história. No entanto, vale a visita ao cinema só por exaltar temas que a mídia e muitos intelectuais tanto odeiam atualmente: família, sacrifício, religião, tradição, maternidade, fidelidade, etc..

No mais das contas, o filme tem figurinos lindos e um cenário deslumbrante. Se a equação tornou-se complicada, talvez um diálogo entre Grace e o Padre Tucker lhe ajudem a decidir:

Grace: “Padre, o senhor acredita em contos de fadas?”

Padre Tucker: “Não. Eu acredito em felizes para sempre”.

*  *  *

Ficha técnica:

Gênero: Drama.
Direção: Olivier Dahan.
Roteiro: Arash Amel.
Elenco: Aaron Webster, André Penvern, Derek Jacobi, Frank Langella, Geraldine Somerville, Jean Dell, Jeanne Balibar, Milo Ventimiglia, Nicholas Farrell, Nicole Kidman, Olivier Rabourdin, Parker Posey, Pascaline Crêvecoeur, Paz Vega, Philip Delancy, Robert Lindsay, Roger Ashton-Griffiths, Sir Derek Jacobi, Tim Roth, Yves Jacques.
Produção: Arash Amel, Pierre-Ange Le Pogam.
Duração: 103 min.
Ano: 2014.
País: Bélgica / Estados Unidos / França / Itália.
Estreia: 29/10/2015 (Brasil).
Distribuidora: PlayArte.
Estúdio: Canal+ / Lucky Red / Silver Reel / Stone Angels / TF1 Films Production / uFilm / YRF Entertainment.
Classificação: 12 anos.

Trailer

(Projeções de Fé)

Tags:
Cinema
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