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O herói desarmado que derrotou com a vida o covarde homem-bomba

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AFP

John Burger - publicado em 18/11/15

Adel Termos viu o homem-bomba correndo rumo à multidão e agiu, sacrificando-se para salvar o próximo

Em meio à comoção mundial com os ataques terroristas em Paris, veio à tona um extraordinário ato de heroísmo ocorrido em outro atentado terrorista perpetrado um dia antes: o que matou 45 pessoas e feriu mais de 200 em Beirute, no Líbano. Assim como na França, o ato covarde e abominável foi reivindicado pelo Estado Islâmico.

O número de mortos em 12 de novembro teria sido maior se não fosse pelo gesto heroico de um homem, pai de dois filhos, muçulmano, cuja ação rápida salvou muitas vidas – mas levou ao sacrifício da dele próprio.

Testemunhas disseram à CNN que Adel Termos, de 32 anos, saiu da mesquita próxima ao local dos ataques para ver o que tinha acontecido, após ouvir a explosão da primeira bomba.

“Adel viu um homem correndo ladeira abaixo e gritando ‘Allahu akbar, Allah akbar!’ (‘Alá é grande’, em árabe)”, disse uma das testemunhas. O jovem se lançou sobre o homem-bomba, que explodiu antes de chegar à multidão.

“Muitas, muitas famílias, provavelmente centenas de famílias devem a sua integridade ao sacrifício de Adel Termos”, escreveu em seu blog o médico Fares Elie, de Beirute.

“Eu estou viva e feliz, orgulhosa do meu marido, que elevou o nome da nossa família muito alto e nos honrou”, declarou a viúva de Adel, Bassima, à CNN.

O bairro onde ocorreu o ataque, Burj al-Barajneh, é predominantemente xiita, assim como é xiita a mesquita diante da qual ocorreram os atentados. O Estado Islâmico é um movimento sunita e seus membros afirmam explicitamente que pretendem destruir “os porcos xiitas”, a quem consideram “infiéis” ao “islã puro”.

O Líbano tem sofrido decorrências mortais do conflito sírio, incluindo uma onda de atentados e ataques suicidas em 2013 e 2014. A covarde explosão dupla da última quinta-feira, 12 de novembro, foi um dos atentados mais mortíferos no país desde o fim da guerra civil libanesa, entre 1975 e 1990.

Outras explosões anteriores também tiveram como alvo áreas xiitas populosas do Líbano e foram reivindicadas por militantes que se declararam “vingadores” pela participação do Hezbollah na guerra civil da Síria. O grupo libanês tem lutado ao lado das forças do presidente sírio Bashar al-Assad.

Tags:
Estado IslâmicoMundoTerrorismo
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