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Que tal um pouco mais de humor na oração?

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Aleteia Brasil - publicado em 16/12/15

Santa Teresa de Ávila um dia declarou a Deus: "Do jeito que tratas os teus amigos, Senhor, eu bem entendo que não tenhas muitos"

É bom não levar-se muito a sério quando você se recolhe durante longos minutos em silêncio, em atenção amorosa a Deus. Ele está aí, você está aí, mesmo que não sinta nada. Deus vê mais a nossa intenção do que a nossa atenção, que costuma ser bem deficiente… O básico da oração é isso: estar. É a presença. É estar com Deus. Mesmo distraído. A atenção vai sendo conquistada aos poucos, à medida que vamos deixando o contato com Ele ficar mais natural, espontâneo, autêntico. Não é preciso muita formalidade. Afinal, Ele é nosso Pai!

Estar

Certo dia, o Cura d’Ars tinha terminado a sua hora de oração na igreja com a sensação de que Deus estava longe. Ele sentiu uma grande secura interior, como acontece muitas vezes com quem persevera nesse coração a coração com Jesus. O bom padre se levantou, olhou para o crucifixo e disse com bom humor: “Bom, Senhor, eu estava aqui”.

Certamente o Senhor está sempre aqui, mas pode nos parecer distante, silencioso… Nós podemos gentilmente repreendê-lo como o salmista, que pergunta ao Senhor se Ele o esqueceu e quanto tempo vai lhe esconder Seu rosto (cf. Sl 12). Aliás, isso levou Santa Teresa de Ávila a declarar a Deus: “Do jeito que tratas os teus amigos, Senhor, eu bem entendo que não tenhas muitos”.

A Madre Teresa de Calcutá viveu durante 50 anos o sentimento angustiante da ausência de Deus. Por trás do seu sorriso maravilhoso, escondia-se uma noite da fé bem conhecida pela sua padroeira, Santa Teresa de Lisieux. A Madre Teresa se agarrou à pura fé, lutando contra o tormento de que Deus não era Deus, de que Deus não existia. Isso não lhe tirou o humor e a alegria, frutos das suas horas de adoração que lhe saciavam a sede de Jesus.

Humildade e humor

Os santos vivem um relacionamento com Deus que envolve o humor. “Um santo triste é um triste santo”, diz um provérbio. O santo tem a arte de não se levar demasiado a sério, porque ele se desamarra de si mesmo. Pense na alegria de São Francisco de Assis, de Santa Bernadette Soubirous, de São João XXIII. Será que o bom humor não é uma forma de santidade semelhante à humildade de deixar-se levar por Cristo?

Tags:
humorOraçãosantidade
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