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Jesus e Maria na ala de emergência de um hospital de Bagdá

Mass Communication Specialist 3r

Theresa Bonopartis - publicado em 04/01/16

O que há em comum entre Jesus, Maria, os soldados que deram a vida e as mães que eles deixaram neste mundo

Procurando algo para ver na TV neste fim de ano, eu me vi diante do documentário “Baghdad ER”, da HBO (algo como “Emergência Hospitalar Bagdá”, em livre tradução). Embora já o tivesse visto, quis vê-lo novamente – talvez porque estava preparando uma palestra sobre Maria e o seu sofrimento como Mãe de Deus. Ela também, afinal, perdeu o seu Filho em batalha.

Meu filho Michael foi “marine” e serviu em Fallujah, no Iraque. Não preciso dizer que foi uma época muito difícil, cheia de medo, que testou e estendeu os limites da minha fé.

Eu participava de um grupo católico chamado Semper Fi – Pais do Vale do Hudson, fundado por Paula Zwillinger, outra mãe de um jovem “marine”. Aquele grupo foi de imenso apoio para quem tinha filhos servindo ao exército na guerra do Iraque – e eu vou ser eternamente grata aos amigos que fiz durante aquele tempo de verdadeiro compartilhamento de corações.

Gostaria muito de dizer que a tragédia da guerra não nos afetou pessoalmente, mas ela afetou, sim, e muito de perto. Não só isso: ela continua nos afetando toda vez que volta para casa um soldado ferido no corpo e na alma. E são tantos feridos na alma… Nos últimos dois anos, dois amigos do meu filho cometeram suicídio porque não conseguiram se reajustar à vida “normal” depois dos traumas da guerra.

Algumas mães com quem fiz amizade viveram o sacrifício extremo. Uma delas foi a própria Paula, cujo filho, Bob Mininger, morreu quando ainda servia em Fallujah.

É aqui que o documentário da HBO se torna profundamente pessoal para mim. No final do programa, um fuzileiro naval ferido de morte é levado à emergência médica em Bagdá.

É Bob.

Nós todos nos unimos aos médicos na tentativa extrema de salvar a vida dele. É de cortar o coração assistir ao documentário, mas, ao mesmo tempo, é reconfortante… Em especial para Paula, que o considerou uma bênção! Sim: o documentário lhe permitiu “estar lá”, com o seu filho; permitiu-lhe a certeza de que ele foi cuidado até o fim e de que ele não morreu sozinho.

Bob não era o único marine que nós conhecíamos. Mike Glover era outro dos amigos próximos do meu filho, para citar só um dos mais de 3.000 que deram a vida naquela guerra.

A ala de emergência em Bagdá estava sempre ocupada, com as heroicas equipes médicas atendendo o fluxo contínuo de homens e mulheres feridos. Um dos médicos, no documentário, diz algo mais ou menos assim: “Eu espero que estejamos dando ao povo iraquiano uma nova vida. Se não estivermos, tudo isto é pura insanidade“.

Essa afirmação me atingiu em cheio nessa noite, ao pensar no drama atual daquela região e ao me lembrar dos muitos que lá morreram ou foram feridos. É difícil. Tento me consolar pensando que, apesar dos erros do nosso governo [norte-americano], aqueles homens e mulheres fizeram o seu sacrifício supremo por nós.

Quando o meu filho estava servindo, as pessoas me diziam: “Muita gente está rezando. Você tem que ter fé de que ele vai voltar bem. Você tem que confiar em Deus“.

Mas a nossa fé é mais do que isso.

A mãe de Bob orou. A mãe de Mike Glover orou. No entanto, os filhos delas morreram.

Não. A nossa fé não é só isso. A nossa fé nos pede confiar mesmo quando os nossos filhos não voltam vivos. A nossa fé nos pede contemplar o sacrifício extremo de Jesus Cristo e o sofrimento indizível de Maria, Sua mãe, e, ainda assim, confiar na Bondade e no Amor de Deus.

Isto é que é a fé.

Tags:
GuerraMaternidadeMorteSofrimento
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