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Novo comboio de ajuda humanitária chega à cidade síria sitiada

Agências de Notícias - publicado em 15/01/16

"São as pessoas idosas, as mulheres e as crianças as que mais sofrem, sobretudo de desnutrição grave. Esta situação não pode continuar"

Um novo comboio de ajuda humanitária com remédios e comida chegou nesta quinta-feira à cidade síria de Madaya, onde os habitantes sofrem com a fome após meses de cerco das forças governamentais.

Mais de 40 caminhões carregados com alimentos e medicamentos entraram nesta cidade de 40.000 habitantes situada 40 km a oeste da capital, Damasco, constatou a AFP.

Trata-se do segundo comboio do tipo enviado a Madaya esta semana, uma cidade sem comunicação com o mundo, onde a ONU disse ter encontrado uma situação sem precedentes em quase cinco anos de conflito sírio.

“A prioridade é levar farinha de trigo e medicamentos” aos cerca de 42 mil habitantes, indicou um porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

A ONU e as potências ocidentais criticaram com firmeza o ataque das forças do regime de Bashar al-Assad nesta localidade, onde mais de 20 pessoas morreram de fome, segundo organizações humanitárias.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, advertiu nesta quinta-feira que o uso da fome como arma de guerra é um crime.

“Todas as partes – inclusive o governo sírio que tem a responsabilidade de proteger os sírios – estão cometendo esta e outras atrocidades proibidas sob a lei humanitária internacional”, afirmou.

A encarregada do CICV, Marianne Gasse, informou em um comunicado que “as condições de vida destas pessoas são das mais difíceis” vistas nos cinco anos de guerra na Síria.

“São as pessoas idosas, as mulheres e as crianças as que mais sofrem, sobretudo de desnutrição grave. Esta situação não pode continuar”, acrescentou.

Vários nutricionistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), do CICV e do Crescente Vermelho conseguiram entrar em Madaya para “examinar a gravidade do estado” dos moradores, disse Rana Sidani, da OMS.

Está previsto que um terceiro comboio chegue “nos próximos dias”, afirmou o coordenador humanitário da ONU na Síria, Yacoub el Hillo.

A operação humanitária também abarca as duas cidades xiitas de Fua e Kafraya, sitiadas pelos insurgentes na província de Idleb (noroeste), mas onde se considera a situação menos delicada do que em Madaya.

Um porta-voz do CICV informou na quinta-feira que todos os caminhões que partiram para Madaya, Fua e Kefraya conseguiram chegar ao seu destino e que a distribuição estava em andamento.

Alertar o mundo

As organizações humanitárias negociam com o regime de Damasco a retirada de Madaya das pessoas mais frágeis e doentes.

Segundo o CICV, 400 mil pessoas vivem sitiadas na Síria, onde a guerra civil deixou desde março de 2011 mais de 260 mil mortos e obrigou milhões de pessoas a fugir.

“Todos os cercos devem ser suspensos imediatamente”, disse o diretor do CICV para o Oriente Médio, Robert Mardini. “Enquanto isso, deve-se autorizar os comboios humanitários a um acesso rápido, regular e incondicional a todas as zonas para salvar vidas”, acrescentou.

França, Grã-Bretanha e Estados Unidos solicitaram uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para reivindicar a suspensão do cerco imposto a cidades sírias, informou à AFP nesta quinta-feira o embaixador francês, François Delattre.

Esta reunião – que poderia ser realizada a partir de sexta-feira – visa a “alertar o mundo sobre o drama humanitário vivido em Madaya e outras cidades da Síria” sitiadas, declarou Delattre.

A iniciativa busca também “contribuir para criar condições mais favoráveis para a retomada das negociações” entre o regime e a oposição previstas para 25 de janeiro, em Genebra.

Segundo Moscou, o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, e o secretário de Estado americano, John Kerry, combinaram de se reunir em Zurique em 20 de janeiro para conversar sobre a situação na Síria.

Até agora, todos os esforços para encontrar uma solução para este conflito fracassaram, sobretudo devido às divergências sobre o futuro de Assad.

Em meados de dezembro, o Conselho de Segurança da ONU adotou uma resolução na qual estabeleceu um plano que prevê negociações, um cessar-fogo, um governo de transição nos próximos seis meses e eleições em 18.

(AFP)

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